Mi-Fá-Dó-Sol | 11 Mar 2020

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 11 Mar 2020

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: Gisela João

 

António Rocha, de nome completo António Domingos Abreu Rocha,  nasceu em Belém, Lisboa, a 20 de Junho de 1938 é um poeta e fadista português. Alguns dos seus maiores êxitos são “Sombras da Madrugada”, “Lá na Caserna”, “Chorai Fadistas Chorai” e “Portas da Saudade” frequentou apenas a escola até completar a instrução primária, pela necessidade de se empregar e assim ajudar nos rendimentos familiares.

Com apenas 13 anos, em 1951, ganhou um concurso de Fado organizado pelo jornal Ecos de Portugal, mas como estava na idade da mudança de voz, só volta a cantar passados alguns anos num restaurante da Cova da Piedade, o Riba-Mar. Nesse restaurante é ouvido pelo Conde de Sobral que, entusiasmado com as suas interpretações, o apresenta a Deolinda Rodrigues.

Tem como padrinhos de fado o  poeta Conde de Sobral e a fadista Deolinda Rodrigues que o desafia a cantar em Lisboa, no Retiro Andaluz, e a receção que obtém não podia ser melhor.

Apesar de nessa altura estar ainda empregado numa loja de ferragens, com os êxitos que se vão somando, cedo acaba por optar pela carreira artística.Ainda em 1956, entra para a Emissora Nacional e surge em programas de televisão e é convidado a gravar o seu primeiro EP com 4 faixas, para a editora Fonomate.Em 1959 num concurso do Café Luso, foi eleito “Rei” do Fado menor, uma das formas clássicas do Fado tradicional, que continua a interpretar como ninguém.

António Rocha assume já nesta altura um papel de relevo no panorama da música nacional, com uma popularidade plenamente demonstrada com a atribuição do título de “Rei do Fado”,Sucedem-se os contratos para se apresentar nas mais conceituadas casas de Fado de Lisboa, vários espetáculos por todo o país, atuando em restaurantes típicos e casinos, bem como as deslocações ao estrangeiro, nomeadamente aos Estados Unidos.

As apresentações em espetáculos para rádio e televisão são também uma constante e António Rocha tem durante algum tempo o seu próprio programa radiofónico, onde apresenta uma rubrica esclarecedora das questões dos ouvintes sobre Fado.Nas últimas décadas o fadista continua a brilhar nos elencos das Casas de Fado de Lisboa, estando já há vários anos no Faia. Mas as suas apresentações não se limitam ao território nacional, sendo diversas vezes convidado a integrar festivais de música do mundo ou a realizar espetáculos em países como os Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Holanda e Bélgica.

Fadista consciente da importância de ter um repertório próprio, cedo constituiu o seu repertório individual, sendo autor da maior parte dos poemas que canta e ainda de algumas das músicas.António Rocha atuou em quase todas as Casas de Fado de Lisboa, das quais destacamos, pelo número de anos de permanência no elenco, o Solar da Hermínia, o Timpanas e o Faia, onde faz parte do atual elenco.

António Rocha é o primeiro a gravar, depois de Amália Rodrigues e no mesmo ano que esta, o tema “Vou Dar de Beber à Dor”, de Alberto Janes, (mais conhecido por “A Casa da Mariquinhas”) tendo o single vendido, em 1968, um valor recordista de mais de 100 000 cópias.Com uma extensa discografia, sobretudo do tempo do vinil, alguns dos seus maiores êxitos são “Sombras da Madrugada”, “Lá na Caserna”, “Chorai Fadistas Chorai” e “Portas da Saudade”.

Um dos pontos altos da sua carreira a nível internacional foi o álbum Tears of Lisbon, lançado em 1996 pela Sony Classical.Juntamente com Beatriz da Conceição foi convidado pelo belga Paul Van Negel, diretor do agrupamento de música erudita Huelgas-Ensemble, a participar neste trabalho que conjugou fado tradicional e música do século XVI,

Neste disco António Rocha interpreta temas com poemas da sua autoria, como “Luz de teu caminho”, com música de Paulo Valentim, ou “Pede à noite”, mas também composições de Manuel Mendes e nomes mais atuais como Joaquim PimentelFontes RochaPaulo ValentimArmando MachadoFrancisco Viana ou Fernando Tordo.De entre sua extensa lista de apresentações ao vivo, destacam-se o ter sido artista convidado do programa Lisboa Capital Europeia da Cultura, em 1994 e da Expo’98, tendo atuado também no Porto Capital Europeia da Cultura, em 2001, neste caso integrando o espetáculos Fado – Os Poetas Populares. De notar ainda o estatuto de convidado especial que lhe foi atribuído no “Encuentros en La Música”, de Tenerife, Espanha em 2001.

O mais recente trabalho discográfico de António Rocha, “Silêncio, Ternura e Fado”, foi editado pela Ovação em 2004. Das 12 faixas apresentadas, podem escutar-se 11 poemas do fadista.É sócio fundador da APAF (Associação Portuguesa dos Amigos do Fado).Entre 2001 e 2004 foi professor do Gabinete de Ensaios para Intérpretes de Fado, na Escola de Guitarra Portuguesa do Museu do Fado.

Em 2006, António Rocha foi reconhecido com o prémio Carreira Masculina atribuído pela Fundação Amália Rodrigues.Neste ano de 2006 foi lançada Antologia. Com edição da Movieplay, este duplo CD reuniu 30 fados refletindo mais de 40 anos de carreira com gravações das décadas de 1960, 1970 e 1980. Entre os nomes que participaram nestes temas podem-se encontrar os de António ChaínhoCarlos GonçalvesJosé Maria NóbregaRaul Silva, ou a orquestra de Ferrer Trindade.

O primeiro disco a solo gravado ao vivo por António Rocha só surgiu aos 76 anos. Acompanhado à guitarra portuguesa por Fernando Silva e à viola por Paulo Ramos, o trabalho, Lisboa, Cidade, Fado, foi numa produção dirigida pelo maestro Paul van Nevel, gravada na noite a 9 de novembro de 2014 nas Arcadas do Faia, ao Bairro Alto, em Lisboa.

António Rocha é professor de fado, na Casa do Fado e Guitarra Portuguesa, em Alfama, e entre 2001 e 2004 foi professor do Gabinete de Ensaios para Intérpretes de Fado, na Escola de Guitarra Portuguesa do Museu do Fado.

O poeta Carlos Conde publica um poema sobre António Rocha, elucidativo da sua popularidade por um lado e, por outro, das suas qualidades de intérprete:
“Porque encanta quando canta,
O António Rocha parece
Que tem sempre na garganta
A ternura de uma prece!
Põe na voz tal melodia
E um sabor tão requintado
Que perfuma de magia
As próprias rimas do Fado!
Conseguiu ter um reinado,
Um trono alto, uma grei;
– O Rocha tem o seu Fado,
O Fado tem o seu Rei!”

Playlist:
Antonio Rocha – A Minha Estrela
António Rocha – Ainda se soubesses que te quero
António Rocha – Boneca de Porcelana
António Rocha – Chorai Fadistas Chorai
António Rocha – De quem são as chinelinhas
António Rocha – É Meia Noite
António Rocha – Fado poliglota
António Rocha – Findar Em Teus Braços
António Rocha – Pintadinho
António Rocha – Silencio ternura e fado
António Rocha – Resignado
António Rocha – Tinhas razão minha mãe
Antonio Rocha – Três degraus uma cortina
António Rocha – Venham daí raparigas

 



Publicação:
Bruna Rodrigues
Foto(s): Direitos reservados




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