Mi-Fá-Dó-Sol | 16 Out 2019

Carlos Reis e Dino Marques

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 16 Out 2019

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: João Braga

O ano de 1967, é o ano do lançamento de João Braga como intérprete profissional, com o disco É Tão Bom Cantar o Fado, a que se juntam, no mesmo ano, mais três trabalhos intitulados: Tive um BarcoSete Esperanças, Sete Dias e Jardim Abandonado; e ainda um LP com o titulo: A Minha Cor.
João Braga continua a multiplicar a sua discografia, sucedem-se apresentações nos mais diversos palcos e nomeadamente na televisão onde se estreia a cantar num programa apresentado por Júlio Isidro, na RTP.

Conciliando a música com as atividades de redator d’O Século Ilustrado e d’O Volante, conhece em 1968 Luís Villas-Boas, que viria a tornar-se seu produtor e parceiro na organização do I Festival Internacional de Jazz de Cascais, realizado em 1971. Ainda em 1970, porém, participa no Festival RTP da Canção e funda a revista Musicalíssimo, de que foi editor até 1974.
A 4 de outubro de 1971, em Lisboa, casou com Ana Maria de Melo e Castro Nobre Guedes, irmã de Luís Nobre Guedes.
Com a Revolução dos Cravos, é emitido um mandato de captura em seu nome, o que leva a família a fixar-se em Madrid, até fevereiro de 1976.
Quando voltou do exílio, abriu o restaurante O Montinho, em Montechoro, que esteve em atividade apenas durante um verão.

Na década de 70 João Braga destaca-se como um dos mais influentes intérpretes de Fado, denotando uma preocupação permanente pela inovação e progressos dos seus trabalhos.
Dando mostras da sua enorme versatilidade, João Braga inaugura O Páteo das Cantigas, em 1978 (onde se manterá até 1982), e lança um novo álbum para a etiqueta Orfeu “Miserere”.
Participa na série de programas para a RTP, “Fado Vadio”.
Percorre todo o país com espetáculos e é um dos convidados para a homenagem a Pedro Homem de Mello, no Ateneu do Porto (1979).

Desde finais da década de 1970 João Braga dedica-se exclusivamente à sua carreira musical, como assinala o lançamento sucessivo de novos álbuns: Canção Futura  (1977), Miserere  (1978), Arraial  (1980), Na Paz do Teu Amor  (1982), Do João Braga Para a Amália  (1984), Portugal/Mensagem, de Pessoa  (1985) e O Pão e a Alma  (1987).
Revelando-se com uma figura carismática do Fado, o início da década de 80 traz-lhe um novo contrato com a Valentim de Carvalho.
É convidado a participar no Casino Estoril, numa Gala em Honra da Princesa Grace, do Mónaco e, no Palácio de Queluz (Sala dos Embaixadores), para o Presidente do Brasil, João Baptista Figueiredo.

Em 1984, surgiu pela primeira vez como autor de melodias, musicando os poemas de Fernando Pessoa, “O Menino da Sua Mãe” e “Prece”, o fado “Ai, Amália”, de Luísa Salazar de Sousa, e o poema “Ciganos”, de Pedro Homem de Mello, num álbum a que chamou Do João Braga para a Amália Também a partir da década de 1980 foi contribuindo para a renovação do panorama fadista, através de convites a jovens intérpretes para integrarem os seus espetáculos, como surgiu com Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Mariza, Cristina Branco, Katia Guerreiro, Nuno Guerreiro, Joana Amendoeira, Ana Moura e Diamantina.

Revelação de uma nova faceta do fadista, decorria o ano de 1987, e João Braga dedica-se à campanha “Timor87 – Vamos Ajudar!”, destinada a angariar fundos para os refugiados timorenses no Vale do Jamor.
Mantêm-se o seu percurso na televisão (RTP2) com a gravação de um documentário “Desgarradas” com Artur Albarran e outros convidados.
Grava para a TV Globo, onde canta poemas de Fernando Pessoa.
Inicia uma estreita colaboração e amizade com Manuel Alegre que, pela primeira vez, escreve poemas inéditos para o cantor.
Em 1990, o seu primeiro CD, Terra de Fados, que superou as 30 mil cópias vendidas, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que pela primeira vez escreveu expressamente para um cantor. Seguiram-se Cantigas de Mar e Mágoa  (1991), Em Nome do Fado  (1994), Fado Fado  (1997), Dez Anos Depois  (2001), Fados Capitais  (2002), Cem Anos de Fado  e Cantar ao Fado  (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O’Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira e Manuel Alegre, entre outros.

Conjuga a sua atividade de espetáculos com a de editor na revista “Eles & Elas” e na crónica semanal que apresenta na TSF. È neste período que João Braga se destaca como um dos impulsionadores da renovação do panorama fadista, com o convite e apresentação de novos talentos no género.
Em 29 de Maio de 1992 concerto no Teatro de S. Carlos, por ocasião da Gala dos 25 anos de carreira. No âmbito da Expo´92 em Sevilha, apresenta-se no espetáculo «100 Anos de Fado», e em Dezembro, os antigos alunos do Colégio de S João de Brito organizam-lhe uma homenagem, durante a qual é agraciado coma medalha «José Carlos Belchior».
Em 1997 celebra 30 anos de carreira com a realização de um concerto no Teatro de São Luiz. A cidade de Lisboa presta-lhe homenagem sendo-lhe oferecida uma gravura de Lisboa quinhentista.
João Braga inaugura, por ocasião da Expo´98, o Palco do Fado sendo também um dos convidados para a Festa de Encerramento da Expo´98 e estreia-se com o concerto “Terra do Fado” em New Jersey, com lotação esgotada.
Em Abril de 1999, João Braga prepara o lançamento do novo CD “100 Anos de Fado”, (gravado ao vivo), editado pela Farol e apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho da CML. Canta ainda, na Gala do “Expresso”, um fado-homenagem de Manuel Alegre a Amália Rodrigues e é escolhido para entregar o Troféu dos «25 Anos, 25 Nomes» à maior cantora de sempre.

