Mi-Fá-Dó-Sol | 02 Out 2019

Carlos Reis e Dino Marques

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 02 Out 2019

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: José Castro

Nascido na Freguesia de Santo Ildefonso na cidade do Porto em 22.10.57 é sem dúvida, uma presença incontornável do fado.

Com um vastíssimo curriculum fadista a todos os níveis, atuando nas mais conceituadas casas de fado espalhadas pelo País e com inúmeras digressões além-fronteiras, nomeadamente nos Estados Unidos, Luxemburgo, Bélgica, Suíça e tantos outros Países, homenageado por diversas vezes, por várias entidades e instituições, acrescido a tudo isso a grandiosidade dos seus poemas, tantas vezes usados por grandes fadistas, bem como, o imenso contributo que dá para a divulgação do fado, através dos seus Blogues *FADOS do FADO* e *MÚSICAS TRADICIONAIS de FADO* na página “Portal do Fado”, está hoje aqui connosco na Rádio Antena Vareira “AVFM” 98.7.

Estamos a falar de alguém que faz do fado a sua religião, falamos do grande fadista, poeta e letrista José Fernandes Castro.
Obrigado José Fernandes Castro em meu nome pessoal e do Carlos Reis, como também da Direção da Antena Vareira por ter aceitado o nosso convite e nos dar a honra de aqui estar neste nosso programa MI-FÁ-DÓ-SOL um programa todo ele dedicado aquilo que tanto gostamos e que é o fado. 

Começou pela música ligeira como artista de variedades e foi pela mão do guitarrista Acácio Gomes que teve o seu primeiro contacto com o fado. A partir daí as suas deambulações pelos recantos fadistas tornaram-se um ritual de fim-de-semana.
Decorria o ano de 1980, quando, pela mão do consagrado poeta António Torre da Guia fez a sua estreia nas casas de fado.

Faz a estreia na extinta CAVE do FADO na sua cidade natal, passando a integrar o elenco privativo da mesma, do qual faziam parte, as fadistas Adelaide Madrugada, Alma Rosa e América Rosa, acompanhados pelo consagrado Alvaro Martins (guitarrista) e o violista Angelo Jorge.

Em 1982, a convite do empresário Joaquim Martins, é convidado para integrar o elenco da Casa da Mariquinhas, juntando-se às vozes de Aurora Pinto, Almerinda Azevedo e Tony Quim, tendo como músicos o guitarrista Carlos Moreira e o violista João Cruz. Entretanto, deixa as casas de fado para trás e passa a representar a Livraria LELLO & IRMÃO como vendedor através da CREDILELLO, onde se manteve durante 11 anos sem nunca abdicar do fado, passando a realizar espectáculos nos mais diversos recantos fadistas.

De vez em quando voltava às casas de fado, registando passagens pela Cave do Fado, Solar das Caves, Candeia, Cozinha Real do Fado, Cantinho da Teresinha, Mal Cozinhado, etc…

Entre 1987 e 1993, ao serviço da Credilello faz várias deslocações ao estrangeiro aproveitando para acentuar a sua veia fadista, o que o levou a actuar nos seguintes locais:

USA  – Para comemorar mais um aniversário do Clube Português de Ludlow, onde foi carinhosamente recebido, aproveitando para promover o seu trabalho discográfico com o título genérico “Paixão de Mel” tendo Eduardo Jorge e Angelo Jorge como musicos.

Luxemburgo  – Restaurante Arcadas com Leonor Santos, José Augusto, Pedro Simões e Américo Rezende

Bélgica – Restaurante O Barril” com Ana de Carvalho, José do Carmo, José Manuel Neto e António Proença

Suíça  – Café Lisboa – com Fernando Figueiredo, Lina Santos, Virgílio Franco e Carlos Nogueira, entre outros

Aceitando o convite de José Pereira, quedou-se pelo Café Lisboa onde, juntamente com José Lopes “Zézito” criou o “Duo Cintilante” e passou a fazer animação nocturna conciliando a música ligeira com o Fado. Emprestou a voz e o talento poético a dois trabalhos discográficos do DUO CINTILANTE com os títulos Cancão da Cinderela e Sinfonia de Magia.

