Taça de Portugal: Ovarense de primeira avança para a terceira

Por em 29/11/2017

A pergunta começa a impor-se: quem parará esta equipa feminina da Ovarense? Jogo após jogo, no meio de duas competições, as atletas de Paulo Campino continuam a ultrapassar adversários e apenas conhecem o sabor da vitória na presente temporada. No seu último desafio, em jogo de 2ª eliminatória de Taça de Portugal, as alvinegras deslocaram-se ao reduto do FC Pedras Rubras para carimbar um 3 x 0 seguro que lhes garantiu o passaporte para a ronda seguinte da prova.

Rute Silva e Betinha, uma com um golo de antologia e a outra com um bis pleno de oportunismo, encarregaram-se de colocar as «pedras» no sítio e deixaram as adversárias «rubras» de frustração face a uma evidente impotência para travar o poderio atacante da ADO. Mas esta foi também uma partida onde as Marianas, Campino e Almeida, se apresentaram a grande nível e ajudaram a abrilhantar a exibição vareira, tanto no ataque como no setor mais recuado.

Em dia de aniversário, Paulo Campino queria a cereja no topo do seu próprio bolo e, aproveitando a festa da Taça para o conseguir, lançou um onze com o seu habitual 4x3x3 no Municipal de Pedras Rubras. Assim, Lara Sousa, Sónia Silva (cap.), Adriana, Joana Pinho, Mariana Campino, Mariana Almeida, Bruna Gomes, Joana Gomes, Jordão, Rute Silva e Soares foram as escolhidas para enfrentar um Pedras Rubras que é apenas 5º na Série A do Campeonato de Promoção – a mesma divisão da ADO. Podia, por isso, falar-se de algum favoritismo para a Ovarense.

Confirmando isso mesmo, as vareiras entraram com gás na partida. Rebatendo o frio que se abatia sobre uma bancada praticamente vazia e um sintético de bom estado num entardecer que cheirava a inverno, a Ovarense tentou tomar a iniciativa de jogo e dominou por completo a primeira meia hora do encontro. A ponta de lança Soares foi das mais ativas nesta fase e teve nos seus pés os melhores lances de perigo junto à baliza da guarda redes local, Jéssica Guerra.

Aos 20′, a camisola 9 alvinegra apareceu na cara do golo e, com a bola a pingar, tentou o chapéu. O bonito de Soares saiu imperfeito e a redondinha passou ao lado. Algo que se repetiu quando, menos de 10 minutos depois, a mesma jogadora procurou a sorte e, mais uma vez, não foi feliz no disparo. Mesmo assim, o voluntarismo de Soares deixava a nu algumas das debilidades defensivas do Pedras Rubras e abria espaço a Jordão e a Rute Silva para que estas pudessem brilhar a partir das alas.

E foi precisamente assim que, aos 38 minutos, a Ovarense chegou ao golo inaugural da partida. Lançada na esquerda, Rute Silva tirou a varinha de condão do bolso e, quase sem ângulo, fez um truque de magia, sacando um enorme coelho da cartola. Um tento que merecia ser emoldurado e que deixou a pobre Jéssica Guerra presa ao relvado, sem qualquer hipótese.

Os festejos não podiam ter sido mais efusivos e Rute Silva fez questão de correr meio campo para a dedicatória e o abraço ao seu treinador. Um gesto que caiu bem na assistência e que revela o espírito que se vive no balneário da família Ovarense. «Que rico presente», deverá ter pensado Paulo Campino.

Porém, os minutos que se seguiram não foram de tranquilidade para o técnico da Ovarense. O Pedra Rubras cresceu no encontro e lançou-se no ataque à procura do empate. Bem perto do intervalo, as da casa podiam mesmo tê-lo conseguido caso não fosse a «bombeira» de serviço, Joana Pinho, a tirar um golo cantado a Jenny quando a bola já estava em cima da linha de baliza.

Jenny, a jogadora mais atacante do Pedras Rubras, foi mesmo uma autêntica dor de cabeça para as defensoras da Ovarense e, já no segundo tempo, foram precisos esforços redobrados para a travar. Mesmo sem grandes apoios, quando aparecia com a bola dominada, conseguia criar o caos nas adversárias e até Mariana Campino foi obrigada, por diversas vezes, a aparecer no corredor central para ajudar. Algo que abriu espaço à extremo Filipa que, no seu flanco, também mostrava lampejos de qualidade.

A Ovarense sofria com a vantagem mínima e, mesmo com uma Betinha fresca no ataque (entrou aos 50′), a equipa era empurrada para trás. Diana Gonçalves, outra das lançadas a partir do banco, fez parelha com Mariana Almeida no estanque do meio campo. Mas foi mesmo Almeida quem brilhou nesta fase ao correr quilómetros e quilómetros e, inclusivamente, sendo um excelente exemplo do que é defender com pressão alta na saída de bola contrária. Pressão essa que, finalmente, traria dividendos aos 83 minutos.

Numa altura em que o Pedras Rubras já atacava com muitas e defendia com poucas, a guardiã Jéssica Guerra teve uma abordagem errada fora da sua grande área e, depois do aperto da «chata» Mariana Almeida, deixou a bola à mercê de Betinha. Esta, que até estava sem inspiração até ao momento, agradeceu a fífia e, a 20 e tal metros das redes, não perdeu tempo, atirando a contar. 0 x 2 no encontro e, já na reta final, a Ovarense atingia a tranquilidade.

«Betigol» viria mesmo a marcar o seu segundo no jogo e o terceiro da Ovarense. A defesa maiata afundava-se cada vez mais e a ponta de lança vareira aproveitou nova falha de uma adversária para recolher o esférico no coração da área e atirar de pé esquerdo para a malha lateral da baliza. Isto, já em cima do tempo de compensação e num fim de festa que se pintou de preto e branco.

A Ovarense venceu com toda a justiça, ainda que talvez o tenha feito com um marcador demasiado avolumado. Algo que não deixa de ser um prémio para o coração vareiro que pouco tremeu na hora de defender e que soube matar o encontro quando este começava a tornar-se perigoso demais.

Ao estilo de Paulo Campino – que até o salienta aos microfones da AVfm – esta é uma equipa virada para o ataque. Atração que se compreende quando este plantel tem uma Rute Silva endiabrada desde o primeiro dia da temporada e uma Betinha que, como neste jogo, mostra perspicácia na finalização e atributos técnicos que só podem condizer com a Liga Allianz.

E por falar no escalão principal do futebol feminino português, a Ovarense avança para a 3ª ronda da Taça de Portugal onde entrarão… as equipas de primeira! À saída do estádio já se pedia, à boca grande, um Marques da Silva a receber um Ovarense x Sporting. A acontecer, tornar-se-ia o jogo mais especial da jovem história desta secção feminina da ADO e, obviamente, o regresso a Ovar de um dos grandes do futebol português.

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as entrevistas aos técnicos:

  • Paulo Campino – Treinador da AD Ovarense

 

  • Rui Magalhães – Treinador do FC Pedras Rubras

 

Vale a pena sonhar. Resta esperar pelo sorteio…

 


Fotos: Direitos Reservados
Texto: Pedro Silva

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