Mi-Fá-Dó-Sol | 22 Mai 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 22 Mai 2019

Artista em Destaque: Tony de Matos

António Maria de Matos (Tony de Matos) nasceu em 28 de Setembro de 1924 no Bairro das Fontainhas, no Porto.
Filho de artistas da companhia teatral itinerante de Rafael de Oliveira, desde cedo começou a lidar com os palcos, tendo sido um premiado cantor, fadista e ator português.
Pese embora os seus pais não quererem essa vida artística para ele, fazendo com que tirasse o curso de barbeiro para poder seguir outra profissão Tony de Matos foi um dos maiores cantores românticos do nosso país, marcando uma época com a sua presença em palco e sua voz maravilhosa, um verdadeiro crooner e um fadista de eleição.
Em 1938, quando esta companhia se encontrava instalada em Santa Comba Dão (Beira Alta), o jornal local, o Beira Dão relatou a noite de apoteose com que o jovem Tony (14 anos) deliciou a assistência com a sua voz, cantando fado de Coimbra, acompanhado por músicos amadores locais.
O desejo de cantar leva Tony de Matos a Lisboa em 1945 onde se inicia no mundo das cantigas, passando no exame da Emissora Nacional, mas que logo abandona.
Levado ao “Café Luso” em Lisboa, por intermédio do fadista Júlio Peres encantará tudo e todos e ficará a atuar, logo ali, dez noites por mês, com um salário de 50 escudos por noite.
Aos 23 anos já era profissional, surpreendendo todos com a sua voz e arranjando contratos com facilidade. Encantava com o fado que cantava, também enveredando para canções românticas que o ajudavam a ficar muito popular, isso aliado à boa figura que apresentava.
Em 1950 grava o seu primeiro disco Cartas de Amor em Espanha, que se torna um grande sucesso, começando então a entrar em algumas revistas, fazendo duetos com grandes vedetas da altura. É convencido então pelo empresário Manigoni a fazer uma temporada no Brasil, desafio que aceita e que corre bastante bem, sendo muito acarinhado pelo público e tendo um grande êxito com Rosinha dos Limões.
Outros sucessos desta altura são “Trovador”, “Ao Menos Uma Vez” e “A Lenda das Algas”.
Ganhando crescente popularidade graças a alguns programas de rádio onde participou entre eles o “Comboio das seis e meia” de Igrejas Caeeiro, e os Serões da Emissora Nacional, Tony de Matos estreia-se em 1952 no teatro de revista, primeiro em “Cantigas Ó Rosa” ao lado de Eugénio Salvador, Helga Liné, Humberto Madeira e Teresa Gomes e depois, em “Saias Curtas”.
Em 1953 parte para o Brasil, e em São Paulo cumpre, pelo dobro do tempo, um contrato inicial de 3 meses regressa depois a Portugal para algumas digressões e parte de novo para o Brasil, em 1957 onde ficará seis anos,
O artista é presença regular nas estações Brasileiras, como TV Rio, TV Tupi, Rádio Nacional e Clube 36.
Joaquim Pimental e António Rodrigues, escrevem, entre outros, o tema “Vendaval“, um dos seus maiores sucessos tal como “Procuro e Não Te Encontro” e “Lado a Lado”, rapidamente difundidos pela rádio e televisão
Abre em Copacabana com Maria Sidónio, o restaurante típico “O Fado”. Chegando a atuar em seis ou sete espetáculos diários e à noite ainda cantava na sua casa de fados.
Tony de Matos começa a viajar por todo o mundo para espetáculos e digressões, que passam pelas ilhas dos Açores e Madeira, e por países como Espanha, Itália, São Tomé, Angola, Moçambique, África do Sul, Congo, Rodésia, Goa, Líbano, Iraque, Egipto, Turquia, entre outros.
1963 Marca a fase mais marcante da sua carreira, com o regresso a Portugal, cantando já fora do âmbito restrito do fado, alargando o seu repertório para a canção romântica. E é neste estilo que Tony de Matos vai encontrar o seu lugar único, a ponto de ser considerado o “Cantor Romântico” por excelência, temas como “Só Nós Dois” e “Lado a Lado”, foram verdadeiros sucessos que permanecem ainda hoje na memória de todos.
Em 1964 enche o Pavilhão dos Desportos e estreia-se no cinema em “A Canção da Saudade” um filme de Henrique Campos, sendo ainda protagonista em “Rapazes de Táxis” (1965) de Constantino Esteves,  e “Derrapagem” (1972).
Em 1966 concorre ao Festival RTP da Canção com “Nada e Ninguém”, com música de Manuel Viegas e letra de António José.
Em 1970 participa no filme “O Destino Marca a Hora” onde também entram Isabel de Castro e Eugénio Salvador e onde canta temas como “O Destino Marca a Hora”, “Não Digas Que Me Conheces”, “Digo Adeus à Saudade” e “Viver Sem Ter Amor”.
Apesar de ser imensamente popular e ser vedeta de filmes, tv e rádio, nota um decréscimo na procura dos seus espetáculos depois do 25 de Abril, decidindo então emigrar para os EUA, onde estabelece residência e fica lá durante oito anos. Volta a Portugal na década de 80 e a sua carreira conhecerá um novo renascimento a partir de 1985 começando a aparecer em espetáculos de revista e programas de televisão, tendo enorme sucesso num concerto que deu no Coliseu, com o público Português a voltar a render-se ao seu talento e a crescer na popularidade.
Funda, em Lisboa, com os fadistas Carlos Zel e Filipe Duarte, o restaurante “Fado Menor”.
Participa no primeiro programa da série “Humor de Perdição”, da autoria de Herman José.
Em Junho de 1985 é convidado de Vitorino no seu espetáculo do Coliseu.
Nesse mesmo ano em Novembro dá um concerto em nome próprio no Coliseu dos Recreios que contou com a participação de Maria da Fé e Carlos Zel.
Este concerto, foi editado em DVD numa edição da Ovação e dos Vídeos RTP.
No ano de 1988 é editado o álbum “Cantor Latino” onde cantou temas de Rui Veloso, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Tozé Brito, Maria Guinot, João Gil e Rosa Lobato de Faria.
A música Romântico foi o seu último grande êxito.
A sua voz, alternada por vezes com uma respiração mais ofegante, não o impediu de gravar mais de 70 álbuns e ter mais de 100 singles, um número impressionante para a altura. Note-se que até à década de 60 o registo mais usual era o EP com 3 a 4 canções.

