SC Esmoriz regressa às vitórias 6 jogos depois e em partida de «mente fria»

Por em 07/02/2018

Foi com casa modesta no Estádio da Barrinha que se acolheu a décima oitava jornada do Campeonato Safina. Um jogo que opunha o Sporting Clube de Esmoriz, à altura nono classificado, e a Juventude Desportiva Carregosense, décima sétima classificada.

Os vários factores em torno do jogo: como o vento forte e frio que se fazia sentir, a época de Carnaval e a senda negativa de resultados (6 jogos consecutivos) podiam explicar o porquê do estádio não estar repleto. Todavia, as equipas entraram em campo concentradas naquilo que os seus técnicos lhes tinham pedido e convictas de que poderiam sair premiadas no final do encontro.

Depois de uma primeira parte fria, em que a única verdadeira oportunidade de golo acabou a ser concretizada por Pedro Godinho, veio um segundo tempo bem mais interessante. Com superioridade numérica, os esmorizenses arrancaram para uma recta final de jogo forte e que os levou a uma vitória folgada de 3-0.

Narciso Ratinho, timoneiro do Esmoriz, voltou a apostar no mesmo onze que tinha utilizado na partida anterior e colocou em campo Renato Lopes, na baliza; João Dias, Rúben Pereira, Fábio Gonçalves e Breno Oliveira no eixo defensivo; Pedro Godinho, Filipe Leite e Kalunga no meio campo; e Gonçalo Resende, John Moses e Vando, ao centro, na frente de ataque.

Quanto a Miguel Rapinha, treinador do Carregosense, apostou em Roskoff na baliza; Vitinha, João Couto, Rosas e Brandão na defesa; Tó Frangolho, António e Muge no miolo; e Sandro, Vitinha e António Rebelo, a ponta-de-lança, no trio ofensivo.

A primeira parte foi jogada muito à imagem do tempo que se fazia sentir no estádio, de forma fria. A somar pelos dedos, bastaria uma única mão para contabilizar o número de vezes que ambas as equipas tentaram visar a baliza do adversário com algum critério. 45 minutos que acabaram por revelar-se muito calculistas, disputados em batalhas a meio campo e sem grande brilho.

Ainda assim, ambos os conjuntos estiveram perto de inaugurar o marcador. Quer Rosas (capitão visitante) com um cabeceamento perto do poste, aos 5′; quer Resende ao isolar-se pela esquerda para rematar contra a mancha de Roskoff, aos 43′.

No entanto, seria nos minutos 44′ e 45′ que aconteceriam os momentos chave do encontro. Brandão, lateral esquerdo do Carregosense, iria acumular duas cartolinas amarelas e o consecutivo vermelho. Christian Correia, árbitro principal, esteve mal na exibição do primeiro, ao penalizar uma suposta simulação do jogador fora da zona da grande área. O segundo foi bem atribuído por carga faltosa, mas precedido de um momento de confusão inicial do juiz quanto ao jogador que cometera a falta.

Com superioridade numérica, não haveria melhor momento para o SCE chegar à vantagem no marcador. Precisamente na última jogada do primeiro tempo, aos 46′, houve um pontapé de canto do lado direito do ataque da formação da Barrinha, cobrado ao segundo poste, e, bem lá nas alturas, apareceu o capitão Pedro Godinho, a cabecear bem chegado à «gaveta» do poste esquerdo da baliza defendida por Roskoff. O defesa encostado ao poste bem saltou para impedir o golo, mas o esférico ia demasiadamente bem colocado para o fundo das redes.

Depois do descanso, e logo com um reajuste do Miguel Rapinha que fez entrar Miguel Almeida para o lugar de Rebelo, a toada do encontro seria bem diferente.

Os visitantes, mesmo que com menos um elemento em campo, tinham de arriscar e isso abriu espaço para o Esmoriz. Espaço esse que quase era aproveitado por Moses e Kalunga, aos 50′. Primeiro, o extremo rematou rasteiro e cruzado para defesa de Roskoff. Depois, o zambiano desperdiçou a recarga rematando por cima da trave.

A JDC, mesmo em inferioridade, ia ameaçando com alguns lances no ataque. À passagem dos 56′, 61′ e 65′, por intermédio de Rosas e Miguel Almeida. Mas nem os cabeceamentos após bolas paradas do capitão, nem o pontapé em remoinho para defesa a dois tempos de Renato Lopes teriam o sucesso desejado pelos os visitantes.

Aos 71′, o Esmoriz iria chegar finalmente ao golo da tranquilidade, na melhor jogada de todo o encontro. Triangulação pela direita, ao primeiro toque, entre Moses e João Dias, passando ainda pelo pé de Filipe Leite. O médio colocou a bola na frente, onde reapareceu o extremo nigeriano a alta velocidade para cruzar rasteiro para o golo de Vando. O avançado esmorizense recebeu o esférico no coração da área e, num movimento à ponta-de-lança, rodou e rematou rasteiro para dentro da baliza defendida pelo guardião Roskoff – que pouco poderia fazer.

Estava feito o segundo golo e o Esmoriz respirava tranquilamente, apagando os fantasmas das últimas jornadas e retirando toda a esperança dos forasteiros ainda chegarem à igualdade.

Ainda antes de acabar o jogo, e já depois de algumas iniciativas rápidas dos atletas da Barrinha e de algumas bolas bombeadas pelo Carregonsense, haveria tempo para o terceiro golo dos Guerreiros. Aos 94′, graças a uma recuperação de bola por parte de Max (em estreia na equipa de Narciso Ratinho), o Esmoriz avançou com a bola junto à linha lateral esquerda. Situação que permitiu uma «cavalgada» de João Carvalho, que havia substituído Vando, até junto da baliza e a oferta do golo a Moses que só teve de encostar ao 2º poste. Bem jogado pelo jovem avançado, protegendo da bola e oferecendo para o outro lado da baliza em vez de optar pelo remate no cara-a-cara com Roskoff.

Não haveria tempo para mais, concluindo-se assim um jogo em que os anfitriões, mesmo sem terem realizado a melhor exibição da época, justificaram a vitória – ainda que só a tenham consolidado depois de estarem a jogar em superioridade numérica. Apesar da intermitência exibicional, não deixaram de tornar este o jogo com maior número de concretizações bem sucedidas, 3.

Uma palavra de apreço também para a JD Carregosense que, mesmo com menos uma unidade, nunca deixou de lutar o jogo pelo jogo contra o adversário.

Helder Ferreira foi o repórter da Rádio AVfm no local. Ouça as declarações dos técnicos:

  • Declarações SC Esmoriz | Narciso Ratinho:

 

  • Declarações JD Carregosense | Miguel Rapinha:

 

Em nota de apontamente, refira-se ainda um lance caricato da arbitragem. Christian Correia esteve muito mal ao compensar um erro seu com um erro ainda maior quando, para corrigir uma bola nitidamente fora das quatro linhas não assinalada pelo fiscal, acabou por marcar um fora-de-jogo a Kalunga, em que o mesmo apenas se limitou a prosseguir com a bola dominada em corrida e sem nunca a ter passado a ninguém. Um exemplo da exibição «muito apagada» do trio de arbitragem e que mereceu críticas de ambos os lados.

Na próxima jornada, o SC Esmoriz desloca-se a Castelo de Paiva para defrontar o Paivense, actual 14º classificado, num jogo que será jogado à porta fechada por castigo aplicado aos anfitriões.

 


Fotos:  Helder Ferreira
Texto:  Helder Ferreira
Áudio: Jaime Valente


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