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Ovarense «cai no vendaval» e Artur Marques «cai em cima da equipa»

Escrito por em 13/12/2017

Taça de Aveiro e penáltis parece ser uma combinação que não quer nada com a AD Ovarense. Na época passada, a equipa de Artur Marques caiu da marca dos 11 metros em Milheirós de Poiares. Este ano, em jogo da 3ª eliminatória (a primeira ronda onde entrava a ADO), o destino dos vareiros foi pelo mesmo rumo. Contra a JuveForce, o 1 x 1 registado em Ponte de Vagos não deixou nenhuma das formações fazer a festa nos 90 minutos regulamentares. E, no derradeiro desempate das penalidades, a Ovarense não teve frieza e perdeu por 4 x 1 contra os comandados de António Luís, conjunto que só permitiu uma parada ao guardião Samuel Biscaia.

Foi uma tarde de temporal e as condições para a prática do futebol eram quase nulas no Campo José Maria Neto. No entanto, perante uma equipa que milita na 1ª Divisão Distrital e que ocupa apenas o 12º lugar da classificação, pedia-se mais a esta Ovarense. Facto é que os alvinegros nunca estiveram confortáveis no jogo e demoraram a adaptar-se. A apatia foi especialmente notória no primeiro tempo, altura em que o guarda-redes vaguense, Beto, raramente foi chamado a intervir.

Do lado contrário, foi precisamente na baliza da Ovarense que se registou a maior surpresa no onze de Artur Marques. Nuno Crujeira foi o dono das luvas e fechou a retaguarda de um conjunto sem poupanças: Parreira, Jonas, Fábio Pereira e David Rocha; Dayo Femi, André Felix e João Paulo; Filipe Lírio, Tigas e Mário Jardel. Crujeira foi também o homem mais azarado da partida e, ao intervalo, cedeu o seu lugar ao já referido Biscaia por causa de uma lesão.

Ainda assim, e olhando aos restantes titulares lançados no sintético, podia esperar-se uma Ovarense a conseguir ultrapassar as poucas tréguas dadas pela tempestade Ana e pelo vendaval que teimava em ser figura de proa no desafio. Com poderio físico em todos os setores e com uma equipa habituada a jogar nas divididas e em choques aéreos, os visitantes adotaram uma abordagem mais direta e o esférico andava quase sempre a voar.

Mas foi mesmo a JuveForce, do alto das suas «rodas baixas», a controlar as operações. Jogando a favor do vento, a equipa estancou as investidas contrárias e teve o domínio territorial. O avançado Brian, melhor marcador da equipa no campeonato, foi sempre o maior perigo apontado à baliza da Ovarense.

Mesmo assim, pertenceram ao conjunto vareiro as melhores chances da primeira parte. Aos 36′, David Rocha cobrou uma bola parada em remate e ainda gerou a sensação de golo nos Fans 1921 – a redondinha foi à malha lateral. Depois, aos 44′, Jardel lançou Tigas com um passe de mestre, mas o camisola 10 deslumbrou-se e, isolado, disparou ao lado quando tinha tudo para faturar.

Um primeiro tempo atípico e cheio de peripécias. Houve muitas paragens para assistência de jogadores e Jean, adjunto de Artur Marques, recebeu ordem de expulsão do banco de suplentes alvinegro. Com 45 minutos e mais 5 de compensação jogados, só faltavam mesmo os golos e a chuva para que a «festa» ficasse completa. E não é que ambos chegaram logo no reatar?

A saraivada de água começou no descanso, logo alagou o Campo José Maria Neto e, pelos vistos… também a defesa da Ovarense. Aos 51′, Brian lançou-se num slalom e quando parecia que já não ia ter sucesso, Pereira e Jonas desentenderam-se na interceção e o ponta de lança aproveitou para rematar em folha seca. O esférico só parou nas redes de um Biscaia que, acabado de entrar, não teve hipóteses.

