«Dilúvio de golos» no Sargaçal abre as comportas ao empate entre CCR Válega e AD Ovarense B

Por em 08/03/2018

No passado domingo, o Sargaçal regressou aos dérbis concelhios depois de, na época passada, ter recebido equipas como o Furadouro, o S. Vicente Pereira ou a equipa principal da Ovarense. Contra a Ovarense B, este não era um dérbi com mesma carga emocional dos jogos referidos. Mas um dérbi não deixa de ser um dérbi e todos querem ganhar.

No meio de um forte temporal, foi a Ovarense quem melhor se adaptou numa fase inicial, concretizando as 3 claras oportunidades de golo que teve até à passagem dos 50 minutos. Mas, após mexidas nos valeguenses, sobretudo encostando o experiente Carlos Alberto ao ataque, o Válega tanto insistiu que acabou mesmo por ser premiad0 com o empate no último fôlego, com o hat-trick do capitão.

Um empate de 3-3 com muitas incidências. Vamos conhecer primeiro os onzes iniciais…

Paulo Gomes, técnico no Válega, procurando apostar num ataque bastante móvel, colocou de início Carlos Pereira na baliza; Fábio, João Pereira, Pedro Santos e André Brandão na defesa; Carlos Alberto, Gabi e Sérgio Valente no miolo do campo; e Pedro Simeão, Jorge Daniel e Tiago Silva como o trio móvel do ataque.

Já o Professor António Tavares, timoneiro da Ovarense B, reservou algumas surpresas para este jogo, desdobrando um 4-3-3 num 3-4-3 quando atacava, com os laterais a subir bastante. Iniciou com uma equipa que tinha Daniel Silva na baliza; Carlos Santos, Marco Rodrigues, Bruno Cardoso e Igor Pinho no eixo mais defensivo; Miguel Ribeiro, Tiago Barroqueiro e Rafael Oliveira no meio campo; e Luís Gonçalves, Tiago Fula e Zé Pinto, ao centro, como referências no ataque.

A primeira parte acabou por ser bastante táctica e, apesar dos dois golos, não trouxe muitas oportunidades claras de golo a ambos os lados.

No entanto, já depois de vários avisos em remates longos, logo aos 13’, a Ovarense iria inaugurar o marcador por intermédio de Flecha, numa jogada bem conseguida pela esquerda do ataque. Uma triangulação ao primeiro toque desmarcou o extremo no lado esquerdo da área que, à saída de Carlos Pereira, bateu cruzado e calmo ao poste esquerdo da baliza do Válega.

Depois do golo inaugural, demorou bastante até haver uma nova oportunidade clara de golo, que chegou apenas aos 39’ para o lado dos valeguenses. Jorge Daniel apareceu desmarcado pela esquerda do ataque e rematou cruzado para uma excelente defesa de Daniel Silva, que foi ao tapete tocar a bola com a ponta das luvas e desviar para canto.

Já todos pensavam no descanso e no resultado fixado no 1-0 quando, na última jogada da primeira parte, a Ovarense B, com alguma sorte à mistura, sairia ainda mais descansada e com uma vantagem de 2-0 para os balneários. Igor Pinho, numa iniciativa pela direita, colocou a bola para o avançado Zé Pinto que, depois de uma má recepção nas suas costas, remata de fora de área. O esférico bateu ainda na cabeça de Pedro Santos e sobrou para Tiago Fula faturar, já dentro da área. O extremo, na segunda vaga, desviou ligeiramente a bola do alcance do guardião Carlos e esta acabaou por entrar tranquilamente junto ao poste esquerdo.

Os alvi-negros saíam assim mais tranquilos para o intervalo, desconhecendo que muito ainda estaria para acontecer na segunda parte e o «mau fortúnio» que lhes estava reservado.

Na entrada para o segundo tempo, Paulo Gomes colocou Pedro Azevedo em campo e procurou ter ter duas referências na frente. Algo que daria o mote para a recuperação dos anfitriões.

