Mi-Fá-Dó-Sol | 07 Ago 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 07 Ago 2019

Destaque: Carlos do Carmo

Com efeito, Carlos do Carmo deve grande parte dos seus êxitos a Ary dos Santos, entre eles Um homem na cidade (letra de Ary dos Santos e música de José Luís Tinoco), Lisboa, menina e moça (letra de Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo, e música de Paulo de Carvalho), Estrela da Tarde (Ary dos Santos/ Fernando Tordo), Novo Fado alegre(Ary dos Santos/ Fernando Tordo), O homem das castanhas (Ary dos Santos/ Paulo de Carvalho), O amarelo da Carris(Ary dos Santos/ José Luís Tinoco), Sonata de Outono (Ary dos Santos/ Fernando Tordo), Fado varina (Ary dos Santos/ Mário Moniz Pereira), Fado do Campo Grande (Ary dos Santos/ António Victorino de Almeida), Balada para uma velhinha (Ary dos Santos/ Martinho d’Assunção) ou Menor maior (Ary dos Santos/ Fado das Horas).
Mas o fadista irá trazer, ao longo da sua carreira, diversos novos autores para o Fado, como José Luís Tinoco (No teu poemaOs lobos e ninguém), António Lobo Antunes (Canção da Tristeza Alegre), José Saramago (Aprendamos o rito), Manuela de Freitas (Fado Penélope), Vasco Graça Moura (Nasceu assim, cresceu assim), Nuno Júdice (Lisboa Oxalá), Maria do Rosário Pedreira (Pontas soltasVem, não te atrases), Fernando Pinto do Amaral (Fado da Saudade) ou Júlio Pomar(Fado do 112).
Posteriormente lançou numerosos EPs e LPs, como os discos “O Fado em Duas Gerações, Carlos do Carmo e Lucília do Carmo”, “Por Morrer uma Andorinha” ou “Carlos do Carmo”.
Temas como “Um Homem na Cidade”, “O Cacilheiro”, “Fado do Campo Grande”, “O Amarelo da Carris” ou “O Homem das Castanhas” tornaram-se verdadeiros clássicos de sucesso entre o vasto repertório de Carlos do Carmo.
A partir do ano de 1979, quando abandona a gerência d’O Faia, intensifica as suas apresentações em palcos dos cinco continentes. As suas passagens no Olympia de Paris, nas Óperas de Frankfurt e de Wiesbaden, no Canecão do Rio de Janeiro, no Savoy de Helsínquia, no Auditório Nacional de Paris, no Teatro da Rainha em Haia, no Teatro de São Petersburgo, no Place des Arts em Montréal, no Tivoli de Copenhaga ou no Memorial da América Latina em São Paulo são momentos muito altos na carreira do fadista.
Em Portugal, salienta as suas apresentações em locais como os coliseus de Lisboa e do Porto, o Casino Estoril, o Centro Cultural de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos ou a Fundação Calouste Gulbenkian.
Em entrevista ao jornal “A Capital”, Carlos do Carmo revela que “cantar é um acto de prazer, mas sobretudo no palco, que é um constante jogo de sedução, uma troca indescritível de sentimentos e emoções”
Com efeito, a carreira internacional de Carlos do Carmo deve muito à sua passagem pelo Olympia de Paris, onde se apresentou pela primeira vez a 11 e 12 de outubro de 1980. A estreia foi bem sucedida e o fadista recorda o momento em que interpretou a canção La Valse A Mille Temps, de Jacques Brel: «A sala veio abaixo!». Seguiu-se a primeira atuação na Alte Oper de Frankfurt, em 1982, palco onde teve tal sucesso que a gravação do espetáculo foi editada em disco e regressou para atuar nos dois anos seguintes.
Ainda na década de 1980, Carlos do Carmo é distinguido com diversos prémios, dos quais destacamos o prémio “Fadista”, atribuído pela revista “Nova Gente”, em 1983; e o Título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, em 1987.
O fadista realiza grandes espectáculos comemorativos dos aniversários da sua actividade nomeadamente nos 25, 30, 35 e 40 anos de carreira. O seu percurso internacional foi projectado, como sempre gosta de afirmar, “pelos Portugueses que saíram da minha terra à procura de vida melhor e que me foram passando para as mãos de empresários e agentes culturais dos vários países onde residem”.
Outro facto assinalável nesta década e que marca a obra discográfica de Carlos do Carmo é o lançamento de Um Homem no País, em 1984, novamente um projeto em torno de poemas de Ary dos Santos, que se destaca como a primeira edição em formato CD de um artista português.
Na celebração dos seus 25 anos de carreira, em 1988, faz digressões pelos Estados Unidos, Europa e Brasil, facto bastante revelador da sua popularidade, em particular junto das comunidades portuguesas.
No início da década de 1990 Carlos do Carmo sofre um acidente durante um espectáculo em Bordéus, caindo do palco para a primeira fila da plateia, uma queda de uma altura equivalente a um andar, que obriga o fadista a uma longa recuperação.
Em Março de 1991 faz o seu regresso no Casino Estoril apresentando um espectáculo intitulado “Vim Para o Fado e Fiquei”. E, nesse mesmo ano, a Casa da Imprensa, entrega-lhe o prémio “Prestígio”, no decorrer do espectáculo da Grande Noite do Fado.
