Mi-Fá-Dó-Sol | 29 Mai 2019

Carlos Reis e Dino Marques

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 22 Mai 2019

Artista em Destaque: Aldina Duarte

Aldina Maria Miguel Duarte nasceu em Lisboa, em 1967. Cresceu num bairro social em Chelas. Com 20 anos começou a trabalhar num jornal, depois numa estação de rádio e, mais tarde, foi monitora num curso de formação profissional do Centro de Paralisia Cerebral.
Aldina Duarte chegou tarde ao fado. Ou, talvez seja mais acertado dizê-lo, não chegou com a idade com que hoje se celebram as novas vozes, augurando-lhes grandiosos futuros quando ainda mal se cruzaram com a vida. Por isso mesmo, a sua aprendizagem depois da epifania de ouvir Beatriz da Conceição a dois passos fez-se com outro fundo, uma bagagem emocional sólida e uma maturidade pessoal que nunca a fez cair num registo de excessos. Pelo contrário, Aldina não tem ponta de histrionismo no seu canto, não procura impressionar de forma gratuita, antes canta buscando em cada palavra a sua verdade absoluta e o autêntico espelho daquilo que lhe vai na alma.
Com 24 anos conheceu o Fado como já aqui dissemos, através de Beatriz da Conceição. Jorge Silva Melo solicitou-lhe que entrevistasse a fadista para um documentário que estava a realizar. Foi com este contacto que a visão de Aldina sobre o Fado se transformou, como a própria revelou no seu site pessoal: ”Fiquei apaixonada por tudo o que ouvi, pedi-lhe conselhos, falou-me de tudo o que é mais importante no fado. Quis ser fadista. Passei dias a ouvir muitos discos de fado, noites a ouvir muitos fadistas, meses a ler e a decorar poemas.”. O seu primeiro espetáculo foi para os funcionários do Centro de Paralisia Cerebral onde era monitora.
Em 1992, Aldina Duarte faz uma aparição no filme Xavier, realizado por Manuel Mozos, para o qual interpreta A Rua do Capelão, filmando na rua da Mouraria, onde os moradores a aplaudiram de tal forma que teve de repetir o Fado apenas para eles.
No ano seguinte canta na peça Judite, Nome de Guerra, de Almada Negreiros, encenada por Germana Tânger, no Teatro S. Luís. Foi a primeira vez que se apresentou em palco para cantar Fado. De seguida participou na programação de Noites de Fado, das Festas de Lisboa, que decorreu aos fins-de-semana na Casa do Registo da Mãe d’Água.
Em estreita colaboração com o encenador João Mota e Paulo Anes, Aldina Duarte criou as Noites de Fado no Teatro da Comuna, onde foram convidados fadistas e atores que faziam leituras de poetas portugueses, casos de Beatriz da Conceição, Manuel de Almeida, Maria da Nazaré, Carlos Paulo e Manuela de Freitas. Nesse ciclo de eventos a fadista trabalhou com Camané, com quem posteriormente casou e viveu 10 anos, ajudando-o na escolha de repertórios para os seus discos.
Em 1995 e 1996, por convite do guitarrista Mário Pacheco, integrou o elenco permanente da casa Clube de Fado. E, desde 1997, passou a atuar na casa de Fados de Maria da Fé, o Sr. Vinho.
A sua primeira deslocação a Itália surge por convite do Teatro Piccolo de Milão, para cantar numa peça sobre a vida de Fernando Pessoa, Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa, escrita por António Tabucchi.
Em 2004, Aldina Duarte editou o seu primeiro trabalho discográfico pela EMI. Apenas o Amor foi aplaudido pela crítica e destacava-se por integrar 8 poemas inéditos da fadista nos 12 temas interpretados.
Após o lançamento deste álbum, Aldina inicia uma série de espetáculos de divulgação do seu disco em Portugal e no estrangeiro, dos quais destacamos, no ano de 2004, as atuações no Centro Cultural de Arzila, em Marrocos e novamente no Teatro Piccolo de Milão.
No ano seguinte, 2005, prossegue a realização de concertos em Viena de Áustria, Espanha, Itália , Holanda , França  e em território nacional, no Castelo de Sines, na Casa da Cultura de Beja, na Culturgest e nas Festas da Cidade de Loures.
O mercado discográfico acolhe, em 2006, novo disco de Aldina. De título Crua, este álbum reúne 12 poemas de João Monge interpretados sobre músicas do Fado Tradicional.
Nesse mesmo ano a fadista atua em França e faz uma digressão em território nacional, com espetáculos no Teatro da Luz, no Maxime, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na 5ª Gala do Fado do Casino Estoril, no Pavilhão Rosa Mota do Porto, na Festa do Fado do Castelo de S. Jorge, no Grande Auditório da Casa da Música do Porto e no Grande Auditório da Culturgest, e, ainda, no Festival Sons em Trânsito no Teatro Aveirense e no Teatro Viriato em Viseu.
A 1 de Novembro de 2007, integrou o elenco do espetáculo Divas do Fado, apresentado em Londres, organizado pela Fundação Gulbenkian. Ao palco, para além de Aldina, subiram as fadistas Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira e Raquel Tavares. No decorrer desse ano apresentou-se, também, em França, no Teatro Municipal de Faro, no Auditório Municipal de Sines, na 6ª Gala do Fado no Casino Estoril, no Teatro do Campo Alegre no Porto, no Centro Cultural Vila-Flor, em Guimarães, e na Festa do Avante.
