Basquetebol Feminino: Ovarense perto da vitória, longe do playoff

Por em 03/12/2019

A equipa feminina da Ovarense Basquetebol continua em dificuldades na Liga Feminina. As comandadas de Jorge Maia somam apenas uma vitória na presente edição do campeonato e voltaram a marcar passo na noite de quarta-feira, em jogo da 8ª jornada. Em casa do Vitória SC, a Ovarense até dividiu a partida até ao buzzer final, mas acabou vergada com um 75-65 que se definiu nos pequenos pormenores.

TERCEIRO QUARTO GERA SÉTIMA DERROTA

Com uma estratégia bem alinhada, a Ovarense conseguiu criar muitas dificuldades às vitorianas durante a primeira parte. No entanto, foi o terceiro quarto da partida que colocou em cheque as hipóteses de triunfo alvinegro.

A Ovarense entrou confiante no jogo e assumiu de pronto a liderança do marcador, com 4 pontos sem resposta – ainda assim, o primeiro período teve maior domínio das locais. A dificuldade em travar o jogo físico das pupilas de Eduardo Ribeiro preocupava a equipa técnica vareira, mas a defesa zonal implementada e a reação ofensiva na parte final do período ajudaram, permitindo uma diferença de apenas 2 pontos nos primeiros dez minutos (15-13).

Contudo, a atitude aguerrida da Ovarense desapareceu durante metade do segundo quarto. A chama só se reacenderia a partir dos 15 minutos de jogo, ainda a tempo de uma recuperação de uma desvantagem que já se alargava.

A Ovarense começou por igualar o jogo nos 24-24 (Maria Luísa empatou na linha de lance livre) e esteve mesmo a vencer pouco depois. O Vitória SC respondeu com parada alta e com destaque das suas 3 estrangeiras, Kaissa Kuisma, Sabrina Lozada-Cabagge e Alexus Harrison. O intervalo chegou com um 32-30 a favor do Vitória SC e com tudo em aberto para a etapa complementar.

O regresso dos balneários, contudo, não foi benéfico para a Ovarense. As alvinegras perderam ritmo e deixaram o Vitória escapar nos números do placard eletrónico. Com Alexus Harrison e Catarina Mateus em alta (tiro exterior incluído!), as vitorianas fizeram-se valer da maior frescura física que as mudanças a partir do banco lhes proporcionaram e a Ovarense chegou mesmo a estar 16 pontos atrás.

À partida para o último quarto do encontro, a Ovarense tinha de correr para recuperar uma desvantagem que se cifrava nos 56-47 mas, com as suas peças principais dentro de campo – Ana Raimundo e Tess Bruffey reentraram após tempo no banco -, quase se dava a reviravolta no Pavilhão Unidade Vimaranense.

A 50 segundos do final, na linha de lance livre, Ana Raimundo colocou a Ovarense a 5 pontos do empate (70-65) e, com apenas 2 faltas cometidas no período, a equipa podia ser agressiva na sua pressão. Mas o Vitória soube reter a posse e obrigou o oponente a travar o cronómetro com faltas sucessivas.

Jorge Maia fez-se valer de um time-out, mas não conseguiu ser bem sucedido no esquema montado para a transição ofensiva da Ovarense. O Vitória conquistou mais 5 pontos na linha de lance livre ao longo dos últimos segundos, fechando as contas do jogo num 75-65.

Olhando a uma partida de parada e resposta, percebe-se que o parcial de 24-17 conquistado pelo Vitória no terceiro período foi decisivo para o desfecho final do jogo. Não só obrigou a Ovarense a uma intranquilidade gerada por uma desvantagem larga, como tirou pressão das comandadas de Eduardo Ribeiro para um quarto período intenso e cheio de nuances táticas.

A SOLUÇÃO (QUASE) ESTAVA NO BANCO

Ao contrário do que aconteceu noutros encontros, se a Ovarense lutou pelo resultado até ao fim contra o Vitória SC, deve-o em parte ao contributo do seu banco de suplentes.

Quando a equipa começou a claudicar em termos físicos, Bárbara Calvinho (7 pontos, 2 ressaltos, 1 assistência, 1 roubo de bola) e Maria Luísa Silva (9 pontos, 6 ressaltos, 1 desarme de lançamento) souberam manter a qualidade dentro da quadra e contribuíram com números estatísticos interessantes para a partida.

