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O Pão de Ló de Ovar é ainda melhor quando genuíno. Saiba onde comprar o Original

Escrito por em 10/12/2025

O Pão de Ló de Ovar continua a afirmar-se como o grande ex-líbris gastronómico do concelho, sendo presença obrigatória em qualquer mesa festiva e um dos mais reconhecidos cartões de visita da região. Versátil, harmoniza com queijo da serra, vinho do Porto e inúmeras outras combinações, mantendo intacto o seu estatuto de referência.

A reputação internacional também não para de crescer, tendo conquistado a 1.ª posição no ranking mundial de doces do “TasteAtlas”. Um feito que reforça ainda mais o prestígio desta iguaria portuguesa, apreciada tanto por especialistas como por visitantes.

As origens do doce remontam à tradição conventual. A exigência de muitas gemas por exemplar sugere que as claras eram reservadas para outras funções nos conventos, desde engomar hábitos religiosos até à clarificação de vinho ou ao fabrico de hóstias. A receita, como a maioria das variantes nacionais, utiliza apenas ovos, açúcar e farinha, mas distingue-se por recorrer a farinha sem fermento e pela eventual adição de sal.

A confeção tradicional exigia tempo e mãos experientes: a massa era batida manualmente durante cerca de duas horas, num ritual familiar que atravessava gerações. Esta ligação à partilha e ao convívio, aliada ao peso das tradições religiosas, ajuda a explicar a forte presença do doce em épocas festivas. Os primeiros registos datam de 1781, quando o Padre Lírio oferecia o bolo a quem transportava os andores nas procissões da Quaresma.

O ponto mais desafiante continua a ser o forno, cuja humidade define a textura cremosa que distingue o Pão de Ló de Ovar. Ainda assim, os produtores garantem: “Não há segredos, há técnica e o saber ancestral que nos foi transmitido”.

Para proteger este património, a iguaria conta hoje com certificação oficial e um rigoroso caderno de especificações que preserva a autenticidade da sua produção:

  • o papel utilizado é papel almaço e a sua gramagem pode variar entre 80 e 120g;
  • as formas são de barro, vermelho ou preto. O barro vermelho encontra-se na nossa região, o preto encontra-se em Trás-os-Montes ou em Molelos (Viseu);
  • os ovos são originários da região demarcada entre Ovar e Sever do Vouga. Nesta zona, que cobre todo o distrito de Aveiro, o valor do pigmento incluído na ração das galinhas, atinge o valor mais elevado que é permitido, conferindo-lhe uma cor mais amarela do que no resto do país;
  • a forma de papel possuí as 4 pregas para abrir, o corte no topo tem que ser picotado, em ziguezague e o Pão de Ló tem de ser amarrado.

Estes e outros aspetos permitem ao consumidor distinguir um Pão de Ló de Ovar de um produtor certificado das imitações que vão surgindo no mercado.

A iguaria é produzida ao longo de todo o ano, aumentando consideravelmente a procura nas épocas festivas. Para não correr o risco de ficar sem Pão de Ló de Ovar neste Natal, reserve com antecedência nos estabelecimentos certificados pela Associação de Produtores de Pão de Ló de Ovar (APPO), identificados com uma bandeirola:


Fotos: APPO
Texto: Irina Silva

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