Em 2008 foi editado O seu disco, Mulheres ao Espelho.
Dos seus espetáculos de 2008 destacamos as atuações na Casa Fernando Pessoa, na Grande Gala do Fado no Casino Estoril, no Teatro da Batalha no Porto, na Fábrica Braço de Prata, no CAE de Portalegre e em Berlim.
Todas as gravações de Aldina Duarte são acompanhadas por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, e Carlos Manuel Proença, na viola. A fadista procurou manter os rituais que considera “distintos e belos no fado: o xaile preto, o vestido preto, discreto e elegante, o silêncio, a luz baixa” e escolheu interpretar fados tradicionais porque lhe atraiu “a possibilidade de contar histórias diferentes com uma mesma música. (…) É preciso conhecer a base e respeitá-la, sabendo contudo que em termos criativos há um mundo de coisas que podem ser feitas.”
A sua aprendizagem e estudo do Fado são manifestas no respeito e admiração por outras fadistas, patentes, por exemplo, na homenagem que faz a Maria José da Guia, Lucília do Carmo e Hermínia Silva, interpretando temas destas fadistas.
Aldina justifica: “são três fadistas a quem dedico muito tempo a ouvir para aprender a dizer bem as palavras, a dividir bem as frases, a saborear o ritmo e o balanço dos fados… a desvendar as melodias nas suas subtilezas… porque me dão força para avançar no meu caminho, enquanto fadista”
Na Sociedade Portuguesa de Autores estão registados mais de 70 poemas da sua autoria. Para além dos que a própria interpreta nos seus discos, outros fadistas gravaram letras de sua autoria, como é o caso de Camané (À Mercê de uma SaudadeFecho os Olhos p’ra DarDor repartidaPor um AcasoMemórias de um Chapéu, ou Fado da Vendedeira; Joana Amendoeira (Se o Fado não Tem IdadeAcordo AgoraFeitiço dos TemoresSó Deus SabeEstrelas Sem Sentido ou Na Mesma Rua); António Zambujo (A Nossa Contradição); Pedro Moutinho (O medo de Acordar e “Sem Sentir Não Sei Viver) ou Mariza (Malmequer).
Em Setembro de 2009, estreia o documentário Aldina Duarte – Princesa Prometida, realizado por Manuel Mozos a partir de uma ideia original de Maria João Seixas. Este documentário foi apresentado e premiado em diversos festivais de cinema nacionais e internacionais.
O disco Conto de Fados é editado em 2011. Neste trabalho, Aldina Duarte canta letras originais, de vários autores, escritas a partir de obras literárias, portuguesas e estrangeiras adaptadas à métrica e à rima da estrutura poética das melodias do Fado Tradicional. Destaca-se a participação de figuras como Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, José Mário Branco e José Luís Gordo.
Romance (s)  foi editado em 2015. Trata-se de um álbum duplo que incorpora um romance, escrito em verso por Maria do Rosário Pedreira, para as melodias do fado tradicional e uma banda sonora para a mesma história criada pelo produtor musical Pedro Gonçalves, tendo sido considerado pela crítica nacional como o melhor disco do ano.
O seu mais recente trabalho de estúdio – Quando se Ama Loucamente – lançado em 2017, pela Sony Music, é um tributo à escritora Maria Gabriela Llansol. Neste disco, 10 das 12 letras são da autoria de Aldina Duarte, sendo os outros dois poemas assinados por Manuel Cruz e por Maria do Rosário Pedreira. À semelhança do que sucedeu no disco anterior, a produção ficou a cargo de Pedro Gonçalves.
Aldina Duarte é autora de diversos projetos de difusão do Fado, entre eles o ciclo de conferências-debates A Cantar e a Contar, realizado no Centro Cultural de Belém, ou as oficinas Fado para Todos, promovidas pelo Museu do Fado, e a série de entrevistas Fados e Tudo, em exibição online na página do Museu do Fado, tendo este último projeto dado origem a um ciclo de espetáculos no Teatro Municipal de São Luiz, sob a sua coordenação.

“A textura da voz, a intenção da leitura,  a respiração que toma as rédeas do peito e que respira quando nós nos sustemos, a força telúrica capaz de devolver à terra tudo o que à terra pertence, o drama e a dádiva, principalmente a dádiva das coisas simples e eternas da vida, é que me levam Mar adentro. Se tudo isto é fado, tudo isto é Aldina!”

João Monge

Playlist:

Aldina Duarte – O Amor Não se Desata
Aldina Duarte – Muro Vazio
Aldina Duarte – Antes de Quê
Aldina Duarte – Fado Com Dono
Aldina Duarte – Anjo Inútil
Aldina Duarte – Apenas o Vento
Aldina Duarte – A Estação das Cerejas
Aldina Duarte – Casa Mãe Cidade
Aldina Duarte – Nada Mais na Noite
Aldina Duarte – Luas Brancas
Aldina Duarte – O Cachecol do Fadista
Aldina Duarte – M. F
Aldina Duarte – Ai Meu Amor se Bastasse
Aldina Duarte – Que Amor É Este
Aldina Duarte – Princesa Prometida




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