Mi-Fá-Dó-Sol | 12 Fev 2020

Carlos Reis e Dino Marques

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 12 Fev 2020

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: Ana Moura

Ana Moura nasceu em Santarém  a 17 de setembro de 1979 é uma fadista portuguesa. Considerada a fadista mais bem sucedida e premiada do século XXI
Ana Moura já vendeu mais de um milhão de discos no mundo todo, sendo uma das recordistas de vendas de discos em Portugal.
De seu nome completo, Ana Cláudia Moura Pereira, é natural de Coruche, mas como esta vila não dispunha de maternidade foi nascer na capital do distrito, ou seja, Santarém.

Cresceu num núcleo familiar em que todos cantavam em reuniões e acontecimentos particulares.
Fausto, José Afonso, Ruy Mingas, música angolana e fado.
Era isto que se cantava nos serões da família Moura, em Coruche.
Os pais cantavam, toda a família materna cantava e qualquer motivo de reunião familiar terminava com um festejo sob a forma de música. Embora cantasse de tudo, Ana começava já a sentir que, por alguma razão, tinha um carinho especial pelo fado. Aos seis anos cantava já o seu primeiro fado, “Cavalo Ruço”, enquanto ouvia frequentemente a mãe trautear “O Xaile de Minha Mãe”.

Na adolescência, altura em que se transfere para Carcavelos, frequenta a Academia dos Amadores de Música e cedo desenvolveu gosto por vários estilos musicais, mas o fado foi sempre uma presença constante sendo que nesta altura deixou um pouco o fado adormecido e despertou para outros tipos de música, mais condizentes com a idade e as amizades liceais
É com essa curiosidade por outras músicas, em plena adolescência de descobertas e rebeldias, que Ana Moura juntamente com os colegas de escola forma a primeira banda, uma banda de covers de pop/rock, os Sexto Sentido.
A experiência com essa banda de covers, os Sexto Sentido, acaba depois por conduzir ao início de gravações de um disco pop/rock com o músico Luís Oliveira, cujo lançamento fazia parte da agenda da multinacional Universal. O disco, no entanto, não chega a ser terminado. Entra em cena o destino e leva Ana Moura a um bar em Carcavelos onde cede à tentação e canta um fado. Presente na sala, o guitarrista António Parreira, de tão impressionado, toma-a pela mão e leva-a a várias casas de fado.

Apesar de cantar outros géneros, a verdade é que, a voz de Ana Moura rapidamente se cola ao registo fadista e, assim, mesmo com grupos de rock vai conseguindo incluir um ou dois fados no repertório – habitualmente, “Povo que Lavas no Rio”, de Amália, nessa fase a sua referência máxima enquanto intérprete.
No final da sua adolescência, numa festa de Natal, Ana Moura é levada ao convívio daqueles que haveriam de habitar as suas noites daí em diante e é convidada a cantar. Perante vários fadistas e guitarristas que tiveram oportunidade de ouvi-la, entre os quais a Maria da Fé que a convidou para fazer parte do elenco da sua casa de fados, o Sr. Vinho.
Contratada por Maria da Fé para o Senhor Vinho, Ana Moura tem nesta casa de fados uma verdadeira escola, onde bebe dos ensinamentos de tudo o que é a alma do fado.

Esse foi o momento que projetou a sua carreira definitivamente no meio do Fado. Através do seu trabalho diário no Sr. Vinho, conheceu o compositor e guitarrista Jorge Fernando, músico residente na altura, tendo iniciado uma relação profissional e de cumplicidade.
É precisamente nesses ambientes noturnos, do Senhor Vinho mas também das outras casas de fados que começa a frequentar, que se dá a verdadeira escola do seu canto. Antes, Ana Moura cantava o fado porque sim, porque a intuição lhe mandava, porque a boca lhe fugia para ali.
Os dotes da jovem fadista também conquistam Miguel Esteves Cardoso que, de forma indireta, contribui para a gravação do seu primeiro álbum.
O acaso ocorreu após Esteves Cardoso ver Ana Moura cantar numa das suas primeiras aparições na televisão; o programa da RTP Internacional, Fados de Portugal, conduzido por António Pinto Basto.

Essa paixão manifesta-se de tal maneira que rapidamente conquista Miguel Esteves Cardoso. Antes sequer de as editoras ouvirem falar no seu nome, é a escrita de Miguel Esteves Cardoso que serve de amplificador para a notícia do talento da jovem fadista.
É inclusivamente depois de ler as palavras enlevadas de Miguel Esteves Cardoso no Independente (O susto do fado e a beleza da verdade) que Tozé Brito, administrador da Universal, vai ao Senhor Vinho à descoberta daquela voz que conhecia apenas dos Sexto Sentido.
Não demora a propor-lhe a gravação do primeiro disco.

Para a produção do álbum de estreia, Guarda-me a Vida na Mão (2003), que recebe os mais rasgados elogios dos media e tem grande aceitação por parte do público tanto nacional como no estrangeiro. Para a produção deste álbum “Guarda-me a Vida na Mão” é chamado Jorge Fernando que para além de comandar a direção artística do álbum, o músico é igualmente responsável por seis dos 15 temas gravados, um dos quais é assumido pela cantora como o seu BI musical – “Sou do Fado, Sou Fadista”.

A cumplicidade entre Jorge Fernando e Ana Moura há-de manter-se nos discos seguintes. Logo aí, fica evidente que o fado de Ana Moura comporta uma elasticidade rara, convocando participações de gente como os Ciganos d’Ouro e Pedro Jóia, e instrumentos com o cajon e a guitarra de flamenco.
Mas o essencial mantém-se intocado: a tradição não arreda pé. A receção, crítica e de público, a Guarda-me a Vida na Mão é de um entusiasmo que não deixa dúvidas e Ana Moura começa de imediato a tornar-se presença recorrente nos palcos portugueses e, progressivamente, também nos internacionais. Sendo por esta altura que Ana Moura começa as suas digressões pelo mundo fora tendo atuado no prestigiado Town Hall, nos Estados Unidos.
O álbum Aconteceu editado em 2004 é a continuação lógica do disco de estreia trata-se de um duplo trabalho dividido em duas áreas temáticas: – O primeiro disco, a que se chamou “A porta do fado”, aborda o fado clássico e o segundo disco, intitulado “Dentro de casa”, debruça-se sobre o fado tradicional revelando uma surpreendente ambição por parte da cantora, ao mesmo tempo que vinca com uma espantosa confiança a certeza do seu caminho: a convivência natural entre o fado mais apegado à tradição e uma forma muito pessoal e convicta de lhe exigir contemporaneidade.

Playlist:
Ana Moura – Tens Os Olhos De Deus
Ana Moura – Rosa Cor-de-Rosa
Ana Moura – Quem Vai ao Fado
Ana Moura – Primeira Vez
Ana Moura – Preso Entre o Sono e o Sonho
Ana Moura – Porque Teimas Nesta Dor
Ana Moura – Passos Na Rua
Ana Moura – Os Búzios
Ana Moura – O Que Foi Que Aconteceu
Ana Moura – O Meu Amor Foi Para O Brasil
Ana Moura – Ó Meu Amigo João
Ana Moura – O Fado da Procura
Ana Moura – Ninharia
Ana Moura – O espelho de Alice

 



Publicação:
Catarina Pereira
Foto(s): Direitos reservados




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