A Ovarense fez-se valer dos 18 pontos conquistados a partir do banco, ainda que os melhores dados pertençam às suspeitas do costume. Mesmo com 6 perdas de bola, Cátia Lopes voltou a mostrar um (já inegável) valor com 15 pontos, 6 ressaltos, 1 assistência e 4 roubos de bola; Gabriela Raimundo (10 pontos, 8 ressaltos, 4 assistências, 2 roubos de bola), Ana Raimundo (10 pontos, 3 ressaltos, 6 assistências, 1 desarme de lançamento, 4 roubos de bola) e Tess Bruffey (12 pontos, 4 ressaltos, 2 desarmes de lançamento, 2 roubos de bola) também tiveram exibições abnegadas.

Os melhores números da noite ficaram para o lado do Vitória SC. Alexus Harrison (20 pontos, 15 ressaltos, 2 assistências, 1 desarme de lançamento, 2 roubos de bola) foi MVP com um duplo duplo. Catarina Mateus (16 pontos, 2 ressaltos, 3 assistências, 2 roubos de bola) e Sabrina Lozada-Cabagge (15 pontos, 6 ressaltos, 3 assistências, 4 roubos de bola) foram mais duas em real evidência.

PLAYOFF? DIFÍCIL, NÃO IMPOSSÍVEL

Jorge Maia não foge ao objetivo de alcançar o playoff. Embora o começo de Liga para a sua equipa esteja a ser titubeante, o treinador vareiro afirma que a tarefa não é impossível, apenas está cada vez mais complicada.

A Ovarense segue na 10ª posição da Liga Feminina, com apenas uma vitória ao cabo de 8 jogos e 9 pontos na tabela classificativa. Vai aguardar pelo desfecho da ronda, sabendo de antemão que pode até descer ao último posto (12º) caso CAB Madeira e Guifões vençam os seus compromissos contra CPN (sábado) e Carnide (domingo).

É certo que o 8º lugar, a posição de acesso ao playoff, também continua perto de ser alcançado. O CPN, atual 8º classificado, soma 11 pontos em 7 jogos, apenas mais 2 pontos que a Ovarense.

Ainda assim, é urgente começar a somar triunfos. Com apenas mais 3 jogos para o fecho de primeira volta (Vagos, Guifões e Carnide), a Ovarense precisa dos 3 exibições positivas para, pelo menos, igualar o registo de 4 vitórias na primeira metade de campeonato da época passada que, relembre-se, nem sequer gerou acesso ao playoff.

Nesse ponto, se formos a julgar pela edição 2018/19 da Liga Feminina, o 8º classificado da fase regular da prova (Benfica) alcançou a marca dos 10 triunfos, algo que ainda está bem longe do figurino atual da Ovarense.

Na verdade, o melhor registo de sempre da Ovarense no campeonato é o de 2017/18, com 8 vitórias conquistadas. Uma época em que a equipa ficou às portas dos quartos de final.

Por isso, neste momento, e talvez mais importante que o objetivo maior do playoff, é necessário cumprir os mínimos para que a Ovarense se mantenha no escalão maior do basquetebol feminino. Um tema que preocupa Jorge Maia e que foi fruto de análise após o desaire na Cidade Berço.

Ouça as declarações de ambos os técnicos no pós-jogo, em entrevista concedida a Pedro Silva, repórter da Rádio AVfm.

Declarações AD Ovarense | Jorge Maia
Declarações Vitória SC | Eduardo Ribeiro

FICHA DE JOGO | Vitória SC x AD Ovarense | Liga Feminina – 8ª Jornada

Vitória SC: Catarina Mateus, Kaisa Kuisma, Sara Ressurreição, Sabrina Lozada-Cabagge, Alexus Harrison
Jogaram ainda: Bárbara Miranda (c), Mariana Machado, Ana Pedroso
Não utilizadas: Catarina Francisco, Ana Moura, Ana Costa, Isabel Cunha
Treinador: Eduardo Ribeiro

AD Ovarense: Tamára Santos, Gabriela Raimundo, Ana Raimundo (c), Tess Bruffey, Cátia Lopes
Jogaram ainda: Maria Luísa Silva, Magda Leitão, Bárbara Calvinho, Catarina Lopes
Não utilizadas: Catarina Silva, Sofia Pinheiro, Mariana Djaló
Treinador: Jorge Maia

Resultado final: 75-65
Parciais: 15-13 | 32-30 | 56-47 | 75-65
MVP Rádio AVfm: Alexus Harrison (Vitória SC)


Fotos: Direitos Reservados
Texto: Pedro Silva
Áudio: Jaime Valente


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