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Verdadeiro ex-líbris, o Pão de Ló de Ovar certificado compra-se nos produtores identificados com a respetiva “bandeirola”!

Escrito por em 30/11/2023

O Pão de Ló de Ovar é o verdadeiro e incontornável ex-líbris gastronómico do território vareiro, afirmando-se como um dos mais seguros cartões de visita do concelho. A doce iguaria é bastante versátil, harmonizando bem com queijo da serra e vinho do Porto, mas sendo inúmeras as combinações possíveis.

No início deste ano, foi distinguido como um dos melhores bolos do mundo, tendo assumido a 18ª posição do ranking internacional de Gastronomia “The Taste Atlas”. O Pão de Ló de Ovar é o único representante português na lista que ordena os 50 melhores doces!

As convicções da sua origem remontam às conventuais, sendo vários os fatores que levam a crer que, se o pão de ló não nasceu num convento, por lá andou e se aperfeiçoou.
Dada a quantidade de gemas necessárias para um exemplar, acredita-se que o resto do ovo, as claras, servissem para outras funções “principais”. Desde engomar os hábitos das freiras e dos abades (misturadas com água tinham o efeito de goma), ao fabrico das hóstias, terão também cumprido a função de clarificar e filtrar o vinho.

O Pão de Ló de Ovar, à semelhança de qualquer outro do país, é composto por 3 ingredientes: ovos, açúcar e farinha. Umas das particularidades do Pão de Ló de Ovar é ser confecionado com farinha sem fermento e sal, embora este seja opcional.

Tradicionalmente, a produção de Pão de Ló de Ovar demorava no mínimo 2 horas, com a massa a ser batida manualmente. Para tal tarefa, nada melhor que juntar toda a família, com avós, filhos, netos e bisnetos a meter a mão na massa.
Esta é uma das razões porque o Pão de Ló de Ovar está ligado ao conceito familiar e às épocas festivas e datas especiais, onde não pode faltar em cima da mesa.

Outro motivo, é a sua relação com as tradições religiosas e, de facto, os primeiros registos do Pão de Ló de Ovar remontam aos finais do século XVIII, concretamente ao ano de 1781, pela mão do Padre Lírio. O mesmo assegurava que era oferecido um exemplar da iguaria a quem carregava os andores nas procissões da Quaresma.

A maior dificuldade na confeção desta iguaria vareira está no forno. Conseguir controlar o grau de humidade pretendido no seu interior levanta falsas questões em relação ao seu secretismo.
Contudo, os produtores oficiais asseguram que “não há segredos, há técnicas e mais do que qualquer técnica há o ‘saber fazer’ tão bem transmitido pelos nossos antepassados”.

Para preservar este legado, procedeu-se à certificação (qualificação) do Pão de Ló de Ovar. Foi elaborado um caderno de especificações, onde estão compiladas todas as regras que os produtores oficiais locais cumprem na íntegra:

  • o papel utilizado é papel almaço e a sua gramagem pode variar entre 80 e 120g;
  • as formas são de barro, vermelho ou preto. O barro vermelho encontra-se na nossa região, o preto encontra-se em Trás-os-Montes ou em Molelos (Viseu);
  • os ovos são originários da região demarcada entre Ovar e Sever do Vouga. Nesta zona, que cobre todo o distrito de Aveiro, o valor do pigmento incluído na ração das galinhas, atinge o valor mais elevado que é permitido, conferindo-lhe uma cor mais amarela do que no resto do país;
  • a forma de papel possuí as 4 pregas para abrir, o corte no topo tem que ser picotado, em ziguezague e o Pão de Ló tem de ser amarrado.

Estes e outros aspetos permitem ao consumidor distinguir um Pão de Ló de Ovar de um produtor certificado das imitações que vão surgindo no mercado.

A iguaria é produzida ao longo de todo o ano, aumentando consideravelmente a procura nas épocas festivas. Para não correr o risco de ficar sem Pão de Ló de Ovar neste Natal, reserve com antecedência nos estabelecimentos certificados pela Associação de Produtores de Pão de Ló de Ovar (APPO), identificados com uma bandeirola:

Curiosidades e Mitos sobre o Pão de Ló de Ovar…

  • Este bolo deve ser cortado e servido com garfos, ao invés de colheres ou facas;
  • Ao contrário do que se possa pensar, o Pão de Ló de Ovar não é uma opção muito calórica;
  • A parte húmida do Pão de Ló de Ovar – o “pito” – é apenas o resultado da sua cozedura, não havendo recurso a recheios ou à utilização de Ovos Moles;
  • A conservação deve ser feita preferencialmente à temperatura ambiente;
  • O Pão de Ló de Ovar pode ser ultracongelado.

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Fotos: Direitos Reservados
Texto: Irina Silva

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