Dia 5: irreverência de Mr Gallini, ousadia de GERMANO e Luís Severo como a cereja no palco da Casa do Povo

Na entrada para o penúltimo dia do NOVO, o cartaz mantinha «cativos» 67% dos artistas, razão pela qual muito ainda havia a oferecer nesta Mostra da Nova Música Portuguesa.

O dia começou com a segunda ida à Gaby – A Minha Casa, para nova sessão de cinema a partir das 17h. As quatro curtas-metragens da Antena 3, que compõem o documentário «Fios Bem Ligados», repetiram-se para os que não tiveram oportunidade de assistir no dia anterior.

Novamente, o realizador Eduardo Morais entrou em diálogo com os espetadores presentes, usando a sétima arte e os seus entrevistados e protagonistas para falar sobre os meandros da música em Portugal.

Ao segundo take de cinema na Gaby, que se prolongou até perto das 21h, sucedeu o concerto de Mr. Gallini no Gharb al-Ândalus.

Não foi preciso perguntar duas vezes para descobrir ao que vinha o projeto de Bruno Monteiro, ele que também é baterista da banda de rock Stone Dead. A partir das 22h, perante casa cheia (um habitué do NOVO), não se fartou de distribuir energia, irreverência e uma febre de criatividade com a sua música. Cada acorde saído da guitarra tinha direito a companhia vinda das maracas nos pés de Mr Gallini, favorecendo um espetáculo acústico onde não faltaram aplausos e sorrisos no rosto.

A primeira atuação da noite durou pouco mais de 40 minutos. Soube a pouco, o público pediu «mais uma», lá conseguiu, mas depois teve mesmo de se contentar com esta «mostra».

 

Concerto: Mr Gallini

Entrevista a Mr Gallini:

 

À espera de entrar em cena estava GERMANO, cujo concerto ficara agendado para as 23h, no Pedras Bar. O magnetismo do NOVO atraiu nova maré de gente para o local, onde, sem atrasos,  a voz de Carla Lopes se vez ouvir.

Com a banda a acompanhar o projeto da artista nesta que foi uma das primeiras vezes em que apresentou GERMANO ao vivo, o momento serviu como um elixir de rock alternativo, descomplexado e sem medo de experimentalismos. A verdade é que nos deixámos mergulhar nesta corrente de ousadia e na capacidade de Carla Lopes em se reinventar.

 

Entrevista a GERMANO:

 

Até aqui, estavam concluídos dois terços da oferta musical. O número de público ia aumentando enquanto os interessados se deslocavam de um espetáculo para o outro e faltava um último momento de magia numa noite que se foi tornando cada vez mais especial.

A Casa do Povo ia partilhando com Luís Severo os últimos momentos de solidão antes de, à meia-noite, ambos serem protagonistas do encerramento do 5º dia de NOVO.

Quando todos chegaram à base do festival, não tardou a que o auditório se enchesse para ouvir mais um valor emergente da música portuguesa. Uns em pé, a maioria sentada, todos se preparavam para ouvir o autor do álbum «Cara D’Anjo».

As expetativas não foram defraudadas. Num estilo livre, franco e despido de preconceitos, Luís Severo soube polvilhar a Casa do Povo com o toque acústico de melodias serenas, de mãos dadas com letras arrojadas e provocantes.

 

Concerto: Luís Severo

Entrevista a Luís Severo:

 

A temperatura na sala da Casa do Povo foi subindo, não só pela densidade de público, mas também porque a música de Luís Severo nos foi aquecendo e afagando durante um concerto intimista e bem agradável.

São momentos assim que fazem a Mostra da Nova Música Portuguesa valer a pena… Ou certamente foi isso que a rádio AVfm ficou a pensar depois de ver toda a gente ir embora satisfeita.

 


Foto: Diogo Marques
Texto: Ricardo Marques