Covid-19 obriga nadadores a novos comportamentos

Por em 18/06/2020

Nadadores salvadores devem tentar salvar “sem entrar na água”

No início do mês, a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores divulgou uma recomendação de procedimentos para que os profissionais possam executar as suas funções nesta época balnear afetada pela pandemia Covid-19. Uma vez que ainda não são conhecidas medidas de prevenção internacionais, foi criada uma recomendação nacional.

Segundo Alexandre Tadeia, Presidente da Federação, o profissional deve “tentar salvar sem entrar na água, utilizando equipamentos” ou se tiver de entrar, deve ir equipado com instrumentos que permitam o salvamento à distância.

Caso haja a necessidade de abordar a vítima fisicamente, a proximação deve ser realizada “pelas costas e nunca pela frente”. Alexandre Tadeia especificou ainda que nesta situação, enquanto o nadador salvador está a retirar a vítima do mar, o segundo profissional já se prepara, com o kit de proteção individual (luvas, máscara e viseira) para a receber e transportá-la até a uma zona de socorro.

Assim, também referiu que os profissionais só precisam de utilizar a máscara em situações de socorro em terra, visto que também não há máscaras específicas para utilização dentro de água, ou noutras situações que não se consiga manter a distância de segurança.

Existem seis métodos de salvamento

Com várias polémicas e críticas a estas últimas declarações, foram indicados seis métodos de salvamento que são recomendados a nível mundial por permitirem o distanciamento social.

Destas técnicas destaca-se o “alcançar e lançar”, em que o nadador salvador utiliza um equipamento para alcançar a vítima, sem entrar na água. Para a alcançar, o profissional pode utilizar vara de salvamento, cinto de salvamento ou boia circular, entre outras opções.

As outras possibilidades serão caminhar, remar/embarcação, nadar e rebocar, sendo que o primeiro referido, é o mais seguro, visto que a probabilidade de contágio vírus é menor.

A Reanimação depois de um afogamento

Nas situações de reanimação é impossível manter o distanciamento social, por isso são necessárias recomendações para se poder salvar a vida de um banhista sem comprometer a saúde do socorrista.

Entre Maio e Abril, várias organizações como a IDRA (International Drowning Researchers Alliance), a ILS-MC (Comité Médico da Federação Internacional para o Salvamento de Vidas) e a IMRF (Federação Internacional de Resgate Marítimo) criaram recomendações de comportamentos alternativos, uma vez que os procedimentos comuns de reanimação ficaram ultrapassados na sequência da pandemia. Contudo, a eficácia destas novas recomendações terá que ser aferida.

Respiração boca-a-boca tem um elevado risco de transmissão

A probabilidade do náufrago sobreviver está diretamente relacionada com a rapidez com que é retirado da água e é iniciado o procedimento de reanimação. Todavia, é possível que haja transmissão da doença Covid-19 através de gotículas e aerossóis entre a vítima e o profissional.

Para os profissionais de salvamento, cada pessoa deve ser encarada como portadora do vírus SARS-CoV-2, especialmente se os acompanhantes relatarem sintomas da pessoa relacionados com a doença. Contudo, é sabido que na hora decisiva de salvamento, esta informação é difícil de ser obtida.

As instituições responsáveis afirmam que devem ser utilizadas máscaras de reanimação com um filtro para realizar a respiração boca-a-boca. Recomendam ainda o sistema de reanimação manual balão-válvula-máscara (BVM). Se as organizações não conseguirem cumprir esta recomendação, sugerem apenas a reanimação cardiopulmonar através da compressão torácica (com a boca e nariz tapados com um pano).

Respiração boca-a-boca em crianças

A Aliança Internacional dos Comités de Ressuscitação e do Conselho Europeu de Ressuscitação não se opõem à realização deste procedimento, uma vez que esta técnica beneficia particularmente as crianças. Outro argumento é que, com os dados recolhidos da pandemia, as estatísticas revelam que o número de crianças portadoras de Covid-19 tem um “papel muito limitado na propagação do vírus”.

Este procedimento também pode ser realizado por familiares ou acompanhantes da pessoa em dificuldades, que possuam a capacidade para tal.

Equipamentos de proteção individual

Nos processos de reanimação, os profissionais têm de utilizar luvas, máscara e viseira/óculos de proteção, sendo que devem desinfetar as mãos após o contato com outras pessoas.

Estes equipamentos só serão necessários em situações de manobras em terra, visto que também não há máscaras específicas para utilização dentro de água.

Também se aconselha os nadadores salvadores que pertençam a grupos de risco a não desempenhar serviços que os levem a manter contacto direto com outras pessoas.

Falta de profissionais

Desde o início da pandemia, a Federação tem alertado para a falta de 1500 a 2000 nadadores salvadores para a época balnear, que no centro só iniciará a 20 de junho. Esta falta de profissionais está relacionada com a suspensão das formações devido ao estado de emergência decretado. Alexandre Tadeia abordou ainda o aumento do número de mortes por afogamento, tendo totalizado 52 registos nos primeiros 5 meses do ano.

A Federação reforça ainda que a melhor maneira de evitar afogamentos passa pela prevenção e pela vigilância.

Fotos: Direitos Reservados
Texto: Irina Silva


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