Mi-Fá-Dó-Sol | 12 Jun 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 12 Jun 2019

Artista em Destaque: Amália Rodrigues

Tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo, marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados, de que é exemplo a lírica de Luís de Camões ou as cantigas e trovas de D. Dinis. Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O’Neill ou Manuel Alegre, vamos hoje falar no nosso programa de Amália Rodrigues a Diva do fado.
Amália Rodrigues, de seu nome completo Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, nasceu em Lisboa por acaso, quando os seus pais, Lucinda da Piedade Rebordão e Albertino de Jesus Rodrigues, se encontravam de visita aos avós maternos, na Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena.
No registo de nascimento consta a data de 23 de Julho de 1920, porém, dado existirem algumas reservas quanto ao dia exacto, a artista adoptou o dia 1 de Julho como data de aniversário durante toda a sua vida.
Após o seu nascimento e depois de um curto período na capital à procura de vida melhor, os pais regressaram ao Fundão deixando a filha, então com catorze meses, ao cuidado dos avós.
Quando tem seis anos os seus avós mudam-se para o bairro de Alcântara, onde Amália viverá até aos 19 anos, primeiro com os avós e depois com os pais. Abandona os estudos após completar a instrução primária, por ser necessário trabalhar e ajudar no sustento familiar. Foi aprendiza de costureira, de bordadeira e operária de uma fábrica de chocolates e rebuçados. Mais tarde, com a sua irmã Celeste, vende fruta à percentagem pelas ruas do cais de Alcântara.
Desde muito cedo mostrou gosto por cantar e, em 1935, foi escolhida para cantar o “Fado Alcântara” como solista, nos festejos dos Santos Populares, acompanhando a Marcha Popular do seu bairro.
Em 1938 Amália faz audições para o “Concurso da Primavera”, onde cada bairro apresentava as suas concorrentes, disputando-se o prémio Rainha do Fado desse ano. Amália não chega a participar, pois todas as outras concorrentes se recusavam a competir com ela mas conhece, neste concurso, Francisco da Cruz, um guitarrista amador com quem, em 1940, se casa. Este casamento não dura muito tempo, embora o divórcio só se concretize em 1949. Voltará a casar, em 1961, no Brasil, com o Engenheiro César Henrique de Seabra Rangel, com quem vive até ao falecimento deste em 1997.
Entretanto continua a cantar em festas e verbenas com o nome de Amália Rebordão. E, nesse mesmo ano, aparece pela primeira vez uma foto da fadista e uma crítica muito elogiosa na imprensa. Só mais tarde adota o nome artístico de Amália Rodrigues, por sugestão de Filipe Pinto, então director artístico do Solar da Alegria.
Por influência de Santos Moreira presta provas no Retiro da Severa, e faz a sua estreia profissional em 1939. Neste local exibe-se durante 6 meses, passando depois para o Solar da Alegria e para o Café Mondego. O seu sucesso é tal que rapidamente se torna cabeça de cartaz e, graças à intervenção de José Melo, passa a cantar no Café Luso com um cachet que atinge valores nunca antes pagos a um fadista. Nesta altura Amália já não canta diariamente, fazendo-o apenas 4 vezes por mês e recebendo por actuação.
A partir de 1941 as suas actuações serão menos regulares, mas ainda assim uma constante na cidade de Lisboa até ao início dos anos 50. A sua presença regista-se na Cervejaria Luso e Esplanada Luso, em 1941; no Casablanca, Pavilhão Português e Retiro dos Marialvas, em 1942; no Casablanca, Retiro dos Marialvas e Café Latino, em 1943; no Café Luso, em 1944, e de 1947 a 1950; no Casino Estoril, em 1949 e 1950, e no Comboio das Seis e Meia, um programa de variedades gravado no Teatro Politeama e depois transmitido pela rádio, em 1950.
Amália Rodrigues realiza longas viagens de digressão em espectáculo a partir do início da década de 1950, pelo que as suas aparições em Portugal se limitam a alguns espectáculos anuais, como a Grande Noite do Fado, o Natal dos Hospitais, o Reveillon do Casino Estoril e outras festas e festivais, muitas de beneficência.
Apenas em 19 de Abril de 1985 apresenta o seu primeiro concerto individual em Portugal, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, o qual será repetido no Coliseu do Porto a 26 de Abril do mesmo ano.
A sua primeira saída do país ocorre em 1943, para actuar numa festa do Embaixador português em Madrid, Dr. Pedro Teotónio Pereira. Faz-se acompanhar do cantador Júlio Proença e dos instrumentistas Armandinho e Santos Moreira. No ano seguinte, vai ao Brasil, onde actua no Casino de Copacabana, Teatro João Caetano e na Rádio Globo. Voltará ao Brasil logo em 1945, numa estadia que se prolongará até Fevereiro de 1946, na qual grava os seus primeiros discos, oito edições de 78 rpm para a editora Continental. É no Rio de Janeiro que Frederico Valério compõe um dos mais famosos fados de todos os tempos: Ai Mouraria, estreado no Teatro República.

Playlist:

Amália Rodrigues – Barco Negro
Amália Rodrigues – Abandono
Amalia Rodrigues – Alamares
Amalia Rodrigues – A Minha Cancao E Saudade
Amália Rodrigues – Alfama
Amalia Rodrigues – Andorinha
Amália Rodrigues – Antigamente
Amalia Rodrigues – Caminhos De Deus
Amália Rodrigues – Cansaço
Amália Rodrigues – Caracóis
Amália Rodrigues – Casa da Mariquinhas
Amália Rodrigues – Céu da Minha Rua
Amalia Rodrigues – Cheira A Lisboa
Amália Rodrigues – Com Que Voz
Amália Rodrigues – Ai Mouraria
Amalia Rodrigues – Conta Errada




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