Mi-Fá-Dó-Sol | 01 Mai 2019

Carlos Reis e Dino Marques

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 01 Mai 2019

Artista em Destaque:Cidália Moreira

Cidália do Carmo Moreira nasceu no Algarve, na cidade de Olhão em 1944. A sua infância é preenchida por música e dança, e embora tenha perdido a mãe muito nova é por sua influência que ganha o gosto por estas representações
De pele morena e cabelos muito compridos, não tardou a que a apelidassem de “A Cigana do Fado”.
A sua família, ligada intimamente ao flamengo, (estilo musical e um tipo de dança fortemente influenciado pela cultura cigana, mas que tem raízes mais profundas na cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus) nunca lhe negou o fado e assim Cidália desde cedo assumiu a sua paixão pelo canto e pela dança e apresentava-se nas festas da sua escola, onde se sobressaía, tal como também nas patuscadas a que o pai, primo direito de Casimiro Ramos, a levava, onde cantava para mais público tornando-se aos 7 anos de idade vocalista de um conjunto de animação de bailes, no qual se manteve até aos 14 anos.
Aos 17 anos de idade vem sozinha para Lisboa na perspetiva de concretizar um dos sonhos da sua vida, dando começo a uma carreira artística. Após ultrapassar um período mais delicado na sua vida, Cidália Moreira estreia-se na casa típica A Viela integrando o elenco da casa dessa época, que contava com Beatriz Ferreira, Beatriz da Conceição e Berta Cardoso, ao que se segue mais tarde a sua presença no elenco do Restaurante Luso, sobressaindo pela garra e envolvência a cantar, e também pela dramatização.
Na década de 70 Cidália parte numa digressão (turnê) na Alemanha, onde, num castelo romântico nos arredores de Hamburgo, obteve vasto êxito.
Já nesse tempo inicia uma produção discográfica intensa, gravando vários discos.
Empreende-se então, a convite de várias instituições estrangeiras, em digressões que a levaram à França, Espanha, África do Sul, EUA e Canadá. Teve também êxito no Brasil, onde permaneceu quatro anos.
Para celebrar o primeiro aniversário do Museu do Fado, em 25 de Setembro de 1999, Cidália Moreira juntou-se a inúmeros artistas para um espetáculo de fado que decorreu no Largo do Chafariz de Dentro.
No decorrer das “Festas de Lisboa 2004”, nomeadamente no programa da “Festa do Fado”, Cidália Moreira integrou o espetáculo temático intitulado “As Grandes Testemunhas”, ao lado de Beatriz da Conceição, João Ferreira-Rosa e Vicente da Câmara, e que teve lugar no Grande Auditório do CCB, em 11 de Junho de 2004.
É digno de registo, a participação de Cidália Moreira em vários elencos do Teatro de Revista, particularmente na década de 70, com destaque para as produções, “Até Parece Mentira” (1974) e “Alto e Pára o Baile” (1977), entre muitas outras das quais ainda se destacam Cá Vamos Cantando e Rindo, Ora Bolas P´ró Pagode e Força, Força Camarada Zé.
No teatro ABC canta, numa dessas revistas, um dos seus maiores êxitos Lisboa meu amor, que nunca chegou a ser gravado em disco. Fado errado também foi um dos seus grandes êxitos. Odisseia no Parque 2005 foi a sua última revista no Teatro Maria Vitória.
São também incontáveis os programas televisivos em que Cidália Moreira atuou.
Nunca se afastando dos grandes palcos e numa constante procura de renovação artística, em 11 de Novembro de 2006, Cidália Moreira juntou-se ao elenco do espetáculo de Fado e Flamengo “Tablao do Fado”, da Companhia de Dança Amalgama. Nesta iniciativa única, exalta-se toda a emoção das duas artes que se “fundem num cenário intimista.”
Em 2008, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, e no decorrer de uma iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, organizou-se entre os dias 11 a 18 de Outubro, a Semana Intercultural do Projeto Escolhas Vivas, na qual Cidália Moreira se apresentou em concerto no dia 11 de Outubro.
Em todos os momentos de atuação Cidália Moreira revela-se uma artista singular, com um estilo de interpretação único, pautado pela garra que sempre a caracterizou. Nos palcos das principais cidades de todo o mundo, estabelece um forte elo comunicativo com as comunidades portuguesas aí residentes.
Cidália Moreira, tem percorrido todo um caminho pautado pelo sucesso. Com inúmeras gravações em formato EP, LP e CD, revisita autores consagrados, casos de Frederico Valério em “Primeiro Amor” Martinho d´Assunção em “Balada Para Uma Velhinha” e Moniz Pereira em “Valeu a Pena”.
Finalizamos esta biografia com as palavras de Carlos Albino Guerreiro, retiradas da página pessoal de Cidália Moreira: “Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer em cuja voz transparece a dor nos fados mais sofridos, ou a brejeirice em fados mais alegres”.

Playlist:

Cidália Moreira – Balada para uma velhinha
Cidália Moreira – Duas Glórias
Cidália Moreira – Fado Errado
Cidália Moreira – Fado Freira
Cidália Moreira – Foi Na Travessa da Palha
Cidália Moreira – Maria madalena
Cidália Moreira – Mulher guitarra
Cidália Moreira – O meu primeiro amor
Cidália Moreira – Sardinhada
Cidália Moreira – Sou companheira do vento
Cidália Moreira – Sou Tua
Cidália Moreira – Quando contigo vivi
Cidália Moreira – Fiz do fado a minha sorte
Cidália Moreira – Amar, amar
Cidália Moreira – Eu vivo melhor assim




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