Mi-Fá-Dó-Sol | 20 Mai 2020

Carlos Reis e Dino Marques

 

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 20 Maio 2020

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque: Fábia Rebordão

 

“O fado está-lhe no sangue”

Nasceu em Lisboa a 28 de março de 1985 no seio de uma família já com o fado no ADN.Muito cedo descobriu o gosto de cantar e com 12 anos, e novamente 14 anos, foi finalista do programa “Cantigas da Rua”, exibido pela SIC.Na linhagem familiar estão nomes como Celeste Rodrigues e Amália de quem ainda é prima mas diz preferir “escolher o seu próprio caminho” e aos 15 anos, pisou pela primeira vez o chão de uma casa de fados apaixonando-se pelo ambiente místico e a nostalgia das músicas, que associava aos amores e desamores da adolescência, que a fascinaram e arrastaram para um percurso profissional na música e começa a cantar profissionalmente nas casas típicas nomeadamente na Tasca do Chico no Bairro de Alfama, na Taverna do Embuçado no Bairro Alto, ou ainda no Clube de Fado, entre outras.

Não mais o deixou, apesar de algumas incursões por outras paragens sonoras.Por isso Fábia Rebordão hoje é unanimemente considerada uma das vozes de referência do fado novo.Dos 17 aos 22 anos afastou-se do fado, para explorar outros sons. Andou pelo jazz, pelos musicais de Filipe La Féria onde chegou a integrar durante um ano no elenco “My Fair Lady” pelas mãos do próprio encenador este musical que foi exibido diariamente no Teatro Politeama pois segundo a própria é preciso crescer, evoluir e isso por vezes significa viver outras coisas e somar experiências.

Embora o fado seja a grande matriz da sua paixão pela música, as suas influências musicais são diversas e vão da soul, à bossa nova, à morna, ao blues ou ao jazz.É esta versatilidade que leva Fábia a participar na segunda edição da “Operação Triunfo”, da qual é uma das finalistas e onde o seu nome se torna conhecido do grande público.O nome de Fábia Rebordão veio pela primeira vez a púbico com a sua participação no programa da RTP 1 ‘Operação Triunfo’ chegando a ser finalista.Já nessa altura Fábia não escondia o seu apetite pelo fado, mas ainda demorou mais alguns anos até vir a ser reconhecida como uma das grandes promessas da nova geração dentro do género que agora é Património Imaterial da Humanidade.Na altura, o júri descreveu-a como uma estrela em ascensão

Em 2004 torna-se cantora residente no programa “Portugal no Coração” exibido pela RTP.Em 2006 anos torna-se cantora residente da casa de fados Bacalhau de Molho na casa dos Condes de Linhares, voltando à sua inicial paixão de cantar o Fado, onde canta até aos dias de hoje.Em 2009 grava o seu primeiro CD, sob a direção musical e produção de Jorge Fernando, onde apresentará Fados Tradicionais e alguns originais de autores consagrados.Ele, Jorge Fernando, é um dos produtores e autores nacionais mais reconhecidos, com uma longa carreira. A música juntou-os e o amor também.Em 2010 é convidada pelo cantor italiano Vinicio Capossela para fazer uma participação no seu concerto e atua no HIFA FESTIVAL no Zimbabué, considerado um dos 5 festivais mais importantes do mundo.

Em 2011 lança o seu disco de estreia produzido pelo cantor/compositor/produtor Jorge Fernando, que conta com a participação de Lura, cantora cabo-verdiana, e com a Fadista Celeste Rodrigues. Um marco gigante na história do Fado.No mesmo ano atua na grande e emblemática sala nova iorquina “Carnegie Hall” e é convidada da grande fadista Mariza para atuar consigo em dois grandes concertos em Belgrado e Budapeste.Em 2012 é distinguida pela fundação Amália com o prémio Revelação Amália Rodrigues e o conceituado Jornal Expresso considera-a uma das 50 personalidades revelação do ano.

O fado é apenas um dos géneros musicais que gosta de cantar, pois diz precisar de mais rítmica. O seu novo álbum vem mostrar, precisamente, essa sua versatilidade. De sorriso rasgado e olhar intenso, Fábia Rebordão é uma mulher determinada, que coloca toda a sua força em cada objetivo que traça, e não teme novos desafios. Não foi por acaso que, em 2012, o seu primeiro álbum «A Oitava Cor», do qual é autora e compositora da maioria dos temas mereceu o Prémio Revelação nos Prémios Amália.

