Mi-Fá-Dó-Sol | 3 Jun 2020

Carlos Reis e Dino Marques

 

 

Programa: Mi-Fá-Dó-Sol

De:  Carlos Reis e Dino Marques

Emissão: 3 de Junho 2020

Descrição: Programa inteiramente dedicado ao Fado. Realizado por intérpretes do género musical, Mi-Fá-Dó-Sol foca-se na divulgação de artistas e eventos, sem deixar de lado a história e as curiosidades de tão importante património português!

Destaque:  Mafalda Arnauth

Teresa Mafalda Nunes Arnauth de Figueiredo nascida em Lisboa a 4 de outubro de 1974

e formada em Medicina pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa é uma fadista portuguesa.

Mafalda Arnauth nunca exerceu o curso em que se formou, pois optou por uma carreira artística e é inevitavelmente um dos nomes incontornáveis do “Novo Fado”. A sua carreira tem início em 1995, ao aceitar o convite de João Braga para participar num concerto seu no Teatro de São Luís em Lisboa.

A sua paixão pela música faz-se sentir desde pequena, sem nunca ter, apesar disso, aspirado a ser artista. Não obstante, o mundo do espetáculo acaba por conquistá-la ainda na faculdade.

Por um mero acaso, Mafalda Arnauth descobre-se subitamente transportada para o mundo dos palcos, dos ensaios e das casas de Fado.

Com a frescura característica de uma voz jovem, cativa primeiro pela espontaneidade e pelas memórias despertas com as suas reinterpretações de sucessos antigos. Depois, faz crescer a chama até desabrochar em pleno fogo, emprestando ao Fado a sua própria natureza, personalidade e composições originais, revelando-se de uma forma mais verdadeira.

Em 1997, em Paris, está presente num Encontro Internacional de Poesia onde interpreta vários temas de Camões, Fernando Pessoa e Pedro Homem de Mello. No mesmo ano desloca-se a Londres atuando ao lado de Argentina Santos e Carlos Zel. Ainda em 1997 está presente em Frankfurt, juntamente com Hélder Moutinho, numa Semana dedicada a Portugal e organizada pela Associação Cultural Portugal-Frankfurt.

Em 1998 desloca-se a Paris para um concerto em direto para a Rádio Alfa. Destaque para a presença na Expo-98 em diversas atuações – no Palco do Fado durante a primeira semana de Fado, no Palco do Jazz em dois espetáculos integrados no projeto “Novas Vozes de Um Fado Antigo” e no mesmo palco mais duas atuações no projeto “De San Telmo à Mouraria – Fado e Tango”. Ainda em 1998 participa no maior Festival que se realiza na Alemanha dedicado às Músicas do Mundo, representando o fado juntamente com Hélder Moutinho.

A voz única de Mafalda Arnauth – e a sua forma também única de estar no Fado – não poderia deixar de cativar e seduzir o universo discográfico. Assim seu primeiro álbum, homónimo, “Mafalda Arnauth” (1999), granjeia a Mafalda Arnauth, aos 24 anos, o Prémio Revelação do Semanário “Blitz”, este sucesso chega já recheado de composições suas, graças ao estímulo do produtor, João Gil.

No ano seguinte, é nomeada na categoria de melhor intérprete para os “Globos de Ouro” da SIC – e a popularidade cresce tanto quanto a responsabilidade.

A estreia num concerto em Lisboa acontece finalmente em setembro de 2000.

Em março de 2001, Mafalda Arnauth edita simultaneamente em Portugal e na Holanda o seu segundo trabalho discográfico, “Esta Voz Que Me Atravessa”. O disco conta com a produção de Amélia Muge e José Martins, que dirigem Ricardo Rocha na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes na viola e Paulo Paz no contrabaixo. Inspirado na poesia de Hélia Correia e na musicalidade genial de Fausto Bordalo Dias, traduz um profundo crescimento artístico da cantora.

Em outubro de 2001, Mafalda Arnauth realiza o segundo concerto em Lisboa, na imponente sala da Culturgest, marcando o início de uma tournée por várias capitais da Europa.

É uma artista ainda mais rica e madura, aquela que regressa a Portugal, desta feita à Cidade Invicta.

Em 2003, assumindo a produção do seu terceiro disco, “Encantamento”, a artista abandona quase por completo a fatalidade, a desgraça e a sombra normalmente associadas ao Fado. A tristeza serve-lhe de alimento para a esperança; os sofrimentos, de inspiração; as dificuldades, de força e alento.

