SC Esmoriz de pé firme voa com um Rúben de «cabeça no ar»

Por em 29/11/2017

No dicionário dos adágios, a sabedoria popular diz que «não há duas sem três.» Mas, na Barrinha, pode já apregoar-se um «não há cinco sem seis.» É que, olhando a um SC Esmoriz de pedra e cal no ataque aos lugares cimeiros do Campeonato Safina, vemos um conjunto que venceu por 6 vezes na prova e; por 6 vezes, triunfou com uma vantagem mínima: 1 x 0 ou 2 x 1.

Desta feita, em jogo a contar para a 11ª jornada, a vítima foi o SC S. João de Ver e, graças a um cabeceamento com selo de golo de Rúben Pereira, o 1 x 0 foi alcançado. Algo que foi suficiente para que os esmorizenses ultrapassassem um adversário de peso e que chegava a este encontro no 4º lugar da tabela classificativa. Os «malapeiros» de Ricardo Maia não perdiam desde Setembro mas, como tantos outros, também não passaram no teste da Barrinha.

Narciso Ratinho abordou a partida com inteligência e lançou um Esmoriz com os pés bem assentes na terra. Ainda que sem deixar de procurar os 3 pontos depois de dois empates consecutivos, esta era uma equipa atenta ao ataque visitante e, em especial, às referências Rúben Gomes e Zé António.

O onze dos Guerreiros registou apenas uma alteração em relação ao que tinha sido lançado, na semana passada, em Estarreja. John Moses regressou à ala direita do ataque e sentou João Alves no banco de suplentes. De resto, nenhuma surpresa: Renato na baliza; João Dias, Rúben Pereira, Ruca e Breno Oliveira na defesa; Fábio Gonçalves, Filipe Leite e Pedro Godinho no meio campo; e Kenneth Kalunga, Raphael e o já referido Moses no ataque.

Sob o olhar atento de uma bancada bem preenchida, até foi o S. João de Ver a começar com o pé direito. Os de Santa Maria da Feira aparecerem mais acutilantes e ameaçaram logo aos 6 minutos por intermédio do matador, Zé António. O ex-Milheiroense correspondeu a bom cruzamento de Magolo na direita e só não colocou Renato em apuros porque, no último segundo, viu o pão ser-lhe tirado da boca por um atento Rúben Pereira que desviou o esférico para canto.

O relógio corria já com quase 20 minutos e o Esmoriz ainda não tinha conseguido assentar o seu futebol. Aos 16′, Filipe Leite tentou dar um pontapé na monotonia ofensiva dos seus colegas e alvejou de fora da área – sem sucesso – o guardião Bruno. O lance serviu, ainda assim, para ligar o SCE à corrente…

Kalunga começava a aparecer no encontro e, aos 31′, o zambiano foi o protagonista do momento chave da primeira parte. Lançado nas costas da defensiva do S. João de Ver, meteu a quinta e partiu isolado para a baliza. Em posição frontal, o extremo foi carregado em falta e, na advertência disciplinar, o árbitro António Resende mostrou apenas o amarelo ao defesa visitante, sob um coro de protestos de adeptos que pediam a expulsão. Na conversão do livre, Filipe Leite não acertou com o alvo e o S. João de Ver fugiu do lance com onze jogadores e sem consequências de maior para o seu lado.

O SC Esmoriz estava na sua melhor fase do encontro e nem a chegada do segundo tempo fazia abrandar os comandados de Narciso Ratinho. À passagem do minuto 51, João Dias bateu um canto na esquerda e, na confusão da área, Rúben Pereira conseguiu a emenda de cabeça. A bola viajou por cima, mas a jogada fez antever o que ainda estava por chegar.

Depois, aos 55′, Kalunga apareceu novamente na cara do golo. Aproveitando falha defensiva de Magolo, o jogador do SCE encarou Bruno mas, à saída do guarda-redes do S. João de Ver, não teve arte nem engenho para rematar à baliza com compostura. A bola saiu a rasar a barra.

Sem aparecer nas imediações de Renato durante largos minutos, o S. João de Ver finalmente conseguiu responder e quase gelava a Barrinha por duas vezes. Aos 56′, Zé António dominou bem dentro da grande área e rematou com esforço, mas ao lado. 9 minutos depois, foi Manuel Pinto a tentar a sua sorte com um excelente cabeceamento por entre os centrais esmorizenses. Não deu golo, mas esta foi mesmo a melhor oportunidade dos homens de Ricardo Maia…

Os lances aéreos viriam mesmo a ser decisivos, mas na baliza oposta. Aos 73′, numa bola parada, o Esmoriz iria chegar ao golo. Já com Vando em campo (musculou o ataque com a saída de Moses), foi mesmo Rúben Pereira o herói de serviço. O central teve cabeça para subir ao 3º andar e voar na correspondência a um belo cruzamento de João Dias. Alojou o esférico na malha direita da baliza do S. João de Ver e fez o Esmoriz desamarrar o nó da partida com uma jogada de laboratório pela primeira vez esta temporada!

Até ao fim, Narciso Ratinho ainda chamou a jogo João Alves e Jorginho e, da linha lateral, até viu o seu Esmoriz ser mais perigoso que um desesperado S. João de Ver que já só tentava o chuveirinho e atacava sem grande critério. A 5 minutos dos 90, Fábio Gonçalves fez um cabrito maldoso sobre o adversário e, mesmo de fora da área, sem pedir licença atirou com força para uma defesa apertada de Bruno. Já na compensação, o mesmo Bruno foi chamada à ação para evitar um tento de Filipe Leite que avançou à Maradona por entre os adversários e só não fintou mesmo o homem das luvas.

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as entrevistas aos técnicos:

  • Narciso Ratinho – Treinador do SC Esmoriz

 

  • Ricardo Maia – Treinador do SC S. João de Ver

 

O jogo foi duro mas, por isso mesmo, a vitória tem um sabor ainda mais especial para os esmorizenses. Dentro do campo, o empate talvez pudesse ser um resultado que também assentava bem, mas o Esmoriz pode muito bem viver com essa teoria desde que tenha, como tem, os 3 pontos no bolso.

3 pontos que fizeram a equipa dar um salto na classificação e que a levam a igualar o trio de perseguidores do Lusitânia de Lourosa, líder do Campeonato Safina. Atualmente, tanto Esmoriz como União de Lamas e Beira-Mar têm 22 pontos e estão a 6 dos lusitanistas.

No próximo domingo, essa distância pode ser reduzida com a visita do Esmoriz a Lourosa. Encontro nada fácil e que tem ainda o condimento de colocar frente a frente o Esmoriz com Borges, Correia e Koneh, antigos jogadores da Barrinha. Portanto, tarefa complicada para os Guerreiros, nada a que não estejam habituados num campeonato que, todos os domingos, tem 9 jogos de tripla.

Veja a fotogaleria:

 


Fotos: António Silva
Texto: Pedro Silva

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