Entre palcos nacionais e internacionais, o ano de 2016 marca o regresso de Fábia Rebordão aos discos.Após editar o seu segundo álbum de originais, Fábia Rebordão apresenta-se ao público com uma imagem renovada e com a certeza de que será mais um marco na sua carreira.A produção do novo álbum de inéditos “Eu” é assinada mais uma vez por Jorge Fernando, mas com New Max e Hugo Novo. Para além de composições da própria artista, tem a colaboração de Rui Veloso, Jorge Fernando, Dino d’Santiago, Tozé Brito e Pedro da Silva Martins na autoria dos temas.Trata-se de um disco que tem a alma de fado, mas que congrega as diferentes referências musicais da artista, numa identidade sonora muito própria.

Numa entrevista dada pela fadista, perguntaram-lhe:

– “Dizem que tem a mesma mágoa na voz que tinha Amália”, será por ser prima em terceiro grau da diva?

Outra hipótese: Não sou eu que o afirmo, é-me dito. Se assim for, é porque o fado me está no sangue, embora não goste de me valer desse traço consanguíneo. Escolho seguir o meu próprio caminho, aprendendo sempre com os mais antigos, sobretudo com a minha prima Celeste Rodrigues (já falecida)

 – Da sua voz escreveu-se que é “feita de estrondo e de ternura, capaz de embalar e acordar, carregada de vivências e limpa de mazelas, sonhadora e magoada, futuro e memória”. O comentário feito pela fadista foi o seguinte:

“Eu preciso da minha verdade quando canto, mas a crítica é sempre relevante como incentivo para melhorar”

 Para Fábia Rebordão o fadista é, pela natureza da profissão, uma pessoa da noite, porque a noite proporciona a intimidade capaz de nos comunicarmos de uma forma, através do canto, que o dia não possui. Menos luz, mais romantismo e mais apetência para participarmos nessa troca de quem canta e de quem ouve

 Recentemente a fadista à semelhança de Ricardo ficou quase irreconhecível por ter perdido cerca de 50 quilos, o que até lhe trouxe benefícios vocais, já que garante que gosta mais da sua voz agora. Diz que a perda de peso lhe permitiu ter outros timbres e mais autoconfiança.

Desde muito nova, que tentava fazer dietas, mas nunca eram bem-sucedidas. Desta vez resultou, porque estava realmente motivada.

Fábia Rebordão e Jorge Fernando, que tem cerca de 30 anos de diferença, ela tem 34 e ele 62, namoram há 10 anos mostrando assim que a Fadista e produtor musical conseguem ultrapassar a enorme diferença de idades entre ambos partilhando algumas imagens com os muitos fãs que ambos têm.

Madonna no seu novo álbum gravado em Lisboa partilhou vários momentos nas suas redes sociais, nomeadamente no Instagram um vídeo com a fadista portuguesa Fábia Rebordão a interpretar o clássico vou dar de beber à dor conhecido popularmente como Casa da Mariquinhas.

O caminho que já conquistou até aqui, a sua força natural e as perspetivas que tem traçadas para o futuro são prova de uma grande capacidade disso mesmo. Aprendendo e desenvolvendo sempre o seu conhecimento com os momentos mais marcantes da sua carreira, a evolução do fado e as novas vozes portuguesas que considera brilhantes, podemos agora vê-la no palco de duas das mais emblemáticas casas de fado de Lisboa: Casa de Linhares e Páteo de Alfama.

Para Fábia Rebordão ser fadista é uma forma de vida mais ou menos estranha trazendo Portugal e os portugueses na voz e sintetizando o seu apego ao passado, que dá pelo nome de saudade

Playlist:
Fábia Rebordão – Por sombras me dei à luz
Fábia Rebordão – Quem em mim habita
Fábia Rebordão – Pergunta A Quem Quiseres
Fábia Rebordão – Palavras que escondem as palavras
Fábia Rebordão – Não foi talvez
Fábia Rebordão – A Oitava Cor
Fábia Rebordão – Antes de nós
Fábia Rebordão – Cresce o teu fado
Fábia Rebordão – És a dor que não previa
Fábia Rebordão – Na minha saudade
Fábia Rebordão – Falsa saída
Fábia Rebordão – São Coisas
Fábia Rebordão – Quebra, pedra
Fábia Rebordão – Presa em mim
Fábia Rebordão – Por seres tão triste
Fábia Rebordão – O tudo e o nada

 



Publicação:
Bruna Rodrigues
Foto(s): Direitos reservados




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