Desde o lançamento de “Encantamento”, Mafalda Arnauth realiza cerca de 60 concertos em Portugal e, lá fora, em Itália, Holanda, Bélgica, França, Grécia, Macau, Suécia, Turquia, Reino Unido e Espanha.

Destes, a atuação para si mais marcante é em Amesterdão, na Holanda, para 2400 espectadores, pela importância e dimensão do concerto e por se tratar de uma das cidades mais prestigiadas da Europa.

Após o lançamento de “Talvez se Chame Saudade – O Melhor de Mafalda Arnauth”, prepara-se para Outubro de 2005 um novo álbum de originais: um disco que abrange todas as inspirações da sua vida, composto pelas influências dos relacionamentos, o encontro com pessoas que a marcaram, as referências artísticas (Amália, Bethânia, Aznavour, Piazzolla…), o seu percurso pessoal, as parcerias e a sua filosofia de vida, atitude e visão, opções, dúvidas e inquietações…

Em novembro de 2005, “Diário” – o concerto está no Centro Cultural de Belém saudado pela crítica e fãs e onde Mafalda ganha progressivamente relevo como autora e compositora.

Com este álbum e concerto determinantes, firma-se também um dos grupos musicais de maior referência na carreira da artista: Paulo Parreira na guitarra portuguesa, Luís Pontes na guitarra clássica, Ricardo Cruz no baixo acústico e um convidado particularmente especial, Ramón Maschio, músico e compositor argentino.

Ainda no ano de 2005, pisa os palcos de Ceuta, Sevilha, Itália e Açores.

A tournée no Benelux, no início de 2006, acompanhada da edição do novo álbum no referido território, dá o mote para o que viria a ser marcante nesse ano. Em poucos meses, Mafalda Arnauth apresenta-se na Costa Rica, Angola, Espanha, Tenerife, e participa no Uruguai no concerto integrado na Cimeira Ibero Sul-Americana.

No ano de 2007, o álbum “Diário” é editado em Espanha e França e faz-se seguir de tournées nos mesmos territórios, salientando-se em particular o concerto de lançamento oficial do disco em Paris, na Cité de lá Musique, uma das salas de maior referência da Europa.

Também em 2007, a artista é convidada a participar num espetáculo especial em Homenagem a Piazzola, sob a direção de Daniel Schvetz, cantando em estreia absoluta alguns dos maiores temas do Tango Argentino.

É neste período que tem início a criação do concerto “Flor de Fado”. A sensibilidade inerente ao próprio título denuncia uma intenção clara de se impregnar a realidade da artista do carisma próprio das flores: únicas, particulares, sensíveis, símbolo de beleza. A procura de melodias cativantes e fortes, de uma expressão cada vez mais emotiva, real e transparente, de uma definição cada vez mais clara da musicalidade fadista e não só da artista, são alguns dos pontos incontornáveis nesta preparação.

Em setembro de 2008, o disco “Flor de Fado” realça a colaboração de Luís Pontes e Ramón Maschio como compositores e arranjadores. A este núcleo junta-se Fernando Júdice no baixo acústico, Ângelo Freire na guitarra portuguesa e Davide Zacaria no violoncelo. Numa parceria única, surge um tema de Olivia Byington com poesia de Tiago Torres da Silva, interpretado pelas duas cantoras num perfeito espírito de tertúlia. Também de salientar a estreia de Mafalda Arnauth na interpretação de um tema de Ernesto Leite, na poesia de Tiago Torres da Silva, sendo “O Mar Fala de Ti” uma das pérolas de emoção e arrepio deste disco.

Em outubro dá-se o concerto no Centro Cultural de Belém. O momento é de indescritível reencontro com o seu público e de celebração pura.

A par com o processo de criação do álbum, Mafalda Arnauth dá continuidade a diversos projetos para os quais tem sido solicitada.

Intérprete do genérico do remake da primeira novela portuguesa, “Vila Faia”, tem ainda um tema do novo álbum integrado na banda sonora, “Amor Abre A Janela”, de Tiago Torres da Silva e Luís Pontes.

É também convidada a participar num projeto do músico basco Kepa Junquera, interpretando temas da canção tradicional basca na sua versão original.

A agenda de concertos prossegue igualmente intensa e com marcos importantes a referir, tais como Bozar, na Bélgica, o regresso à Holanda, três concertos em Itália no seguimento do lançamento do álbum “Diário” neste território, sendo de destacar o último concerto em Roma, numa das mais prestigiantes salas do País, e finalmente a viagem a São Paulo para estreia absoluta numa das salas mais emblemáticas do Brasil, o Bar Baretto, onde têm atuado alguns dos maiores nomes da Música Popular Brasileira.

