Mi-Fá-Dó-Sol | 4 Mar 2020

Carlos Reis e Dino Marques

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 4 Mar 2020

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: Gisela João

 

Gisela João é natural de Barcelos, nasceu a 6 de Novembro de 1983 e é uma fadista portuguesa da nova geração. Sendo a mais velha de 7 irmãos, de uma família ligada pelo trabalho à indústria têxtil, teve, ainda em criança, o primeiro contacto com o Fado através da rádio e começou logo a cantá-lo. Primeiro para a família, depois para os amigos e vizinhos e finalmente em concursos locais.Com 16/17 anos, Gisela foi cantar para a “Adega Lusitana”, em Barcelos.Quis estudar design de moda, mudou-se para o Porto onde viveu seis anos acabou no circuito boémio da Invicta, a “encantar” numa casa de Fados da Ribeira e partiu para Lisboa para fazer História acabando por desaguar na Mouraria.

Numa pequena casa “emprestada” na Mouraria debateu-se com o peso imenso da solidão, pensou várias vezes em desistir, mas resistiu, e foi aí que a miúda franzina de voz rouca e poderosa, começou a mostrar ao resto do mundo aquilo que ela mesma diz, nas últimas palavras da última música do seu primeiro disco: “Não é fadista quem quer, mas sim quem nasceu fadista”.

Conquistou o Sr. Vinho, a Tasca da Bela, a Mesa de Frades, para depois encher a Fábrica do Braço de Prata, o Lux e mais recentemente, uma pequena legião de fãs esgotou o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém duas semanas antes do espetáculo e mais tarde o teatro São Luiz. A sua voz grave e poderosa, a forma como se entrega às palavras, como permite que dominem a sua prestação, mostram que não é apenas mais uma e Camané proclama-a a grande aposta do momento.

A constante presença de Gisela em palcos nacionais e internacionais, bem como as suas atuações eletrizantes, foram determinantes para Gisela consagrar-se entre os demais intérpretes e gigantes da música portuguesa, apresentando um Fado contemporâneo sem desvios nem artifícios, que parte duma formação tradicional e mergulha na sua génese, reencontra a sua autenticidade, questiona os seus excessos e maneirismos, para se tornar por fim, incrivelmente genuíno.

Gisela João é sem dúvida uma das vozes arrebatadoras do panorama do fado, por isso é já uma figura central e uma das mais importantes intérpretes da música portuguesa da atualidade, tendo já sido laureada com inúmeros prémios, com destaque para os prémios Blitz, Time Out, Expresso e o Globo de Ouro para Melhor Intérprete Nacional. Miguel Esteves Cardoso disse: “Amália Rodrigues foi a grande fadista do século XX. (…) Sei e sinto, com a mesma força, que Gisela João é a grande fadista do século XXI.” E quem somos nós para o negar?

Em 2008 gravou o seu primeiro álbum a solo “O Meu Fado” e em 2009 gravou um álbum com os Atlantihda. Gisela João foi um dos nomes convidados no disco de Fernando Alvim histórico guitarrista português e “cúmplice” de Carlos Paredes, intitulado “O Fado e as Canções do Alvim”Em 2012 participou como Fadista no filme “O Grande Kilapy”

No estrangeiro fez algumas viagens a Espanha (Oviedo), Itália (Roma e Milão), Polónia (Varsóvia), China (Macau), Roménia (Bucareste), Holanda (Amesterdão) esta última onde regressará em abril de 2011 para uma tournée em várias cidades. Chegara a hora de gravar o seu primeiro disco, esse grande desafio. Encontrou em Frederico Pereira o cúmplice ideal e depois de ultrapassarem a difícil tarefa de escolher repertório – Gisela queria gravar mais de cinquenta canções, entre Fado e Música Popular – iniciaram as gravações. Estávamos em fevereiro de 2013, no Palácio Marquês de Pombal, certos do caminho que havia para percorrer, mas longe de prever o que iria acontecer.

