SC Esmoriz de «pólvora seca» deixa fugir 2 pontos na Barrinha

Por em 14/11/2017

À flor da relva, há dias em que uma equipa pode ficar uma tarde inteira a tentar marcar um golo que, mesmo que com oportunidades consecutivas, isso pareça uma tarefa impossível de concretizar. SC Esmoriz e FC Pampilhosa podem resumir a sua 9ª jornada de Campeonato Safina a essa máxima: dois conjuntos que, em confronto no Estádio da Barrinha, estiveram bastante ativos no ataque, tiveram chances para dar e vender mas, no final de 90 minutos de futebol, não foram além de um 0-0 e de uma divisão de pontos sem sabor.

No lado esmorizense, pode mesmo falar-se de uma perda de 2 pontos no seu próprio reduto. A formação de Narciso Ratinho teve uma primeira parte de grande nível e esteve mais perto do tão desejado tento. No entanto, vendo-se incapaz de chegar à dianteira, acabou por perder o norte e só num assalto final à baliza do Pampilhosa é que voltou a ameaçar o guardião Muller. Esforços gorados num Esmoriz de «pólvora seca» que fica pela primeira vez em branco no campeonato e que teve na sua organização defensiva e nalgumas jogadas de belo recorte os pontos mais positivos da sua exibição.

Repetindo o mesmo 11 que tinha derrotado o Alvarenga por 1-0, o Esmoriz apresentou-se com um meio-campo musculado face à inclusão de Fábio Gonçalves no vértice mais recuado e em detrimento de um Filipe Leite que ficou guardado para a etapa complementar. Moses, o autor do golo em Arouca, também apareceu nos escolhidos e «africanizou» a parelha de alas dos da casa que teve no ex-Porto B e em Kalunga dois diabos à solta no setor recuado do Pampilhosa. O melhor marcador da equipa, Raphael, foi outra vez o ponta de lança de serviço e, por sinal, o homem mais avançado de um SCE que atuou com Renato Lopes, João Dias, Ruben Pereira, Ruca, Breno Oliveira, Fábio Gonçalves, Pedro Godinho (cap.), Júlio Coronel e os já referidos Kenneth Kalunga, John Moses e Raphael Silva.

Numa entrada a todo o gás, os Guerreiros da Barrinha tiveram 20 minutos de grande produtividade e, por 3 vezes, podiam ter feito a festa. Aos 6′, após remate na direita, Muller foi obrigado a ir ao solo para empurrar para canto uma bola que levava boa direção. Depois, aos 18′, foi Moses quem apareceu lançado na cara do guarda-redes forasteiro mas, desta feita, claudicou na compostura e atirou ligeiramente por cima da trave. Por fim, aos 20′, era a vez de Raphael Silva testar os reflexos de Muller com um lance individual de grande qualidade – domínio na peitaça, rotação com a bola dominada e tiro à entrada da área que levava lume.

No entanto, já antes o Pampilhosa tinha visto um golo ser-lhe anulado por alegado fora de jogo. Corria o minuto de 17 quando Joeano recebeu um passe nas costas dos centrais e alvejou com frieza a baliza do desamparado Renato. Embora o veterano camisola 9 do Pampilhosa estivesse em jogo, bem perto do lance estava também Miguel Ramos que, em offside, teve influência na abordagem defensiva dos homens da Barrinha. Por isso, decisão acertada do senhor do apito, Ilídio Matos.

Assim, só com o dobrar da primeira meia hora é que o Pampilhosa teve uma verdadeira oportunidade de golo… e que oportunidade! Na direita, Carela fez uso do seu excelente pé direito para cruzar uma bola com olhos para dentro da grande área. Na confusão, e depois de um cabeceamento forte dos visitantes e de uma defesa fantástica de Renato, o SCE lá conseguiu aliviar o calafrio e viver para contar a história.