Dois anos depois, em 1993, volta a realizar grandes digressões no âmbito da celebração dos 30 anos de carreira. Nesta comemoração edita com as Selecções do Reader’s Digest a colecção “O Melhor de Carlos do Carmo”, onde apresenta um depoimento sobre cada um dos seus discos.
Um concerto no grande auditório do Centro Cultural de Belém, mais tarde editado em CD, é a forma escolhida para celebrar os 35 anos de actividade de Carlos do Carmo como fadista. E, na soma de 40 anos de carreira, o palco escolhido para a apresentação é o do Coliseu dos Recreios em Lisboa, com posterior lançamento de CD e DVD do espectáculo. O Museu do Fado aliou-se a esta celebração apresentando a exposição “Carlos do Carmo: Um Homem no Mundo”, uma mostra relativa à sua vasta e consagrada carreira.
É inquestionável o sucesso dos temas popularizados na voz de Carlos do Carmo, bem como o do próprio fadista como comunicador, demonstrado na apresentação do programa televisivo com o seu nome – “Carlos do Carmo”, transmitido em mais de 30 emissões entre 1997 e 1998, onde o fadista dialoga com inúmeros convidados sobre temas que vão desde o óbvio Fado, passando por outras músicas, até história e património ou teatro, entre outros.
Foi, por duas vezes, agraciado pela Presidência da República com graus honoríficos — no final da década de 90, mais precisamente, a 4 de setembro de 1997, o Presidente Jorge Sampaio atribuiu-lhe o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Em 1998, a SIC e a revista Caras atribui-lhe o Globo de Ouro de Excelência e Mérito; uma distinção que antes tinha sido atribuída a Mário Soares, David Mourão-Ferreira ou Ruy de Carvalho.
Apesar de algumas interrupções forçadas por motivos de saúde, Carlos do Carmo mantém-se activamente empenhado em apresentar-se ao vivo para um vasto público que o fadista fidelizou ao longo de mais de 4 décadas.
Desde o início da década de 2000, numa relação próxima com as novas gerações do Fado, promove atuações conjuntas com novos fadistas. É o caso de Mariza; — Gala de Fado do Casino Estoril, a 8 de junho de 2004, por exemplo — ou Camané; concerto de encerramento das Festas de Lisboa, nos jardins da Torre de Belém, em 2006, por exemplo.
Em 2002 a estação de televisão SIC voltou a salientar a actividade de Carlos do Carmo, distinguindo-o com o Globo de Ouro “Melhor Disco do Ano”, atribuído pelo lançamento do seu disco “Nove Fados e Uma Canção de Amor”.
Em 2003, recebeu o Prémio José Afonso, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora, na sequência do qual foi publicado o livro Carlos do Carmo, do Fado e do Mundo, uma entrevista biográfica realizada por Viriato Teles.
Em 2004, o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal, de grau ouro, o mais elevado.
A intensa actividade de Carlos do Carmo inclui espectáculos por salas dos cinco continentes, programas de televisão onde está bem patente a sua facilidade de comunicação com o público na transmissão de valiosa informação para a história do Fado.
Na verdade é o próprio que revela que “nunca me senti distante das gerações que vão chegando. Eu comecei a cantar para a geração dos meus pais, depois trouxe a minha comigo e outra que é a dos meus filhos”.
No dia 7 de Novembro de 2007, Carlos do Carmo apresentou, no Museu do Fado, o seu mais recente trabalho discográfico, um álbum intitulado “À Noite”, que reúne textos inéditos de Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Maria do Rosário Pedreira, Júlio Pomar, Luís Represas, José Luís Tinoco e José Manuel Mendes para as músicas de Fados tradicionais da autoria de Armandinho, Joaquim Campos e Alfredo Marceneiro. Este lançamento foi acompanhado de uma pequena mostra expositiva elaborada em torno do seu mais recente disco.
Carlos do Carmo para além de ser das maiores referências da actual interpretação do fado, é também fiel na sua preocupação com a divulgação e estudo desta forma de música, pelo que para além dos já referidos programas de televisão, tem abraçado projectos onde a valorização do Fado é central, de que são exemplo a sua participação na publicitação da maior colecção editada sobre Fado, de título “Um Século de Fado”, num lançamento da Ediclube, ou a presença, desde os alvores da sua idealização, no núcleo de consultores do Museu do Fado, ou ainda, a contribuição, também como consultor, no filme “Fados”, do conceituado realizador Carlos Saura.
O fadista participa também como intérprete no filme de Carlos Saura o que lhe valeu a atribuição, em 2008, em conjunto com o poeta Fernando Pinto do Amaral, o prestigiado Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original, com o Fado da Saudade. distinção atribuida pela Academia Espanhola das Artes Cinematográficas.
