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107 anos depois, a edição do Jornal “João Semana” tornou-se incomportável. Quinzenário foi suspenso

Escrito por em 08/04/2021

O quinzenário ovarense “João Semana”, após 107 anos de existência, viu-se obrigado a suspender a sua edição por tempo indeterminado. Um défice financeiro crescente, amplificado pelas dificuldades acrescidas com a pandemia Covid-19 levaram a essa decisão, após uma tentativa desesperada de arrecadar apoios locais num curto espaço de tempo.

Propriedade da Fábrica da Igreja de Ovar, o jornal teve como Diretor e grande entusiasta, ao longo de décadas, o Padre Manuel Pires Bastos, que faleceu em novembro do ano passado, vítima da pandemia Covid-19.


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No decorrer do seu longo percurso, o “João Semana” foi pautado por uma fase inicial de informação eminentemente paroquial, que foi evoluindo com o passar do tempo para um conteúdo misto, mais apelativo aos tempos ditos modernos e deveras singular.

Aperto financeiro foi sempre uma realidade do quinzenário que, já noutros tempos, sentira o amargo de reduzir as suas edições a metade, tendo então passado da periodicidade semanal para quinzenal, numa tentativa de reduzir custos.

O sacerdote Victor Pacheco, nomeado administrador temporário da Paróquia de S. Cristóvão de Ovar pela Diocese do Porto, ainda durante o mês de novembro de 2020, assumiu por inerência a direção do órgão de comunicação social.

Inteirando-se de toda a situação vivida pelo quinzenário no mês de dezembro, já depois do seu antecessor ter ido a sepultar, o novo Diretor lançou um apelo à comunidade, através de uma carta que foi distribuída juntamente com o jornal.

A mensagem era clara: o periódico precisava urgentemente de apoios e de novos assinantes. A situação financeira era grave, com o “João Semana” a forçar a Paróquia a “encargos incomportáveis”.

Volvidos três meses a situação foi reavaliada e, lamentavelmente, como exposto na última edição do próprio jornal, a resposta ao apelo foi “insignificante e as tentativas para angariar um maior apoio publicitário foram pouco expressivas”.

Victor Pacheco explicou que as elevadas despesas de manter a atividade jornalística, desde a impressão das seis páginas do jornal, até à renumeração dos dois profissionais da equipa fixa de redação não poderiam mesmo ser suportadas pelas coletas realizadas na Igreja, essas mesmo também enfraquecidas pelas dificuldades acarretadas pelas normas impostas pelos sucessivos Estados de Emergência. Para mais porque o desvio dessas curtas oferendas para suportar o jornal acabaria por desvirtuar o verdadeiro sentido das mesmas…

Admitindo que a público alvo do quinzenário foi envelhecendo, verifica a necessidade de atrair novos leitores, sendo um desejo de Victor Pacheco voltar com as edições do “João Semana” após um processo de reformulação, em novos moldes, com conteúdos mais diversificados e apelativos e com presença nas plataformas digitais e nas redes sociais.

Confirmando que estão a ser desenvolvidos contatos com empresas e entidades com responsabilidade e peso no concelho, tentando encontrar soluções para enfrentar as fragilidades financeiras, o novo Diretor do jornal não se compromete com nenhuma data para o seu regresso.

Na última edição do periódico (15 de março de 2021), notificava mesmo os assinantes que já tinham pago a subscrição do presente ano, indicando que poderiam pedir o reembolso do período em que não irão receber o jornal. A Rádio AVfm conseguiu ainda apurar, de fonte próxima, que os vínculos de trabalho dos profissionais responsáveis pela redação do “João Semana” foram objeto de rescisão.


Fotos: Direitos Reservados
Texto: Irina Silva

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