2013 é o ano da consagração, com a edição do seu disco de estreia Gisela João a ser editado no dia 1 de julho de 2013. Duas semanas depois, o álbum alcançaria o primeiro lugar no Top de Vendas Nacional, sendo rapidamente aclamado pela grande maioria dos críticos nacionais, considerando-o como o mais importante disco de estreia de um artista português no século XXI, considerado o melhor álbum nacional do ano por publicações de referência como o Expresso, o Público, a Time Out, o site musical e mesmo os Globos de Ouro tendo atingido vendas que lhe valeram o Disco de Platina. Distinções estas que laurearam Gisela com o Prémio Revelação Amália, com quem o seu talento já foi comparado várias vezes.

Após o concerto de apresentação no Centro Cultural de Belém, eletrizou inúmeros palcos de Norte a Sul do País. Rapidamente foi convidada para se apresentar nos mais variados palcos internacionais, como em Ghent, Copenhaga, Madrid, Nova Iorque, Mérida, Manchester, Paris, Marselha, Rio de Janeiro, Bruxelas, Londres, etc. Neste interminável (e imparável) trajeto, ficam na memória as atuações nos Coliseus de Lisboa e Porto, o ciclo de espetáculos “Caixinha de Música”, no Teatro São Luiz, onde Gisela camaleónica assumiu e interpretou temas de divas e poetas celebrados do nosso imaginário coletivo.

Cedo chegaram os elogios da imprensa especializada e também cedo chegaram os louvores por parte dos seus colegas e de figuras incontornáveis da música portuguesa, estendendo-se ao público, que rapidamente acolheu a sua nova estrela.Gisela João foi ainda distinguida com um Globo de Ouro na categoria de Melhor Intérprete Individual” e com o prémio José Afonso 2014, tendo o júri considerado que a fadista é “a melhor voz que já apareceu depois de Amália”.

Em 2014, depois de ter começado o ano a esgotar a Casa da Música e o Centro Cultural de Belém, já ninguém duvidava que o álbum de estreia de Gisela João revelava uma fadista de exceção e eleição e que era um marco na História do Fado contemporâneo.A crescente afirmação e aclamação de Gisela continua no ano de 2015, com destaque para o mês de janeiro, quando Gisela João esgota duas das mais emblemáticas salas nacionais: Coliseu do Porto e o Coliseu de Lisboa.

2015 traria também o galardão de disco de platina para o seu álbum de estreia e inúmeros concertos e apresentações por palcos estrangeiros, passando por França, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Suíça, Eslovénia, Alemanha, entre outros.Participa também no álbum de tributo de Amália Rodrigues, Amália: As Vozes do Fado, disco que reúne alguns dos artistas mais icónicos do Fado, onde interpreta os temas “Medo” e “Meu Amor, Meu Amor”, num dueto com Camané.

E sem esquecer, obviamente, os galardões de Ouro e Platina conquistados pelo seu disco de estreia, juntamente com o Prémio Revelação na VIII Gala dos Prémios Amália, o Prémio de Mulher do Ano 2015 e com o Globo de Ouro para Melhor Intérprete Individual, prémio que lhe foi agraciado na XIX Gala dos Globos de Ouro.

Três anos após a edição do álbum de estreia “Gisela João”, a Fadista regressou aos discos com a edição de “Nua”, o seu segundo álbum. Com letras e músicas de Cartola, Carlos Paião, Alexandre O’Neil, Capicua, Alain Oulman e muitos mais, “Nua” é uma mescla de clássicos, tradicionais e obras da atualidade, que dão vida aos Fados que Gisela sente e gosta de cantar.

“Nua” foi editado no dia 11 de Novembro de 2016 e foi considerado pela Blitz como sendo o 2º melhor álbum português de 2016 .“Gisela João tem impregnada na voz uma forte matriz fadista, daquelas que surgem sem avisar, das que não se aprendem nem se ensinam, mas estão lá, no sítio onde um fogo as acende nos momentos de entrega ou de génio.”

Playlist:
Gisela João – A Casa da Mariquinhas
Gisela João – Antigamente
Gisela João – Bailarico Saloio
Gisela João – Fado Da Saudade
Gisela João – Fado Para Esta Noite
Gisela João – Labirinto Ou Não Foi Nada
Gisela João – Madrugada Sem Sono
Gisela João – Maldição
Gisela João – Meu Amigo Está Longe
Gisela João – Não Venhas Tarde
Gisela João – Naufragio
Gisela João – O Senhor Extraterrestre

 



Publicação:
Catarina Pereira
Foto(s): Direitos reservados




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