Ovarense DV «desce do céu ao inferno» e termina afastada dos playoffs

Por em 10/05/2018

O fim-de-semana que passou, da dupla recepção a formações açorianas, era decisivo nas aspirações da Ovarense DV de chegar aos playoffs.

Jogavam-se as duas últimas jornadas da 2ª fase e os vareiros estavam bem lançados na discussão da passagem no Grupo B. Mas, depois de uma vitória expressiva de 85-61 sobre o Terceira Basket Club, que deixava os vareiros com um pé nos playoffs, o impensável aconteceu.

Quando os alvi-negros precisavam apenas de não perder por mais de 15 pontos, e depois de vitórias consecutivas nas jornadas anteriores, o SC Lusitânia veio a Ovar vencer por 78-97 e relegou a ODV, pela primeira vez em 20 anos, para fora da discussão decisiva do vencedor final da Liga Portuguesa de Basquetebol.

Na recepção ao Terceira Basket Club, Nuno Manarte, técnico alvi-negro, apostou no cinco inicial habitualmente utilizado nos últimos tempos, que era comporto por Pedro Oliveira, Pedro Pinto, João Grosso, Jermel Kennedy e Cristóvão Cordeiro.

Por sua vez, Daniel Brandão, treinador insular, apostou num cinco maioritariamente estrangeiro, e com alguns retornos a casa, lançando em campo Isaiah Johnson, Nuno Morais, João Torrie, Emmanuel Ogunfolu e Marcus Van.

Nesta segunda fase, sempre que a Ovarense entrou em campo em alta rotação, o resultado final dos jogos reflectiu-se nisso. Contra a turma do Terceira, esse dado não foi diferente. Na primeira metade, os vareiros estiveram sempre em controlo do jogo, mantiveram uma boa liderança e acompanharam-na de um boa eficácia de lançamento (55,6%).


Mais uma vez, na ausência de Will Perry, o colectivo voltou a imperar e os números gerais estavam bem espalhados por todo o plantel. Aliás, os pontos de jogadores vindos do banco expressava na perfeição o colectivismo (16 pontos).

No entanto, os insulares estiveram sempre bem presentes no jogo e os ares de Ovar parecem ter feito maravilhas a Nuno Morais que, muito à custa dos seus 18 pontos (com 4 triplos), conseguiu manter o Terceira competitivo no confronto com a sua antiga equipa.

O resultado de 42-39 ao descanso devia-se, acima de tudo, ao esforço de Nuno Morais e aos 20 ressaltos (10 deles ofensivos, contra 10 no total da Ovarense), mesmo que os açorianos tivessem baixa eficácia (42,3%).

No segundo tempo, as coisas começaram a alterar um pouco, sobretudo com os 5 roubos de bola conquistados pelos vareiros. Mas, no entanto, seria no quarto e decisivo período que tudo fugiria ao controlo dos visitantes.

Os vareiros entraram com tudo nessa fase, pressionando alto, intrometendo-se nas linhas dos passes adversários e quebrando o ritmo ofensivo do Terceira, capitalizando a sua estratégia com pontos rápidos.

O resultado no parcial (25-9) catapultou os vareiros para uma vitória final confortável e onde os insulares muito se podiam queixar dos 27 turnovers cometidos (17 deles por roubos de bola da ODV) para terem perdido a oportunidade de prolongarem a sua campanha para lá da fase regular da Liga.

Com este desaire, o Terceira estava fora dos playoffs, a Ovarense continuava com boas perspectivas para seguir em frente. Faltava confirmar a passagem contra o SC Lusitânia, no domingo.

Ouça a entrevista de Helder Ferreira aos técnicos do jogo entre Ovarense e Terceira:

  • Declarações Ovarense DV | Nuno Manarte:

 

  • Declarações Terceira BC | Daniel Brandão:

 

Eis a fotogaleria relativa ao jogo entre Ovarense e Terceira Basket:

 

Face aos resultados da penúltima jornada, a Ovarense DV, que se encontrava na primeira posição do grupo até então, sabia que poderia eventualmente perder o jogo por uma margem inferior a 15 pontos de diferença para se apurar para a próxima etapa.