Contudo, foi a Ovarense B quem melhor arrancou no segundo tempo. Aos 53’, voltou a ampliar o marcador através de Zé Pinto. Num pontapé de canto do lado esquerdo a sair puxado ao segundo poste e, após saída em falso de Carlos Pereira, apareceu o avançado nas alturas a cabecear picado para o fundo das redes.

Apesar do pesado 3-0, a reação do CCRV não tardou e, aos 54’ e 57’, os da casa estiveram perto de reduzir a desvantagem. Na primeira, Sérgio Valente rematou cruzado para excelente oposição de Daniel Silva. Já na segunda, depois de alguma confusão a partir de um pontapé de canto na esquerda, Tiago Silva desviou de cabeça para ver o guardião segurar a bola sobre a linha de golo.

Do outro lado, aos 58’, foi Flecha a falhar por pouco o chapéu, após saída em falso de Carlos Pereira.

Foi então, que a partir do minuto 75’, e depois de algumas alterações no esquema tático do Válega (com a subida no terreno do capitão Carlos Alberto), a dupla Carlos e Pedro Azevedo criou as ruturas necessárias para a surpresa no Sargaçal.

Pedro, aos 76’, desmarcou-se e rematou cruzado para mais uma boa oposição de Daniel Silva. Aos 80’, após um pontapé de canto, cabeceou à trave da baliza do guardião da ADO.

Desconformado, esteve na origem do primeiro golo dos anfitriões, à passagem dos 82’. Novo pontapé de canto na direita, o avançado ainda envia de cabeça novamente à trave da baliza da Ovarense mas, dessa vez, apareceu Carlos Alberto na sobra e desviou para o fundo das redes, renovando as esperança dos adeptos da casa.

A Ovarense B praticamente tinha abdicado de atacar e, com as linhas todas avançadas, seria ao cair do minuto 90’ que o Válega reduziria ainda mais o marcador. Jorge Daniel desmarcou-se em velocidade para ficar cara a cara com Daniel Silva, acertando literalmente na cara do guardião. A bola sobrou para o bis de Carlos Alberto. O médio ficou com o esférico à sua mercê, na entrada da área, e acabou por picá-lo por cima do central que foi fazer a dobra do guardião e proteger a sua baliza.

Era o tudo por tudo do CCR Válega e mesmo no «último suspiro» do encontro, de uma falta quase em cima da linha de área, nasceria o empate e o grande herói da partida. De livre directo, Carlos Alberto rematou com efeito e colocado ao poste esquerdo, chegando ao hat-trick, para explosão de festejos no Sargaçal. O guardião Daniel Silva ainda bem se esticou mas foi impotente para travar tamanha precisão, acabando por sair mal tratado após o lance, ao cair desamparado no terreno do jogo, isto depois de já ter contraído uma hemorragia nasal.

Daniel, já depois do término da partida, teve mesmo de ser assistido pelo INEM, depois de ter perdido momentaneamente a consciência quando o levavam em braços para o balneário: apresentava sinais de hipotermia. Neste momento, tudo está resolvido com o atleta e ele regressará aos treinos na próxima semana.

Helder Ferreira foi o repórter da Rádio AVfm no local. Ouça as declarações dos técnicos:

 

  • Declarações CCR Válega | Paulo Gomes:

 

  • Declarações AD Ovarense B | António Tavares:

 

Terminava assim um dérbi de loucos, com um temporal de loucos. Os alvi-negros controlaram os primeiro 75 minutos do encontro, mas foram incapazes de impedir que a avalanche ofensiva do Válega, nos últimos 15 minutos, desse frutos.

Na próxima jornada, o CCR Válega vai deslocar-se ao terreno da AD Valonguense, actual líder da série B da 2ª Divisão da AFA. Já a Ovarense B recebe, no Marques da Silva, o Beira-Vouga, segundo classificado em igualdade com o Macinhatense (mas com menos um jogo). Prevêem-se dois confrontos bem complicados para as duas equipas do nosso concelho.


Fotos: Helder Ferreira
Texto: Helder Ferreira
Áudio: Jaime Valente


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