A Ler É Que A Gente Se Ouve | 10 Fev 2020

Carlos Nuno Oliveira

 

Programa: A Ler É Que A Gente Se Ouve

De: Carlos Nuno Oliveira

Emissão: 10 Fev 2020

Descrição: Quando o mundo avança sobre a copa de um livro, o tempo faz pausas porque é a ler que a gente se ouve. E assim começa a história.

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (Porto, 6 de setembro de 1904 — Porto, 5 de março de 1984) foi um poeta, professor e folclorista português. De raízes minhotas, era filho de António Homem de Mello de Macedo e de sua mulher, Maria do Pilar da Cunha Pimentel Homem de Vasconcelos, além de sobrinho de Manuel Homem de Mello da Câmara, 1.º Conde de Águeda. O seu pai pertenceu ao círculo íntimo do poeta António Nobre. Criado numa família que lhe incutiu ideais monárquicos, católicos e conservadores, as raízes do seu lirismo bem português mergulham na própria vivência íntima e na profunda sintonia com o povo, cuja alma se lhe abria através do folclore, tendo por cenário a paisagem do Minho. Iniciou o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, acabando por se licenciar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1926. Tendo iniciado a sua carreira como advogado, otpou posteriormente por se dedicar ao ensino do Português em escolas técnicas do Porto (Mouzinho da Silveira e Infante D. Henrique), tendo sido diretor da Mouzinho da Silveira. Poeta da Presença, em cuja revista colaborou, foi também colaborador das revistas Altura (1945) e Prisma (1936-1941), no semanário Mundo Literário (1946-1948) e na revista Litoral (1944-1945). Apesar de reconhecida por numerosos críticos, a sua vasta obra poética, eivada de um lirismo puro e pagão, claramente influenciada por António Botto e Federico García Lorca, está injustamente votada ao esquecimento. Não obstante, permanecem até hoje muito populares os seus poemas cantados Povo que Lavas no Rio e Havemos de Ir a Viana, imortalizados na voz Amália Rodrigues, e O Rapaz da Camisola Verde, já interpretado por Amália Rodrigues, Frei Hermano da Câmara ou Sérgio Godinho. Entusiástico e estudioso do folclore português, dedicou a este campo diversos ensaios como A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português, Danças Portuguesas e Danças de Portugal, além de um programa na RTP. Nesse âmbito chegou a criar e a patrocinar alguns ranchos folclóricos do Minho e colaborou com o Orfeão Universitário do Porto no âmbito de recolhas etnográficas para os seus grupos folclóricos. Foi membro dos júris dos prémios do Secretariado da Propaganda Nacional. Afife (Viana do Castelo) foi a sua terra de adoção. Ali viveu durante anos num local paradisíaco, no Convento de Cabanas, junto ao rio com o mesmo nome, onde escreveu parte da sua obra, “cantando” os costumes e as tradições de Afife e da Serra de Arga. A Câmara Municipal de Lisboa homenageou o poeta dando o seu nome a uma rua em Chelas. A 24 de agosto de 1985, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.


Publicação: Catarina Pereira
Foto(s): Direitos reservados




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