Olhando aos bons resultados e exibições dos últimos jogos, Nuno Manarte não arriscou e voltou a lançar o mesmo 5 inicial que havia defrontado o Terceira BC.

Já do outro lado, Inaki Martin, treinador do SC Lusitânia, motivado com o excelente resultado sobre o Galitos Barreiro, colocou em campo um cinco composto maioritariamente por estrangeiros, com Khalid Mutakabbir, Brandon Garrett, Dominique Coleman, Timajh Rivera e (a exceção) Pedro Catarino.

O maior conforto dos vareiros na abordagem a este jogo foi notório. Entraram com um comportamento mais displicente do que o habitual e, no final, isso seria decisivo para o desfecho.

No primeiro tempo, a Ovarense ainda conseguiu dar alguma réplica ao Lusitânia e manter o resultado relativamente controlado e ao alcance. Todavia, sempre que os visitados pareciam estar na iminência de passar para a dianteira do marcador, o forte jogo de penetração e os movimentos dos postes rapidamente voltavam a criar alguma separação.

Grande parte da eficácia da formação insular (56,7%) vinha desse mesmo jogo interior, onde Rivera parecia estar a prosperar (14 pontos ao intervalo). Não fosse novamente o banco dos vareiros e mais alguns roubos de bola e turnovers dos opositores e o resultado de 37-44 antes do descanso poderia ser bem mais alargado a favor do Lusitânia.

O grande problema foi a segunda parte que acabou por ser desastrosa para os alvi-negros, sobretudo o último período.

Se já tinha sido mau o facto de os turnovers terem aumentado para o dobro só no terceiro período, no final do jogo passaram do triplo do que se tinha cifrado ao intervalo (muito impulsionado pelos 11 roubos de bola do adversário).

E pior ainda seria quando dois dos três jogadores em maior clarividência pelos anfitriões, Ervin Mitchel (16 pontos em 50% de eficácia) e JP (8 pontos e 9 ressaltos), acabaram excluídos do jogo ao cometerem a quinta falta.

Com uma arbitragem «demasiado rigorosa», os adeptos vareiros começaram a reclamar vivamente, sobretudo quando a fasquia dos 15 pontos tinha sido ultrapassada pelo SCL.

E foi nessa fase que soou o alarme na Arena Dolce Vita e a Ovarense bem que tentou acelerar os seus processos. O grande problema é que os lusitanos estavam já com um ritmo elevado e a Ovarense, sobretudo nas mãos de jermel Kennedy, estava desinspirada na concretização.

Dentro do último minuto, os jogadores vareiros ainda chegaram a acreditar que podiam minimizar os estragos e descer da barreira dos quinze pontos, mas com a inspiração colectiva de Timajh Rivera (23 pontos, 16 ressaltos e 4 roubos de bola), Khalid (19 pontos, 5 ressaltos e 3 assistências), Pedro Catarino (17 pontos, 4 triplos) e Coleman (16 pontos), pouco conseguiram fazer.

Helder Ferreira foi o repórter da Rádio AVfm na Arena Dolce Vita. Ouça as declarações dos técnicos da partida entre Ovarense e Lusitânia:

  • Declarações Ovarense DV | Nuno Manarte:

 

  • Declarações SC Lusitânia | Luis Veríssimo:

 

No final, a vitória por 19 pontos de diferença colocava os insulares dentro dos playoffs e relegava a Ovarense, pela primeira vez em vinte anos, para fora dos mesmos.

Foi, portanto, uma forma inglória da Ovarense Dolce Vita terminar a sua época (com uma exibição muito apagada no seu reduto) depois de, tanto na primeira fase como na segunda, ter estado muito perto de confirmar a sua presença nos jogos decisivos.

Muitas ilações ficarão certamente por retirar para a próxima época. Esta foi uma Ovarense que, a espaços, demonstrou ter capacidade para se gladiar com as formações mais fortes do campeonato, mas faltou-lhe a sorte e o discernimento de, nos momentos certos, revelar toda a sua mais-valia.

Ficou o sonho por terra…

Veja a fotogaleria do encontro entre Ovarense e Lusitânia:

 


Fotos: Luís Filipe Silva
Texto: Helder Ferreira
Áudio: Jaime Valente


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