Entretanto grava o seu 2° trabalho discográfico com o título genérico “Coração de Portugal” voltando a contar com Eduardo Jorge e Angelo Jorge como músicos em 1987 regressa a Portugal passando a conciliar o fado com diversas actividades profissionais, nomeadamente na área da publicidade ao serviço do jornalismo local. Publicou pontualmente alguns artigos nos jornais “O Portucalense” e “Gazeta Lusófona” na Suiça e também nos jornais “Notícias de Ermesinde” e “Voz de Rio Tinto” e Povo de Portugal.

2003 é o ano de mudança radical, parte para Genéve / Suiça encetando uma activade profissional na área da hotelaria, mas nunca abdicando da sua carreira enquanto cantor, passando a efectuar espectáculos para a comunidade portuguesa.
Desempenha um papel relevante na abertura do restaurante PAINEL do FADO na linda cidade de Genéve na Suíça.

Em 2006 re-entra em estúdio para gravar o albúm “Setembro, jardim das palavras” sendo acompanhado pelos músicos Samuel Cabral “guitarra”, Angelo Jorge “viola” e Hugo Carvalhais “contra-baixo”.
Em Julho de 2007, pela mão de Jorge Filipe, inicia uma modesta actividade radiofónica dedicada em prol do fado. Com os programas semanais BOCAS do FADO e da POESIA que teve início na extinta Rádio Camões e depois com continuidade na RÁDIO ALMA LUSA.

 Sempre no sentido de servir o fado, criou em 2008 os blogues *FADOS do FADO* e *MÚSICAS TRADICIONAIS de FADO* com o objetivo de homenagear autores, compositores, intérpretes, etc.

Sou, por natureza, uma pessoa humilde e desprovida de vaidade, até porque pouco ou nada tenho de mérito para que assim não seja, mas confesso que existe em mim um ego que gosta de ser alimentado com palavras, com gestos e com algum reconhecimento pelo empenho que coloco em tudo o que faço na área da poesia popular e do fado.

Em 2017 editou finalmente o seu livro de poemas com o título *SETEMBRO, JARDIM DO AMOR*.

Prefaciado pelo poeta FERNANDO CAMPOS DE CASTRO e editado por DANIEL GOUVEIA foi apresentado ao público a 20.12.2017 no auditório do MUSEU DO FADO e a 29.12.2017 no auditório da JUNTA DE FREGUESIA DE CAMPANHÃ.

Citando duas afirmações suas:
“os valores da civilidade me formaram fazendo de mim um cidadão orgulhoso e grato “.
“ a importãncia das coisas boas da vida vai, seguramente, ser religiosamente guardado na gaveta da minha sensibilidade “.

Na sua Biografia, que tive o cuidado de a ler, diz-nos, que existem no manual do seu funcionamento social, três instituições que sempre o orientaram, o nortearam e o ajudaram a chegar até aqui e passo a citar:

 A famíla de sangue  – a quem devo o que sou
A família do fado – a quem devo parte do que sou
Os amigos da vida – a quem muito devo

 Estas três instituições, são e serão o baluarte onde me refugiarei sempre que os ventos da mudança soprem na minha estabilidade.
Contarei sempre com o apoio dos que me querem ver sorrir e farei, com o meu sorriso, um foco de luz para iluminar a estrada do futuro.

Refere-se nesses três pilares base da sua personalidade também à família de sangue afirmando “ a quem deve tudo o que é “Marta é certamente um nome que lhe diz muito, um nome que sempre que o ouve lhe desperta os sentidos mais intimos do seu coração, pois não fosse ele o nome possivelmente da pessoa (digo eu) que mais ama na vida, possivelmente mais do que a si próprio.

Peço-lhe se não se importar, que declame um poema seu, que já o li vezes sem conta, porque é de facto apenas e só “maravilhoso” e que tomei a liberdade de o trazer comigo.



Publicação:
Catarina Pereira
Foto(s): Direitos reservados




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