Tigas «de gala» catapulta Ovarense para as vitórias no campeonato

Por em 07/11/2017

O ditado diz que é à terceira que é de vez… mas os vareiros não se importam. De facto, foram precisos 8 jornadas de Campeonato Safina para ver a melhor cara da AD Ovarense na prova, com a primeira vitória do conjunto de Artur Marques e logo numa grande exibição perante o Canedo FC. Fazendo um bis que compôs o 3-0 alcançado, Tigas foi o homem da tarde, vestindo-se de gala para aquele que terá sido o grito do Ipiranga dos alvinegros e, crê-se, uma página de viragem na história de 2017/18 da ADO.

O campo era talismã: nas Valadas, há menos de meio ano, a Ovarense tinha festejado o título de campeão distrital da antiga 2ª divisão. Por isso, e perante um Canedo que também acabara de se tornar primodivisionário, a Ovarense entrou autoritária e pronta a dar um enorme pontapé na sua própria crise. Esticada no campo e sempre atrevida, a equipa assumiu as despesas da posse de bola, revelou novamente segurança defensiva e controlou os jogadores de Vasco Coelho nos primeiros 45 minutos.

Samuel Biscaia foi o homem das luvas; a defesa teve Pedrinho pela direita, David Rocha pela esquerda, Sampaio e Fábio Pereira no corredor central; Miguel Silva fixou-se como estanque do meio-campo, com João Paulo e Filipe Lírio povoando o miolo à sua frente; Fred e Tigas apareceram nas alas e Renato foi o ponta de lança de serviço.

Apesar de mandona, até foi a Ovarense a ter o calafrio inicial da partida. Aos 16′, o Canedo, municiado por Gil, podia ter festejado. O extremo dos de Santa Maria da Feira recolheu a bola no lado direito, puxou para a bota esquerda e atirou com perigo ao lado da baliza de Biscaia. O primeiro apontamento de perigo no jogo, um oásis no quase nulo de chances concedidas pela Ovarense na primeira parte.

No ataque é que os vareiros estavam bem e Tigas parecia estar em tarde sim. Acompanhado do sempre atrevido David Rocha, a parelha da lateral esquerda da Ovarense deixava os amarelos e azuis em trabalhos e começaria o seu recital de futebol pouco depois.

Aos 26′, Tigas bateu um livre para a área e David quase correspondia com sucesso. Na disputa do lance, o lateral não conseguiu empurrar o esférico e, na confusão instalada, o guarda-redes Zé Nina teve mãos para parar a investida vareira.

Mas, 3 minutos volvidos, não teve hipótese perante nova carga adversária. Neste casos, os papéis inverteram-se e foi David Rocha a assistir Tigas. O defesa avançou, qual Maradona, pela esquerda, e depois de galgar metros e ultrapassar oponentes pelo seu flanco, deixou o açucarado esférico para Tigas. O camisola 10 fez o que bem sabe: magia pura. Abrindo espaço por entre dois jogadores do Canedo, atirou em jeito para a malha direita da baliza. Um golo de recorte e uma explosão de alegria na bancada dos Fans 1921.

A Ovarense podia ter ficado acomodada com a vantagem mas, pelo contrário, ainda intensificou mais o seu domínio nesta fase do encontro. Um minuto após a festa do golo, Zé Nina foi outra vez chamado à ação. Desta feita, o guarda-redes da casa desviou a custo um tiro rasteiro vindo do lado direito da formação da ADO.

Na esquerda, a rotatividade de Tigas fazia gato-sapato de Marco Ferreira. Aos 33 minutos, novamente servido por David Rocha, o melhor marcador da Ovarense divagou para o centro e, à entrada da área, disparou com vontade de bisar. A bola ainda tirou tinta à barra do Canedo.

Foram 5 minutos de sufoco para os da casa mas a agressividade alvinegra afrouxaria aos 35′. Uma paragem forçada no encontro para assistência do trinco de Ovar, Miguel Silva, forçaria Artur Marques a chamar André Felix a jogo e, após a lesão e o reagrupar do Canedo, a primeira parte perdeu interesse e os protagonistas intensidade.

