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Alma Lusitana

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Festival “Ovarvisão” e outras sátiras do Carnaval de Ovar expostas no Posto de Turismo local

Escrito por em 17/02/2023

O Posto de Turismo de Ovar tem patente, até 15 de março, a Exposição OVARVISÃO. Com organização da Câmara Municipal de Ovar (CMO), a mostra fotográfica foi selecionada pelo curador vareiro Guilherme Terra/Ovarmemórias.

As imagens, do Estúdio Almeida, são registos das vivências do Carnaval em Ovar, no final do século XIX. Em cada uma podemos observar simples partidas carnavalescas ou momentos de crítica política.

Com o tempo, estas críticas foram ganhando destaque, começando a integrar os desfiles do Carnaval de Ovar como as conhecidas “Piadas”. Surgiam então às dezenas as “farpas” de teor político, tanto local como nacional, quase sem filtros e, por via disso, muitas vezes desafiando claramente a censura.

O Carnaval de Ovar foi-se afirmando sempre como um evento popular, sem perder a característica da espontaneidade. Foi essa dinâmica que culminou, em 1952, no primeiro desfile organizado com grandes carros alegóricos, “Piadas” e grupos de mascarados. As ruas continuaram a ser animadas por dezenas de grupos ovarenses, vestidos com Dominós ou fantasias improvisadas. E foi desse carnaval sempre autêntico, dito trapalhão, que nasceram “Os Engelhados”, mostrando que era possível brincar com ainda maior criatividade e engenho.

Um dos momentos memoráveis desse grupo de amigos remonta ao ano de 1969, quando realizaram o primeiro “Vestival de la Cancione de Ovarvisão”: uma paródia à programação da RTP, com destaque para o Festival da Canção e a subsequente final europeia, com a chancela da Eurovisão.
Foram dez as canções, todas elas recheadas de crítica acutilante, com referência a muitos dos problemas de Ovar e cantadas por “artistas” com referência a outros bastante conhecidos à época. Surgiram então na sátira “António Calcário” (António Calvário), “Madelein Inglesinha” (Madalena Iglésias), “Lixa Clifs” (Cliff Richard) ou “Rui de Mascarado” (Rui de Mascarenhas), enquanto na apresentação estavam “Mary Mauéla” (Maria Manuela) e Aruro Brutchinho” (Artur Agostinho).

“Os Engelhados” vieram a ser mais arrojados ao projetarem e construírem um circuito fechado de televisão num dos mais conceituados cafés de Ovar, o Café Progresso. O acontecimento tornou-se extraordinário se tivermos em conta que, nessa altura, a própria RTP só utilizava grandes câmaras de estúdio, recorrendo para reportagem maioritariamente ao filme.

Estes foliões reuniram diversos equipamentos eletrónicos – televisões, giradiscos, microfones – e obtiveram, para o material mais caro e de difícil acesso, o apoio da Philips. Viveram-se momentos raros de criatividade e humor, com rábulas em redor do Telejornal ou do famoso “quadro negro” da interrupção de emissão, tão frequente na altura, mas numa versão carnavalesca: “Pedimos interrupção por esta desculpa alheia à ligação de momentos, esperamos vontade de retomar dentro”. 
Esta verdadeira odisseia viria a ter reedições em 1970, com emissão a partir do GAV para os cafés Progresso e Paraíso e, uma última vez, em 1973, a partir do Furadouro. Neste último ano foi preciso construir um emissor e uma antena no Furadouro (a 5 quilómetros do centro de Ovar), com receção na cidade e distribuição de sinal para os cafés em causa e também para os Paços do Concelho. Foi, provavelmente, a primeira grande emissão de “TV pirata” em Portugal.

No ano de 1969, a maior parte do material citado, com exceção dos televisores, quase só existia mesmo na RTP, a única estação de televisão ao tempo. As câmaras de vídeo amadoras só começam a ser utilizadas em Portugal no final dos anos 70. É, também por isso, graças aos registos fotográficos do Estúdio Almeida que podemos apreciar nesta exposição muito do que então se viveu em movimento frenético. As várias fotos documentam esses “Vestival”, Telejornal, Boletim Meteorológico, assim como o Teatro, a Culinária, a Ginástica e a Música, que já então compunham a grelha televisiva.

Com curadoria de Guilherme Terra, profissional da RTP e orgulhoso vareiro, esta é uma exposição herdeira da vontade de inovar, surgindo, também por isso, em simultâneo no Mural Criativo da RTP, no Porto e no Posto de Turismo de Ovar.

Confira alguns momentos da inauguração da Exposição “OVARVISÃO”, registados por António Dias:

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Fotos: António Dias
Texto: Irina Silva

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