Ambição do SC Esmoriz esbarra contra um Paivense que só sabe empatar

Por em 06/10/2017

Em dia de feriado, não houve folgas para o futebol do SC Esmoriz. Depois de serem afastados da Taça de Portugal e de terem sucumbido ante o forte União de Lamas em jogo de campeonato, os Guerreiros da Barrinha aproveitavam o dia da Implantação da República para acertar o seu calendário na divisão maior de Aveiro e queriam oferecer aos adeptos a primeira vitória em casa, esta temporada.

Pela frente aparecia a sensação dos empates neste arranque de Campeonato Safina: o SC Paivense. A turma de António Correia vinha de dois nulos caseiros consecutivos, contra Lamas e Avanca. Por isso, o conjunto do norte do distrito seria teoricamente um osso duro de roer e abordaria a partida na Barrinha com redobradas cautelas defensivas.

Narciso Ratinho não foi de modas e lançou as suas setas africanas à caça dos três pontos. Com um ataque móvel e rápido graças à introdução de Moses, também a defesa sofreu mudanças com a chamada de Yannick Dao. Aliás, só o meio-campo que entrara no jogo anterior, no Comendador Henrique Amorim, se manteve. Assim, Renato assumiu a baliza; a defesa teve João Dias, Yannick Dao, Rúben Pereira e Ruca; no meio ficaram Celesdonio Mate na posição de pivô, Júlio Coronel e Pedro Godinho mais adiantados; e o ataque teve Kenneth Kalunga e John Moses nas alas, João Alves foi o ponta-de-lança móvel de serviço.

Como se esperava, o Esmoriz procurou desde cedo assumir as despesas do jogo. Mas antes que o seu futebol assentasse, o Paivense aproveitou para mostrar os dentes. Desse modo, os visitantes deixavam o adversário jogar e na resposta criavam as chances de golo.

Foi nesse registo que se manteve o primeiro quarto de hora da partida, período onde o Paivense conseguiu lançar uma bola à trave do Esmoriz aos 6′ e, cinco minutos depois, chegar ao golo inaugural.

Primeiro, a ameaça: livre batido com mestria por Soares, a bola abriu as asas e voou sobre a barreira, parando apenas num acidente com a trave da baliza onde Renato estaria batido sem nada poder fazer. Depois, o golo: jogada corrida pela direita, Sandro procurou o cruzamento, a bola saiu demasiado junto à baliza, impossível para que alguém desse seguimento, mas direitinha para o fundo das redes quando Renato não teve arte nem engenho para a agarrar ou socar para longe.

Um 0-1 nascido da fortuna de Sandro e da falta de mestria de Renato que, a meias com o sol que lhe dificultou a visão, não sai inocente deste lance caricato.

Só que, caricatura à parte, um 0-1 é melhor que um 0-0… e, ao contrário dos seus últimos jogos, esse já não ia ser o resultado alcançado pelo Paivense nesta jornada. O problema é que a desvantagem não agradava ao Esmoriz. Feridos no orgulho, os anfitriões lançaram-se na tentativa de recuperação. Começando na defesa, a bola circulava com a qualidade que todos reconhecemos aos Guerreiros. Mate, um jogador a ter em conta, era o municiador principal das ofensivas da sua equipa. Mas o Paivense jogava como queria e, bastante recuado, dava pouco espaço aos alas e criativos dos locais.

A primeira parte teve grande domínio territorial mas, verdadeiramente, o SCE teve apenas uma oportunidade digna desse nome. Corria o minuto 22 quando, numa investida pela direita, Moses partiu os rins a Domingos, fletiu da linha para dentro e assistiu atrasado para a entrada de Mate. O homem da Guiné Equatorial rematou cheio de fé, mas as crenças do Esmoriz morreram nas luvas de Nélson Silva, guardião do Paivense. Na recarga, Kalunga parecia ter o golo à mercê, mas atirou contra um colega e o esférico perdeu-se pela lateral.