A canção faz parte da banda sonora do filme Fados, que concorria à edição de 2008 daqueles que são considerados os óscares espanhóis.
Neste ano edita o disco Fado Maestro, no dia 29 de Novembro, o fadista encheu o Pavilhão Atlântico, no principal concerto de comemoração dos seus 45 de carreira.
Em 2009, recebeu o troféu “Pena de Camilo” no Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão – prémio destinado a consagrar carreiras artísticas nacionais.
A colecção “100 Canções uma Vida”, foi lançada em 2010. Esta publicação produzida em conjunto pelo jornal Público, Museu do Fado e Universal Music Portugal, com textos de Ana Sousa Dias, condensa o melhor de Carlos do Carmo em 10 volumes. Neste ano, é editado também o disco “Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti”. onde recria canções marcantes de outros intérpretes, entre elas Cantigas do Maio (Zeca Afonso), Lisboa que amanhece(Sérgio Godinho), Porto sentido (Rui Veloso), Foi por ela (Fausto Bordalo Dias), Quand On N’a Que L’Amour (Jacques Brel) ou Gracias a la vida (Violeta Parra).
Estreia ainda, na RTP, o primeiro documentário audiovisual sobre a história do fado, intitulado “Trovas Antigas, Saudade Louca”. Carlos do Carmo foi co-autor e anfitrião desta série.
Carlos do Carmo foi uma das principais figuras da primeira edição do Festival de Fado de Madrid, realizado em 2011. a 7 de Novembro recebeu o troféu “Homenagem ao Fado”, da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 2012, a Universal Music Portugal lança uma caixa com 4 CD’s, intitulada “Carlos do Carmo ao Vivo nas Salas Míticas, que reúne gravações dos concertos ao vivo no Olympia, Ópera de Frankfurt, Canecão e Coliseu dos Recreios de Lisboa. Neste ano é também editado o disco “Sem Palavras – Maria João Pires / Carlos do Carmo”. O fadista recebe, pela segunda vez, a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa.
No ano seguinte, Carlos do Carmo participa em vários concertos, evocativos dos seus 50 anos de carreira, destacam-se os concertos no claustro do Mosteiro dos Jerónimos e os concertos no grande auditório do CCB. O disco “Fado é Amor” é editado também em 2013. Este álbum de duetos conta com a participação de fadistas de nomeada da nova geração de intérpretes. A 23 de Outubro, Carlos do Carmo recebe o “Diploma de Honra ao Mérito da Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional de São Paulo.
Essas ligações seriam reforçadas com a edição, em 2014, do álbum Fado é amor, apresentado nesse ano no Coliseu dos Recreios, onde o fadista apresenta temas gravados com Camané, Mariza, Ana Moura, Aldina Duarte, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues, Raquel Tavares e Carminho.
Em 2014, torna-se, a par da soprano Elisabete Matos, no segundo artista português a ganhar um Grammy, entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou álbum. No mesmo ano, a 19 de novembro, o fadista recebe o Grammy Latino de Carreira, no Hollywood MGM de Las Vegas.
Na sequência do prémio volta a ser homenageado pela Câmara Municipal de Lisboa, que lhe outorga, pela mão de António Costa, uma nova Medalha de Mérito Municipal.
Também a Rádio Comercial lhe prestou uma singular homenagem, ao produzir um vídeo onde 35 cantores portugueses de diferentes gerações cantam Lisboa Menina e Moça, entre eles Paulo de Carvalho, Jorge Palma, Rui Reininho, Camané, Mariza, Ana Moura, Tiago Bettencourt ou David Fonseca.
Em 2014, e ainda no âmbito dos seus 50 anos de actividade artística, o fadista promove dois concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Estes espectáculos contaram com a presença de oito do dez fadistas que participaram no álbum “Fado é Amor”.
A 28 de novembro de 2016, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fê-lo Grande-Oficial da Ordem do Mérito, distinção que lhe foi entregue em cerimónia realizada a 3 de dezembro de 2016.
Anunciou em 7 de fevereiro de 2019 que vai abandonar os palcos. Os seus últimos concertos irão acontecer a 2 de novembro no Coliseu do Porto e a 9 de novembro no Coliseu dos Recreios.

Playlist:

Carlos do Carmo – Porto Sentido
Carlos do Carmo – Aprendamos O Rito
Carlos do Carmo – Rosa da noite
Carlos do Carmo – Fado da Saudade
Carlos do Carmo – Fado Do 112
Carlos do Carmo – Aquela praia ignorada
Carlos do Carmo – Fado Tropical
Carlos do Carmo – Nao se morre de saudade
Carlos do Carmo – Nasceu Assim, Cresceu Assim
Carlos do Carmo – Uma Flor de Verde Pinho
Carlos do Carmo – Não digam ao fado
Carlos do Carmo – O Homem Das Castanhas
Carlos do Carmo – Andorinhas
Carlos do Carmo – Pontas Soltas
Carlos do Carmo – Balada Para uma velhinha




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