«Tenho o sonho de fazer o European Bowling Tour» – Cristina Soares

Por em 24/10/2017

Cristina Soares, atleta do Bowling Clube de Ovar há cinco anos, tem vindo a dar provas que o nível técnico dos atletas ovarenses está em ascensão. Pelo segundo ano consecutivo, sagrou-se campeã nacional da modalidade.

A primeira pergunta a que deve responder em todas as entrevistas é certamente como é que começou esta dedicação ao bowling?

Olá. Sim, de facto é uma questão recorrente, já que no nosso país é uma modalidade desportiva com pouca divulgação e o que todas as pessoas conhecem é a vertente lúdica. O meu primeiro contacto com pinos e bolas de bowling ocorreu no ano de 1998, num centro de bowling em Lisboa, que era onde eu estudava na altura. Jogava entre amigos, apenas por diversão e desconhecia por completo a existência de todo um mundo desportivo que se lhe associava. Mas numa das minhas viagens assíduas ao sul de Portugal descobri um pequeno centro de bowling no Alvor. Por curiosidade entrei e fui tão bem recebida que me tornei numa cliente diária. Aí tive o meu primeiro contacto com jogadores de bowling que ali realizavam competições semanais e tudo me começou a fascinar. Daí a comprar o meu primeiro par de sapatos foi um pulinho e quase de imediato, também, a minha primeira bola de bowling.

E quando é que começou a competir?

A minha primeira competição nacional ocorreu no ano de 2000 pelo Bowling Clube de Lisboa. Joguei as provas regionais e uma prova nacional para o Bowling World Cup na qual fui eliminada na primeira fase em 13º lugar… Naquela altura os meus conhecimentos eram muito rudimentares e era uma autodidata sem muitas fontes de informação.

Qual foi a sua maior conquista no bowling?

A minha primeira vitória no apuramento nacional para o 50º Bowling World Cup em 2014… a prova mundial é uma das mais acarinhadas. Todos os anos tentava o apuramento e terminava sempre nos lugares cimeiros, mas o objetivo escapava-me sempre das mãos. Daquela vez emocionei-me muito porque era um sonho com mais de dez anos.

E já voltou a conseguir repetir a experiência?

Sim, com muita alegria. Depois de ter deixado escapar a vitória durante dois anos consecutivos, no final da época passada consegui ganhar novamente o apuramento nacional e em novembro deste ano estarei novamente a representar Portugal no 53º Bowling World Cup, no México. Vou com muita esperança de fazer história e conseguir pela primeira vez passar para as finais entre as primeiras 24 senhoras. Ao todo são quase 100 em competição.

O que a leva a ambicionar esse resultado?

Tenho trabalhado muito na minha evolução nos últimos dois anos. Treino assiduamente nas pistas entre oito a dez horas por semana, além do ginásio. Fiz bastantes formações técnicas que me permitem tomar melhores decisões durante as competições e além disso também já tenho mais experiência internacional, que me faz sentir mais à vontade nos ambientes competitivos de alto nível técnico.

Então já tem competido noutras provas internacionais?

Sim. No ano passado, quando ganhei o campeonato nacional, fui representar Portugal ao European Champions Cup à República Checa e este ano estive com mais três elementos  da seleção nacional em Madrid, a disputar o Campeonato Ibero-Americano.

Este ano voltou a ser campeã nacional?

Este ano foi um ano de muito esforço. Dediquei muitas horas a treinar a minha forma física com o meu amigo e Personal Trainer Ricardo Ribeiro, que tem feito um trabalho extraordinário e me devolveu a agilidade e reforço muscular imprescindíveis para um bom desempenho desportivo. Trabalho também com o meu companheiro de treino José Silva, que me ajuda bastante a desenvolver técnicas de treino nas pistas e me apoia técnica e psicologicamente nas competições nacionais e internacionais. Sem eles isto nunca seria possível. No final da época, venci ainda a Liga Pro-Bowling Portugal e sou a primeira mulher a conseguir fazê-lo, o que me enche de orgulho e é sem dúvida uma boa recompensa para o esforço que tenho vindo a fazer.

Pode dizer-se que foi uma época em grande, o que deve ser um orgulho para o clube. Como funciona o Bowling Clube de Ovar?

O clube apoia os seus atletas na medida do possível e eu sinto-me muito acarinhada como atleta e treinadora do clube. Infelizmente não há apoios governamentais para este tipo de modalidades com menos expressão, o que torna o trabalho das instituições bastante difícil. Apesar disso, tentamos sempre fazer o nosso trabalho na divulgação da modalidade e eu pessoalmente ajudo nos treinos dos atletas iniciados.

E qualquer pessoa pode inscrever-se no clube?

Sim, quem tiver algum gosto pela modalidade e queria integrar uma equipa forte neste desporto, pode e deve procurar mais informações no centro Bowlikart, que é onde o clube tem sede. Além disso, o clube tem protocolo com esta casa e todos os sócios têm descontos nas partidas de bowling de cerca de 50%. Há treinos opcionais e muitas atividades competitivas.

Quais as suas aspirações para esta época?

Quero tentar manter-me em competição pelo menos mais uma ou duas épocas, mas sinto que estou a atingir o ponto de viragem e estou a pensar dedicar-me mais à formação. Assim, para esta época, gostava de repetir as vitórias da época passada e quem sabe adicionar mais algum troféu aos que já tenho. Tenho ainda uma ambição, ou melhor, um sonho… que seria conseguir os apoios necessários para fazer o European Bowling Tour. São 15 provas em vários países europeus, mas financeiramente é demasiado dispendiosa e sem apoios é impossível para qualquer atleta em Portugal.

 


Foto: António Silva
Texto: AVfm


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