45 minutos já lá iam e o Esmoriz tinha apenas a segunda parte para regressar às vitórias. Talvez tenha sido esse o discurso de Narciso Ratinho nos balneários, pois a equipa entrou para a etapa complementar a encostar o adversário às cordas e a colocar, também ela, uma bola nos postes do oponente.

João Alves já tinha tido uma excelente ocasião para faturar no reatar (perdeu-se em “rodriguinhos” dentro da área). Porém, ao minuto 52, com a bola na direita, Kalunga trabalha com critério e deixa em João Dias, que cavalga até ao cruzamento. O Paivense parecia mal colocado defensivamente – uma situação rara! – e João Dias percebeu, assistiu Moses ao segundo poste e este teve tempo para tudo. Tanto tempo mas tanto azar no mesmo lance. O remate foi cheio de intenção mas a bola embateu com estrondo no poste direito de Nélson Silva.

O Esmoriz via o seu jogo resultar em oportunidades mas os minutos corriam e não se conhecia forma de marcar. Kalunga foi dos mais inconformados e teve alguns momentos de frisson onde podia ter sido feliz. O próprio Nélson Silva, guarda-redes do Paivense que provou ser um muro entre os postes mas extremamente ineficaz a jogar com os pés, ofereceu nova bola ao zambiano num lance na lateral e, digno de apanhados, também essa jogada terminou sem consequências.

Já com Filipe Leite e Rafa Silva dentro do terreno (saíram Júlio Coronel e João Alves), Narciso Ratinho apostou ainda no tudo por tudo ao lançar Breno para o lugar de Ruca e dinamizando a lateral esquerda. Entrava-se nos 10 minutos finais e, finalmente, os esforços dos da casa iriam dar frutos.

Aos 84′ tinha mesmo de ser. A “carne” estava toda no “assador”, o Esmoriz atacava pela esquerda e, depois do cruzamento, no emaranhado de cabeças dentro da área do Paivense, finalmente surgiu um cabeceamento com selo de golo. Nélson Silva negou a entrada da bola à primeira, mas nada podia fazer quando, na segunda vaga e em novo remate de cabeça, Moses finalmente fez o 1-1. O  camisola 11 festejava com acrobacias à Nani e os locais tinham ainda pouco mais de 6 minutos para sonhar com a remontada.

O sonho, porém, não se iria tornar realidade. Os da Barrinha continuaram a pressionar alto, o Paivense foi mesmo obrigado a fazer entrar o gigante Paulão para segurar o resultado, mas as investidas dos atletas da casa saíram goradas mesmo após 90 minutos e mais 4 de tempo extra.

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as entrevistas aos técnicos depois do último apito:

Narciso Ratinho – Treinador do SC Esmoriz

 

António Correia – Treinador do SC Paivense

De vitórias morais estão as vitrinas de troféus vazias e este não era certamente o resultado com que o Esmoriz queria presentear os seus adeptos. Uma pena para os Guerreiros, que dominaram, tiveram volume de jogo e só claudicaram no golpe final. Mas, apesar de tudo, um prémio para o Paivense, a “equipa dos empates”, que vendeu caro o ponto cedido e provou ser dura o suficiente para competir contra os melhores.

Mais uma jornada que acabou e o SC Esmoriz já vai em três jogos sem conhecer o sabor da vitória. Segundo a equipa técnica, «não há crise» para os lados da Barrinha, mas na esperança de atirar os fantasmas para o passado, o chip  do conjunto vira-se claramente para o próximo domingo, onde terão um escaldante dérbi na receção à Ovarense.

Os alvinegros – esses sim, em crise – aparecerão na 4ª jornada do Campeonato Safina depois de 11 golos encaixados em apenas 180 minutos. Com o orgulho ferido, a tarefa poderá complicar-se para o SCE nesta que será também uma excelente oportunidade para os adeptos da Barrinha reverem Fred e Diogo Russo, ex-jogadores da casa.

Tantos ingredientes reunidos, espera-se então um daqueles “caldinhos”. A AVfm lá estará para acompanhar a par e passo.

Veja a fotogaleria:

 


Foto: António Silva
Texto: Pedro Silva


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