  • Tony de Matos recebeu Prémio da Imprensa (1964), ou Prémio Bordalo, como na categoria de “Música Ligeira”,
  • Recebeu o Prémio da Imprensa (1968), o seu segundo, desta vez na categoria de “Fado”.

A título de curiosidade, a sua última companheira foi a fadista Lídia Ribeiro, mãe de Teresa Guilherme.
Nostálgico por natureza, gostando de recordar memórias de outros tempos Tony de Matos eternizou muitas canções que ficaram imortalizadas deixando saudades devido ao seu timbre de voz muito próprio e à sua presença em palco.
Tony de Matos morreria a 8 de Junho de 1989, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de cancro.

Playlist:

Tony de Matos – Cartas de amor
Tony de Matos – O rosa
Tony de Matos – Agora Choro a vontade
Tony de Matos – Eu tão só
Tony de Matos – Lado a lado
Tony de Matos – Morreu um poeta
Tony de Matos – O que sobrou da mouraria
Tony de Matos – Procuro e não te encontro
Tony de Matos – Romântico
Tony de Matos – Sei esperar
Tony de Matos – Vida nocturna
Tony de Matos – Caminhamos Sós
Tony de Matos – Destino marca a hora
Tony de Matos – Vou trocar de Coração
Tony de Matos – Vocês Sabem Lá




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