A perder, a Ovarense tinha mesmo de fazer pela vida. Nesta fase, tornou-se uma equipa ligada à corrente e, para isso, contribuiu a entrada de Rena (saiu Felix) aos 56 minutos. O dianteiro foi colocar-se ao lado de Jardel no ataque à baliza de Beto e teve uma oportunidade flagrante na primeira vez que tocou na bola, aos 58′. Dentro da área e em posição frontal, preferiu tentar o drible sobre o guarda-redes em vez de rematar e, como prémio, ganhou apenas um canto.

Já com Zé Pedro no meio campo e Lírio do lado de fora, a Ovarense voltaria a criar um calafrio à JuveForce através de uma bola parada. Aos 69′, Jardel cavou a falta à entrada da área e, na cobrança, Tigas teve pontaria a mais. O remate do extremo era indefensável, mas o poste traiu a ambição da ADO. Era, no entanto, o pronúncio do que estava para vir.

Aos 79′, recorrendo a outra bola parada, a Ovarense conseguiu mesmo chegar ao golo quando este já era mais do que justificado. Num canto apontado à direita, Pereira teve arte para emendar ao segundo poste com a ponta de bota e, sem perder tempo, mal se deu aos festejos. A Ovarense tinha o empate na mão mas queria mais.

Só que o «mais» nunca chegou e, com um empate no placard, restavam as grandes penalidades para tirar as teimas desta eliminatória. Aqui, a fava saiu mesmo aos vareiros e a Ovarense caiu, de forma inglória, com um 4 x 1 que arrumou a questão.

Os penáltis foram um suplício para os homens de Artur Marques: David Rocha bateu para a esquerda, Beto adivinhou o lado e segurou; Rena foi com tudo para a malha direita, mas o poste negou-lhe o golo; Jardel ainda deu uma alegria aos adeptos quando converteu a terceira penalidade; Biscaia deixou tudo em aberto ao também defender um remate da JuveForce; mas, logo de seguida, Zé Pedro falhou contra Beto e fez antever uma despedida sem glória para a sua equipa. Algo que se confirmou quando o defensor da casa, Henrique, fechou a contagem e atirou a JuveForce para a 4ª ronda da Taça de Aveiro PECOL.

Tigas, o habitual marcador das grandes penalidades da Ovarense, não foi chamado à ação –  algo que não deixa de ser relevante. A verdade é que 3 dos 4 marcadores escolhidos não conseguiram ultrapassar a pressão e permitiram a Beto duas defesas (para além da bola ao poste) que fizeram dele o herói mor da partida.

O «puxão de orelhas» de Artur Marques não tardou e, aos microfones da AVfm, o técnico não alinhou na defesa dos atletas (como já aconteceu noutras derrotas) e criticou a atitude sobranceira do seu conjunto. Pelo mesmo diapasão alinharam também os adeptos, principalmente os Fans 1921. Da bancada assobiaram os seus jogadores e, na página do Facebook da claque, pediram respeito e falaram de uma «lamentável falta de crer, atitude, união e humildade

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as entrevistas aos técnicos:

  • Artur Marques – Treinador da AD Ovarense

 

  • António Luís – Treinador da JuveForce ADC Ponte Vagos

 

Prevê-se semana de trabalho complicada para uma Ovarense que ainda há pouco tempo saiu de uma crise de resultados. A equipa não está em posição de conceder vitórias quando – como neste jogo – tem o favoritismo para as alcançar. O que todos desejam é que, à custa desta desaire, tenham aprendido a lição.

Certo é que, para este ano, a Taça já lá vai. Há que virar o foco para a manutenção no Campeonato Safina e, já no próximo domingo, o compromisso passa pelo Bolhão, em Fiães. A Ovarense terá pela frente um adversário direto e, já sem o vendaval climatérico de Ponte de Vagos, espera-se também que a equipa atire para trás esta réplica do vendaval desportivo que assolou os alvinegros em Setembro e Outubro.

 


Fotos: Pedro Silva
Texto: Pedro Silva
Áudio: Jaime Valente

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