Integrado na Festa do Fado, em junho de 2008, em Lisboa, Mafalda Arnauth apresenta um concerto a estrear para o efeito que tem por título “Clássicos, Standards e Raridades”.

Em agosto acontece o encontro com Pablo Milanês em SOS de los Reys Católicos, partilhando com o célebre cantor cubano o palco e um dos seus temas de maior referência “Para Vivir”.

Num ano de encontros, Milladoiro, o grupo galego, vem coroar da melhor forma a celebração da música além-fronteiras.

Convidada a participar no disco do grupo, “A Quinta das Lágrimas”, Mafalda Arnauth dá assim início à participação numa série de concertos do grupo.

Até ao final do ano de 2008, tem tempo ainda para a participação num concerto em Londres, e ainda no concerto de Homenagem a Totoio Cotunho, o grande tocador de timple das Canárias.

2009 começa da melhor forma com a presença em Itália num dos programas de televisão mais célebres, seguido de um reconhecimento do trabalho da artista pela imprensa Italiana que culmina, no final desse ano, com o lançamento do último álbum neste território.

“Flor de Fado” é também lançado em França, em abril de 2009, no Les Trois Baudets, sala onde os grandes artistas da Música Francesa tiveram também, durante muitos anos, as suas próprias estreias.

Há ainda uma breve tournée na Finlândia, uma visita ao Canadá e a edição do álbum “Flor de Fado” em Espanha.

2009 despede-se das viagens, em beleza, com uma muito aguardada tournée de “Flor de Fado” na Holanda para cinco concertos em diversas cidades.

2009 é também momento para outros projetos, com a participação da artista no disco “Rua da Saudade – Canções de Ary dos Santos”, num encontro com Luanda Cozetti, Susana Félix e Viviane, para recordar o extraordinário poeta José Carlos Ary dos Santos.

No ano de 2010, Mafalda Arnauth apresenta-se em Itália, país onde cada vez mais alcança uma grande notoriedade e onde regressa em agosto e outubro.

Entre vários concertos, realce para a passagem pelas Ilhas Canárias, Zimbabué, no conceituado Festival HFA, e para a apresentação nos Coliseus do Porto e Lisboa com o projeto “Rua da Saudade”.

Integra também o Festival dos Oceanos, em Lisboa, e regressa ao memorável Grande Auditório de Amesterdão, para uma audiência com mais de 2000 pessoas.

Nesta celebração da sua herança, 2010 é o ano ideal para a revelação do novo trabalho da artista: sempre com espírito criativo e com algo de muito pessoal para transmitir ao público, o álbum “Fadas, editado em Outubro de 2010, é claramente um reencontro com o Fado que a rodeia, que assume cada vez mais como inspiração e onde urge ir beber inspiração. Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Fernanda Baptista, Celeste Rodrigues e Beatriz da Conceição são apenas algumas das referências. Tudo isto, a juntar a uma surpreendente versão de um tema de Ástor Piazzolla, com letra de Eládia Blasquez, e a um original com letra de Tiago Torres da Silva e música de Francis Hime.

“Fadas” é editado em Itália, em Abril de 2011, onde mais três concertos acontecem. França, Reino Unido, Finlândia, Marrocos e Espanha são os destinos que se seguem, intercalados com momentos que provam que o Fado acontece nos locais mais inesperados, sendo de destacar, além da participação como convidada especial em espetáculos de Marco Rodrigues, Rui de Luna, os Anjos e os Corvos, o regresso à “Festa do Fado” e a atuação no “Algarve 2011” com os SHOUT! para um espetáculo completamente novo e memorável.

E eis que, em finais de novembro de 2011, surge finalmente uma das notícias de maior glória para o Fado: elevação a Património Imaterial da Humanidade. Tendo desde sempre sido uma voz firmemente convicta da possibilidade e validade desta distinção, Mafalda Arnauth celebra este momento com todos os que dele tomam parte e integra todas as manifestações de orgulho e contentamento, não podendo por isso deixar de participar na Gala – Fado Património da Humanidade no Coliseu dos Recreios.

Do encontro com o músico argentino Ramón Maschio acontece, no início de 2012, “O Mar Fala de Ti – História de um Encontro”, uma série de concertos únicos que contam com o pianista Hélder Godinho e alguns convidados especiais.