Nesse ano João Braga participa, como cantor, produtor e apresentador, no espetáculo “Amália Para Sempre”, transmitido pela TVI».
Em Novembro apresenta-se no Parque das Nações, no concerto “100 Dias de Fado”, com Carlos Zel, Maria Ana Bobone, Miguel Sanches, António Pinto Basto e Ana Sofia Varela.
Nas celebrações dos 167 anos do Café Martinho da Arcada, (2000) João Braga canta temas de Fernando Pessoa e em Fevereiro, presta uma nova homenagem a Amália Rodrigues em “Porto Amália” um espetáculo que contou com a sua colaboração como cantor, produtor e apresentador.
No âmbito da visita do Papa João Paulo II, o fadista organiza, como cantor produtor e apresentador, o concerto “Quando o Fado é Oração”.
Em Junho, no Salão Nobre dos Paços do Concelho (Lisboa) apresenta o novo CD “Cantar ao Fado”, considerado por João Braga como o seu favorito.
Em Agosto prepara a 2ª série de «100 Anos de Fado», num CD duplo gravado ao vivo no Parque das Nações. João Braga é mais uma vez convidado a produzir e apresentar o concerto realizado no Coliseu dos Recreios, «Uma vela por Amália», e onde revela uma nova voz de Fado, Katia Guerreiro.

A 18 de Fevereiro de 2004, João Braga regressa, uma vez mais, ao palco do Teatro de São Luiz, para um concerto único. Para o espetáculo convida Maria Ana Bobone e Ana Sofia Varela e os habituais músicos José Luís Nobre Costa, Carlos Gonçalves, Jaime Santos Jr., e Joel Pina.
Como guionista e produtor musical, apresenta com José Carlos Malato, o programa “Fados de Sempre”, onde todos os temas de Fado são cantados em dueto.
Na entrega dos Prémios de 2004 da Associação da Imprensa Estrangeira, interpreta um dos maiores êxitos de Carlos Paredes, “Verdes Anos”.
Abre o ano de 2005 no grande espetáculo, organizado pela RTP1, e apresentado no Coliseu, a favor das vítimas do tsunami de Dezembro no Continente Asiático, cantando o tema «Bem Sei».

Em 2006 a RTP transmite o programa «Fados de Sempre2», da sua autoria, assinalando o regresso à televisão portuguesa, de duas grandes vozes: Fernanda Maria e do próprio João Braga (após uma intervenção cirúrgica a que foi submetido dois meses antes).
Em Fevereiro, é agraciado pelo presidente Jorge Sampaio, numa cerimónia no Palácio de Belém, com a “Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique”, numa justa homenagem a uma das mais distintas figuras nacionais.
Em Março assinala na Aula Magna, num espetáculo concebido, realizado, produzido e apresentado pelo fadista, os 40 anos da sua carreira. “De Alma e Coração” contou ainda com as atuações de nomes como Mafalda Arnauth, Miguel Ângelo, Rão Kyão, Miguel Guedes, entre outros.
Além do fado, interpreta um repertório diversificado, incluindo música francesa, brasileira e anglo-saxónica. O seu emocionado estilo interpretativo é caraterizado por um timbre bem pessoal, pela primazia do texto e por uma abordagem melódica imaginativa, sempre atualizada e de constante improviso (muito «estilada», em jargão fadista).

Desde os tempos da Musicalíssimo que desenvolveu atividade na imprensa escrita, tendo sido cronista das revistas Eles & Elas e Sucesso, e dos jornais O IndependenteDiário de NotíciasEuronotícias e A Capital. Em 2006, publicou o livro Ai Este Meu Coração. Participa em tertúlias desportivas na televisão, onde defende o seu Sporting Clube de Portugal.
João Braga foi distinguido ainda com vários galardões:

  • Medalha de Mérito Cultural do Governo Português (1990)
  • Prémio Neves de Sousa da Casa da Imprensa (1995)
  • Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa (1996)
  • Prémio de Carreira da Casa da Imprensa (1999)
  • Medalha de Mérito, grau ouro, da Cidade de Lisboa (2014)

João Braga revela-se hoje como uma das mais emblemáticas vozes de Fado, cantando e homenageando os melhores poetas portugueses, revelando: “a minha primeira paixão, paixão mesmo, é a poesia”.
Como disse Alberto Saraiva: João Braga imprime aos seus fados toda a alma lusitana que ele sabe extrair dos belos poemas que canta. Ouvir o João Braga é sentir Portugal e toda a nossa História.

Playlist:
João Braga – A água da minha fonte
João Braga – A Origem do Fado
João Braga – A saudade que me dói
João Braga – A Volta do Fado
João Braga – Amália
Joao Braga – Amor somente
João Braga – António Batista
João Braga – Arraial
João Braga – Babel e Sião
João Braga – Há Uma Música Do Povo
João Braga – O amor não partiu
João Braga – Maré Vaza
João Braga – Outra Lisboa
João Braga – Praia perdida
João Braga – São João Bonito

 



Publicação:
Catarina Pereira
Foto(s): Direitos reservados




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