Mi-Fá-Dó-Sol | 08 Mai 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 08 Mai 2019

Artista em Destaque: Tristão da Silva

Manuel Augusto Martins Tristão da Silva mais conhecido como Tristão da Silva nasceu a 18 de Julho de 1927 na Freguesia da Penha, em Lisboa.
Quando Tristão da Silva inicia a escola passa “os seus momentos livres a cantar, demonstrando decidida vocação” e, no início de 1937, quando contava apenas 9 anos, foi contratado pelo empresário José Miguel, para atuar aos domingos na «matinée» do Café Mondego.
Nesta altura usava o nome Manuel da Silva, mas ficou conhecido pelo “Miúdo do Alto do Pina” pseudônimo dado ao vencer um concurso realizado no bairro onde morava.
Aos doze anos, começou a cantar no “SOLAR DA HERMÍNIA”, onde, durante mais de uma década, atuou todas as noites.
Conclui a instrução primária e torna-se empregado numa drogaria na Graça, de onde transita para outra situada na Rua Morais Soares e, mais tarde, aprende o ofício de serralheiro. Ainda assim, e apesar de contar com apenas 15 anos, estas atividades profissionais não o impedem de prosseguir a carreira artística, cantando em muitas das sociedades de recreio e, posteriormente, nas casas de Fado de Lisboa. Tristão da Silva fez parte dos primeiros elencos da Sala Júlia Mendes, no Parque Mayer, e do Café Monumental.
Com quinze anos, conheceu o grande locutor Victor Marques, e fez a sua primeira gravação para a Rádio Renascença.
Com o sonho de se tornar um artista mais popular, o fadista faz, várias vezes, provas para entrar nos quadros da Emissora Nacional, mas acaba por ser recusado. Entretanto vai cumprir o serviço militar obrigatório onde lhe é permitido sair para cantar nas noites em que tem contratos de espectáculo.
Com cerca de 22 anos, depois de terminado o serviço militar, Tristão da Silva é apresentado ao maestro Belo Marques, então diretor musical da editora Estoril, sendo contratado por Manuel Simões para fazer algumas gravações discográficas, acompanhado pela orquestra de Belo Marques.
Datam de 1954 dois grandes êxitos que trouxeram a Tristão da Silva a consagração junto do público: o tema “Nem às Paredes Confesso”, de autoria de Max e Artur Ribeiro, e “Maria Morena”, com letra de Radamanto e música de Casimiro Ramos. Dono de uma voz ao mesmo tempo grave e suave dando-lhe um estilo romântico Tristão da Silva conquistou muitos fãs.
Em 1955, faz uma digressão à Ilha da Madeira e, no ano seguinte, uma outra digressão desta vez aos Açores. Assumiu-se como opositor ao regime de Salazar, mas nunca foi preso por isso, e o sucesso dele nunca foi afectado pelas suas convicções políticas.
Faz, também, gravações em Espanha e uma deslocação a África, para além de ser dos primeiros artistas a apresentar-se nos programas da RTP, então transmitidos a partir da Feira Popular.
Em 1960 viaja até ao Brasil, onde acaba por permanecer durante 4 anos, para atuar na Rádio e na TV Tupi do Rio de Janeiro e nas várias casas típicas portuguesas da cidade.
Participa em peças teatrais, nomeadamente com Osvaldo Lousada numa peça intitulada “O Assunto É Mulher “.
Posteriormente desloca-se a São Paulo, onde também atua na Rádio, na Tv e nas principais “boîtes” da cidade; e faz uma digressão que o leva ao Recife, Baía, Porto Alegre, João Pessoa, Pelotas, Fortaleza e Brasília.
Em Porto Alegre é contratado para uma nova digressão desta vez para atuar na Bolívia, Chile, Paraguai, Argentina, Uruguai e Perú.
Tristão da Silva regressa a Lisboa em 1964, pela mão de Vasco Morgado que o contrata para atuar na revista “Férias em Lisboa”. Nesta altura, o fadista apresenta-se, também, em programas da RTP, e canta na casa típica de Fernanda Maria, o Lisboa À Noite.
Foi no Pavilhão dos Desportos, em 25 de Abril de 1964, que se estreou como profissional, tendo atuado no espetáculo Comemorativo das “Bodas de Prata” do famoso Marques Vidal.
Em 1965, foi não só o artista mais novo a atuar no Casino Estoril, onde voltou em 2001, como também foi o artista mais jovem a pertencer aos quadros da Emissora Nacional, tendo participado em vários programas, incluindo diversos “Serões para Trabalhadores” passando assim a apresentar-se em vários programas de rádio, obtendo naturalmente grande sucesso.
Durante a sua carreira gravou 22 discos para diversas editoras: Alvorada, Estúdio, Valentim, Polygram ,Tecla, Discossete , Orfeu e Metro-Som.
Ao longo da sua carreira atuou em diversas casas de fados em Lisboa e Porto, destacando-se: “O Faia”, “Adega Machado”, “Solar Da Hermínia”, “Parreirinha de Alfama”, “Nau Catrineta”, “O Poeta”, “A Toca”, “Tipoia”, “A Viela”, “ O Forcado” entre muitos outros, e em diversos Casinos, com destaque para os do Estoril, Póvoa de Varzim, Figueira da Foz e Armação de Pera. Canta, também, em sessões cinematográficas do Politeama e em peças teatrais como a “Marujinhos à Vela” ou “Férias em Lisboa”, nos teatros Maria Vitória e Monumental.
Tristão da Silva teve uma carreira curta mas recheada de grandes êxitos, como os já citados, “Nem às Paredes Confesso” e “Maria Morena”, ou ainda “Da Janela do Meu Quarto”, “Aquela Janela Virada P’ró Mar” e “Calçada da Glória”.
Viria a falecer, com 50 anos, num brutal acidente de viação em Janeiro de 1978, quando regressava de uma atuação na casa de Fados O Forcado. Terminou assim, abruptamente, uma carreira recheada de grandes êxitos interpretados em estilo romântico que a voz grave e fortemente personalizada de Tristão da Silva eternizou.

Playlist:

Tristão da Silva – Nem às Paredes Confesso
Tristão da Silva – Maria morena
Tristão da Silva – Da Janela do Meu Quarto
Tristão da Silva – Aquela janela virada p’ró mar
Tristão da Silva – Calçada da Glória
Tristão da Silva – Canção de Viseu
Tristão da Silva – Chinela
Tristão da Silva – Em Cinco Minutos
Tristão da Silva – Folhas Caídas
Tristão da Silva – Sonho Tropical
Tristão da Silva – O Pregão da Rosalina
Tristão da Silva – Nove milhões de Guitarras
Tristão da Silva – Mulher Deixada
Tristão da Silva – Tempos de criança
Tristão da Silva – Silêncio meu Coração
Tristão da Silva – Ai Se Os Meus Olhos Falassem

 


 




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