Mi-Fá-Dó-Sol | 03 Jul 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 03 Jul 2019

Artista em Destaque: Tony de Matos

António Maria de Matos conhecido por todos os Portugueses por TONY DE MATOS foi uma das vozes mais proeminentes e populares no mundo da canção portuguesa, filho de António Júlio de Matos e da atriz Mila Graça nasceu em 28 de Setembro de 1924 no Bairro das Fontainhas, no Porto. Vive até aos 5 anos nesta cidade, altura em que a sua mãe passa a integrar a Companhia de Teatro itinerante de Rafael de Oliveira.
Tony, como era tratado por todos, começa cedo a pisar os palcos e passa grande parte da sua infância e adolescência, de cidade em cidade. A sua educação artística foi feita nesta mesma Companhia, à qual pertenceu para além da sua mãe, o ator Afonso de Matos, diretor artístico do Teatro Desmontável.
Aos 13 anos estreia-se como ponto e começa a cantar nos atos de variedades, os «Fim de Festa», com que habitualmente terminavam muitos dos espetáculos das companhias de província.
Em 1938, quando esta companhia se encontrava instalada em Santa Comba Dão (Beira Alta), o jornal local, o Beira Dão relatou a noite de apoteose com que o jovem Tony (14 anos) deliciou a assistência com a sua voz, cantando fado de Coimbra, acompanhado por músicos amadores locais.
Curiosamente os seus Pais queriam-no afastado da vida artística e aprende o ofício de barbeiro.
O desejo de cantar fá-lo rumar até Lisboa, onde, paralelamente, se emprega na Comissão Reguladora das Moagens de Ramas. Tony de Matos é recusado, por duas vezes, no concurso de admissão à Emissora Nacional, mas com a interpretação dos temas “Se Eu Morrer Amanhã” e “Noite de Luar” é finalmente aprovado em 1945 mas que abandona rapidamente.
Três anos mais tarde, num regresso à Companhia de Teatro, e em noite de exibição numa das muitas Verbenas, desta feita no Atlético, Tony canta alguns temas do repertório de Alberto Ribeiro e, naturalmente, impressiona quem o ouve. Júlio Peres é, nessa data, diretor artístico do recinto e logo o convida para se apresentar no Café Luso, casa onde é de imediato contratado para integrar o elenco surpreendendo quem o ouve e onde permanecerá durante dois anos, recebendo 50 escudos por noite. É nesta altura que Tony de Matos, com 23 anos, se profissionaliza, num “ambiente puramente fadista”, facto que justifica, em entrevista, dizendo: “também sou fadista a meu modo porque, como sabe, entre os meus números de mais agrado encontram-se alguns de fado-canção…”
Logo a abrir a década de 50, Tony de Matos é convidado por Manuel Simões a gravar o primeiro disco, em Madrid, de onde se destaca o tema “Cartas de Amor”, um estrondoso sucesso na rádio. Outros sucessos desta altura são “Trovador”, “Ao Menos Uma Vez” e “A Lenda das Algas”.
No regresso a Portugal é convidado a filmar o documentário “Almourol”, realizado por Fernando Garcia.
Tony de Matos alcança grande popularidade quando integra a programação da APA (Agência de Publicidade Artística) e o “Comboio das Seis e Meia”, com os quais percorre todo o país, em inúmeros espetáculos. São os temas românticos que passam a marcar todo o seu percurso artístico.
Tony de Matos é então dos artistas mais destacados da época e passa a ser solicitado em todo o mundo para espetáculos e digressões, que passam pelas ilhas dos Açores e Madeira, e por países como Espanha, Itália, São Tomé, Angola, Moçambique, África do Sul, Congo, Rodésia, Goa, Líbano, Iraque, Egipto, Turquia, entre outros.
Em 1952 Tony de Matos estreia-se no teatro de revista em Cantigas ó Rosa, ao lado de Eugénio Salvador, Helga Liné, Humberto Madeira e Teresa Gomes.
Data de 1953 a sua estreia no teatro de revista, primeiro no elenco de “Cantigas Ó Rosa”, a que se segue a peça “Saias Curtas”, onde faz um dueto com Maria José da Guia.
Em finais desse mesmo ano, e graças ao sucesso alcançado até então, surge o convite de empresário Mangioni para uma temporada no Brasil. Para além de se apresentar em programas de televisão e rádio, Tony de Matos é contratado para atuar nas casas: Oásis, Lord e Esplanada. Permanece no Brasil e pelo dobro do tempo, um contrato inicial de 3 meses gravando 4 discos de 78 RPM, onde revela um novo êxito, o tema “Rosinha dos Limões”.
Regressa a Lisboa por apenas um mês e volta ao Brasil, a bordo da “Santa Maria”, para uma visita às cidades do Rio de Janeiro e Santos. Em entrevista, Tony de Matos revela: “Contratos não faltam, felizmente. O público do país irmão tem-me acarinhado de tal maneira que eu no Rio ou em São Paulo, estou como em minha casa!”
Depois de percorrer vários continentes faz, em 1957, nova viagem de regresso ao Brasil, onde ficará por seis anos. Tony de Matos, entretanto casado com a cantora Maria Sidónio, abre com ela, em Copacabana, o restaurante “O Fado”, em 1959 onde Tony de Matos continua com apresentações na rádio e televisão brasileiras, com destaque para a TV Rio, TV Tupi, Rádio Nacional e Clube 36.

Playlist:

Tony de Matos – Eu tão só
Tony de Matos – Agora Choro a vontade
Tony de Matos – Caminhamos Sós
Tony de Matos – Cartas de amor
Tony de Matos – Coimbra
Tony de Matos – Confesso
Tony de Matos – De homem para homem
Tony de Matos – Destino marca a hora
Tony de Matos – Estranha Forma de Vida
Tony de Matos – Lado a lado
Tony de Matos – Fiz leilão de mim
Tony de Matos – Lisboa a Noite
Tony de Matos – Fado Cesária
Tony de Matos – Nossas penas
Tony de Matos – Procuro e não te encontro
Tony de Matos – Silêncio meu coração




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