Em 2012 é lançado o álbum “Fadas” na Argentina, Uruguay, Paraguay e Chile. O Teatro Coliseo em Buenos Aires recebe a “Fadista Positiva” como lhe chamou o jornalista de um dos mais importantes jornais da Argentina, o “La Nacion”.

“Fadas” é também tempo para duetos: Marco Rodrigues, José António Rodríguez, Per7ume, Rui de Luna e Juan Carlos Cambas são alguns dos músicos com quem Mafalda Arnauth se cruza neste momento da sua carreira.

Em 2013 Mafalda lançou o disco, Terra de Luz. O disco inclui um dueto com Hélder Moutinho e uma versão de uma música dos Heróis do Mar. “Partiu de Madrugada”, com autoria de Nuno Figueiredo, é o single de apresentação do CD, cujo lançamento foi no dia 21 de outubro de 2013.

No mesmo ano de 2013, Mafalda Arnauth canta com o cantautor italiano Mariano Deidda o tema «Mare Portoghese» – cuja letra é a tradução italiana do poema «Mar Português» de Fernando Pessoa – no álbum do próprio Mariano Deidda intitulado Mensagem, que homenageia o homónimo livro de Pessoa de 1934.

Regressando a Portugal depois de uma das mais longas ausências do território nacional, Mafalda Arnauth prepara-se para diversos momentos de partilha com outros artistas.

Em maio, dá-se a viagem de regresso a Buenos Aires para apresentar dois concertos com direção de Ramón Maschio e partilhar o palco com Pedro Aznar, numa memorável versão de “Foi Deus”, um dos maiores sucessos de Amália Rodrigues.

Logo em seguida, apresenta-se no Teatro Nacional de São Carlos, juntando-se a Carminho, Camané e Carlos do Carmo, todos soberbamente acompanhados pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direção do Maestro Vasco de Azevedo.

É também em 2013 que participa no álbum de comemoração dos 50 anos de carreira de Carlos do Carmo, cantando com o próprio o tema “Nasceu assim, cresceu assim”, da autoria de Vasco Graça Moura e Fernando Tordo, integrando assim um dos álbuns mais emblemáticos do cantor, todo ele composto por duetos com alguns dos nomes de maior relevância da mais recente geração do Fado.

A par com um ano de experiências com outros artistas, 2013 é também o ano do regresso a estúdio e de preparação de um novo álbum, depois de 3 anos sem editar. Sob a produção de Tiago Machado e num retorno pleno à composição e criação de um estado de alma manifesto em 12 temas, grande parte deles da sua autoria, Mafalda Arnauth completa um ciclo de 15 anos de edições de discos amplamente dedicados ao Fado, mas também à sua visão das fronteiras do mesmo, sendo este um dos seus álbuns menos tradicionais, se não mesmo o que sai do âmbito do Fado, mantendo no entanto as fontes de inspiração que sempre caracterizaram esta fadista que gosta de cantar e revelar a sua visão da Vida pelas próprias palavras e sons.

Ainda em 2013 Mafalda lançou o disco, Terra de Luz. O disco inclui um dueto com Hélder Moutinho e uma versão de uma música dos Heróis do Mar. “Terra da Luz” marca um momento de criatividade e descoberta pessoal e a clara intenção desta artista, em permanente evolução, de dar algo mais ao seu público e, sobretudo, de oferecer uma alternativa através de uma mensagem manifestamente construtiva e luminosa, como algo em que decorre do seu percurso pessoal e em que acredita profundamente.

“Partiu de Madrugada”, com autoria de Nuno Figueiredo, é o single de apresentação do CD, cujo lançamento foi no dia 21 de outubro de 2013.

Para o ano de 2014 reservam-se as viagens a esta “Terra da Luz”, em concertos e apresentações das mais diversas, que culminarão com a celebração, no final do ano, de 15 anos de carreira discográfica.

 

Playlist:
Mafalda Arnauth – Fado Arnauth
Mafalda Arnauth – Ai do vento
Mafalda Arnauth – As Fontes
Mafalda Arnauth – Cavalo à solta
Mafalda Arnauth – Bendito Fado, Bendita Gente
Mafalda Arnauth – Canção
Mafalda Arnauth – Esta voz que me atravessa
Mafalda Arnauth – Chorar de Alegria
Mafalda Arnauth – Da Palma da Minha Mão
Mafalda Arnauth – Da Solidão
Mafalda Arnauth – Foi Deus
Mafalda Arnauth – Meu Amor De Antigamente
Mafalda Arnauth – Não há fado que te resista
Mafalda Arnauth – Ora vai

 



Publicação:
Bruna Rodrigues
Foto(s): Direitos reservados




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