Ainda assim, o segundo tempo trouxe um jogo aberto e um Canedo empenhado no empate. Vasco Coelho agiu ao intervalo e lançou Paulinho para o relvado. O ala entrou com vontade de mostrar serviço e encarregou-se de todas as bolas paradas dos da casa num intenso período de pressão junto da área de Samuel Biscaia.

Era visível que, depois de 45 minutos de domínio, a Ovarense concedia a iniciativa ao adversário e pretendia sair com venenosas transições rápidas. Algo que foi impossível durante 15 minutos mas que, aos 60′, quase dava frutos. Tigas (sempre ele!) foi lançado em profundidade nas costas da defesa e, isolado, tentou fintar Zé Nina em vez de oferecer o golo a Renato que pedia o passe ao seu lado. O guardião local foi gigante ao evitar o segundo e nem teve trabalho na recarga ao lado que Filipe Lírio, vindo de trás, ainda esboçou.

Era esta a receita para chegar à baliza de Canedo e, aos 72′, a Ovarense finalmente tiraria o golo do forno e alcançaria a tranquilidade. Na circunstância, os da casa tentavam sair para o ataque mas perderam a bola em zona proibida. Com muitos homens em posição flagrante, a Ovarense rapidamente fez a rendondinha viajar da esquerda para a direita, local onde estava Fred que, à boca da baliza, atirou rasteiro e a contar. O primeiro golo do ex-Esmoriz ao serviço dos alvinegros e a Ovarense agarrava cada vez mais os 3 pontos.

Das bancadas, o desagrado era muito para com o árbitro da partida, Rui Moreira. Pediu-se falta a favor dos da casa no lance do golo da ADO e, a partir daí, o juiz nunca mais teve descanso nas suas decisões. Ainda assim, aos 77 minutos, quando este expulsou João Paulo com duplo amarelo, o coro de protestos acalmou um pouco. Expulsão justa e vinda de duas admoestações a meio-campo no espaço de 25 minutos (52′ e 77′).

Pior ficou a Ovarense que enfrentaria, a partir daí, um final de partida em que estaria reduzida a 10 elementos. Dayo Femi rendeu Fred e saltou do banco para reforçar o meio-campo que agora tinha apenas Lírio e Felix. O nigeriano instalou-se bem perto dos centrais e a verdade é que, ao contrário do que se esperava, não teve muito trabalho. Jogando com 11 ou com 10, a Ovarense estava com estofo para dar ainda mais.

A consagração chegaria aos 84′: Lírio, encostado à direita, levantou a cabeça, viu gente na área e centrou de forma perfeita. Na zona de finalização, Tigas nem deixou o esférico chegar à relva e rematou de primeira com o peito do pé. A bola levava olhos e só parou na rede de Zé Nina. O homem do jogo dava o nó no ramalhete e alcançava o segundo bis no Campeonato Safina.

Zé Pedro ainda foi a jogo para o tempo de compensação e foi do lado de dentro que ouviu o apito final de Rui Moreira. A festa alvinegra desde logo se instalou e os adeptos acabaram coroados com o abraço da família ovarense, incluindo jogadores, equipa técnica e claque, no limite da bancada das Valadas.

Pedro Silva foi o repórter da AVfm no local. Ouça as declarações dos treinadores.

Jean – Treinador-adjunto da AD Ovarense

 

A Ovarense chega aos 4 pontos no Campeonato Safina, distancia-se do último, Famalicão (que voltou a perder), e recebe precisamente os de Anadia na próxima semana. Depois de um início atribulado contra oponentes de respeito, a ADO entra numa fase do calendário em que defronta conjuntos do «seu campeonato».

A confiança vareira está cada vez mais viva e Novembro promete mesmo ser o mês da redenção para os atletas vareiros. Falta agora confirmar, no terreno, se esta é uma equipa que sabe viver com as vitórias. Se bem que com esta nova coesão defensiva e com um Tigas inspirado no ataque, o sucesso pode finalmente tornar-se uma realidade para os lados do Marques da Silva.

 


Foto: Pedro Silva
Texto: Pedro Silva

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