A cheirar a área do Esmoriz, o Pampilhosa ia crescendo e equilibrava a contenda. Aos 40′, Miguel Ramos correspondeu a um cruzamento rasteiro e rematou para mais uma intervenção de Renato. E, 3 minutos volvidos, foi Joeano quem tentou chegar ao golo na meia distância mas encontrou outra vez um irrepreensível guarda-redes esmorizense.

Os da casa tinham maior fluidez, até produziam um melhor futebol, mas pareciam sempre fraquejar num ou outro pormenor quando chegavam perto da área adversária. Por sua vez, o Pampilhosa estava cada vez mais prático e não precisava de pedir licença para rematar. Algo que continuou a verificar-se com a chegada do segundo tempo e com um miolo renovado com a entrada de Tiago.

O ex-Esmoriz, Bruno Baptista, começava a ganhar espaço para colocar em prática a sua capacidade de passe. O SCE parecia, por isso, estar a perder a batalha na zona intermediária. Portanto, foi com naturalidade que, aos 59′, Filipe Leite foi finalmente lançado no encontro. Rendendo Coronel, Leite veio novamente galvanizar o Esmoriz e, ora no transporte de bola ora nas tabelas com os seus colegas, teve influência direta na subida de rendimento da sua equipa. Para completar a mudança tática, Narciso Ratinho ainda fez saltar do banco o extremo João Alves e o ponta de lança Vando.

O Esmoriz ficou mais acutilante e teve, até ao fim do encontro, ocasiões que deixaram a assistência da Barrinha na expetativa. Aos 76′, combinando com Vando, Kalunga apareceu na cara de Muller mas deslumbrou-se com a ocasião e permitiu a mancha do guarda-redes. Já antes, num lance confuso e caricato, o pampilhosense Fábio Tavares quase marcava golo na baliza errada e traía o seu setor defensivo.

No entanto, a melhor ocasião desta fase até pertenceu ao matador Joeano. Mais uma vez com influência de Carela – que voltou a assistir a partir da ala direita –  o brasileiro que fez carreira no futebol profissional português rematou de cabeça aos 86 minutos. Renato foi novamente gigante e mostrou dotes de felino ao desviar o esférico com os pés. Não era hoje que Joeno ia faturar na casa que foi sua no início dos anos 2000.

O Esmoriz encostou o oponente às cordas mas o tão desejado KO nunca chegaria. O empate a zeros seria mesmo o resultado final deste jogo, algo que não agradou de forma nenhuma a ambos os treinadores.

Na retina ficam boas exibições de alguns dos Guerreiros da Barrinha. Breno e Kalunga foram dos melhores em campo, mas Renato terá mesmo sido o homem do jogo. A defensiva do Esmoriz é, hoje em dia, extremamente sólida e o processo prende-se num trabalho coletivo que começa nos homens da frente e acaba no guarda-redes. Mas esse guarda-redes veio trazer à sua equipa uma estabilidade que não se via em Esmoriz nem no ano passado. Renato fez uma mão cheia de defesas de nível e começa a tornar-se um caso sério de luvas em riste.

Pena foi que, para o SCE, o golo da vitória não tenha sido alcançado. Apesar dos da Barrinha manterem o seu 5º lugar na classificação, estão agora a 4 pontos do novo líder, Lusitânia de Lourosa, e não aproveitaram os empates de Lamas, S. João de Ver e Beira-Mar. Este é um Campeonato Safina cada vez mais competitivo e onde todos podem perder ou ganhar pontos nos campos mais improváveis.

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as entrevistas aos técnicos:

Narciso Ratinho – Treinador do SC Esmoriz

 

Carlos Manuel – Treinador do FC Pampilhosa

 

Na rota do Esmoriz aparece, já no próximo domingo, o CD Estarreja. Um desafio de dificuldade elevada e na casa de um adversário que aponta claramente à subida de divisão. Ainda assim, o objetivo esmorizense passa por alcançar a terceira vitória fora na presente época e ultrapassar os 20 pontos na tabela ao cabo de 10 jornadas.

 


Fotos: Pedro Silva
Texto: Pedro Silva

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