Que o digam os poetas da bola: Ovarense rima com Liga BPI

Por em 30/04/2019

Foram meses duros, muito boas memórias, outras tantas aprendizagens e, no final das contas, o melhor futebol feminino português passará por Ovar durante mais uma temporada.

No passado domingo, naquela que foi a 20ª jornada da Liga BPI, a Ovarense conseguiu finalmente assegurar a sua permanência na prova. E fê-lo baseando-se na lei dos golos, marcando 4 numa das vitórias mais folgadas do ano.

A jogar no Porto contra as axadrezadas do Boavista FC, a formação comandada por Sérgio Barreto venceu por 4-2 e garantiu o primeiro triunfo ao comando do técnico que chegou ao Marques da Silva no decorrer da segunda volta do campeonato.

A partida era uma autêntica final para as duas equipas, mas de cariz ainda mais decisivo para o Boavista. As Panteras surgiam em campo com apenas 5 pontos na tabela classificativa e sem qualquer margem de erro caso não quisessem passar a próxima época num escalão secundário.

Talvez por causa do nervosismo que daí advém se tenha notado uma Ovarense mais dona e senhora do desafio. Mas enganem-se aqueles que, com isto, pensam que o jogo não teve emoções fortes e muitas voltas e reviravoltas.

A verdade é que foi mesmo o Boavista a mexer com o marcador primeiro… e logo no primeiro quarto de hora de encontro. Flávia Moreira – que foi sempre uma dor de cabeça para defensiva vareira – correspondeu à ponta de lança a um cruzamento vindo da direita e teve frieza para colocar a sua equipa a sonhar com uma luz ao fundo do túnel.

No entanto, e apesar do Boavista ter revelado possuir nas suas fileiras algumas boas executantes, mesmo na fase de maior indecisão no marcador se via um fio de jogo comandado pela Ovarense. Embora tenha estado privada da sua capitã (e uma das melhores futebolistas do plantel), Betinha, a equipa conseguiu dominar na posse de bola e provou ser mais ameaçadora na zona de finalização.

A Ovarense voltou a jogar sem uma ponta de lança de raiz, algo que continua a ser um problema nalgumas situações. Ainda assim, a mobilidade atacante das alvinegras garantia-lhes espaço para tentar a meia distância ou para fazer as marcações axadrezadas perderem o norte.

A acutilância revelada era, porém, travada pela falta de afinação na pontaria. Só que, para bem das preces alvinegras, esta era a tarde das bolas paradas: todos os golos (sim, todos os 4!) apareceram de lances desse género.

Dois deles logo na primeira parte, para virar do avesso o placard. Primeiro num canto a lembrar os Morais desta vida, com Patrícia Cavadas a ter fortuna para bater direto do quarto de círculo para o fundo das redes boavisteiras. E, por fim, com um livre de Bia Rodrigues que mais parecia executado com um telecomando de pilhas bem carregadas.

De 1-0, em pouco mais de 10 minutos (entre os 31′ e os 44′ da partida), a Ovarense reescrevia o texto a seu favor e, por ironia do destino, alicerçando-se em duas ex-jogadoras do clube adversário. Frise-se que, na hora de festejar, tanto Cavadas quanto Rodrigues souberam lembrar a sua passagem pelo Boavista e pediram desculpa pelos golos. O futebol é ou não é apaixonante?

Patrícia Cavadas viria mesmo a cometer outra «maldade» sobre as suas antigas cores. A camisola 27 foi a responsável pela cobrança de um penálti que, ao minuto 74′, voltou a colocar a Ovarense na dianteira do marcador. Isto porque, já antes, aos 62′, Flávia Moreira fora capaz de tirar o seu primeiro golo a papel químico e repetir a façanha para empatar a partida a 2-2.

Contas feitas, faltava só garantir a tranquilidade para que os adeptos vareiros parassem de roer as unhas. Tal chegou aos 80 minutos, com novo penálti assinalado (agora sobre Flávia Marinho). Rute Silva, chamada a atirar a contar, não desperdiçou e regressou aos golos para selar o resultado final.

Pedro Silva foi o repórter da Rádio AVfm no jogo do passado domingo. Ouça as declarações dos técnicos:

  • Declarações AD Ovarense | Sérgio Barreto:
  • Declarações Boavista FC | Alfredina Silva:

A Ovarense fez a festa longe de casa e alcançou os 14 pontos na Liga BPI, mantendo o seu 10º lugar mas ficando inalcansável para Boavista e Vilaverdense, os lanterna vermelha da prova. Na caminhada alvinegra, destaque para o facto da equipa ter somado 9 pontos (em 12 possíveis) contra os rivais diretos na classificação: ganhou 1-0 e 4-2 a Boavista e 5-0 ao Vilaverdense no jogo da primeira volta.

Segue-se a consagração da formação vareira nas rondas que faltam para o final do campeonato feminino português, na receção ao Clube de Albergaria e na viagem até ao reduto do Valadares de Gaia.

Por fim, a Ovarense terá ainda mais um enorme objetivo em carteira. A equipa está de olhos postos na conquista da Taça de Aveiro e, apesar de ter o campeoníssimo Albergaria à perna, está nas meias-finais e tem maiores e melhores aspirações do que em edições anteriores.

Recorde-se que, na última presença na final do Estádio Municipal de Aveiro, a Ovarense saiu derrotada pelas albergarienses por 3-0. Agora, estando ambas as equipas na Liga BPI, a balança de forças poderá estar mais equilibrada e talvez a equipa vareira consiga subir ao púlpito de campeão pela primeira vez na sua curta história do futebol feminino.


Fotos: Direitos Reservados
Texto: Pedro Silva
Áudio: Jaime Valente


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